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João Távora


Terça-feira, 15.08.17

Quinze de Agosto

NSenhora.jpg

 Rubens

(1577-1640)


Magnificat

 

A minh'alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegrou em Deus meu Salvador
Pois Ele me contemplou na humildade da sua serva
Pois desde agora e para sempre me considerarão bem-aventurada
Pois o Poderoso me fez grandes coisas

Santo é Seu nome!

A Sua misericórdia se estende a toda a geração daqueles que o temem
Com o Seu braço agiu mui valorosamente
Dispersou os que no coração tem pensamentos soberbos
Derrubou dos seus tronos os poderosos

Exaltou os humildes, encheu de bens os famintos
despediu vazios os ricos
Amparou a Israel Seu servo para lembrar-se da Sua misericórdia
A favor de Abraão e sua descendência
Como havia falado a nossos pais.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo,
Como era no princípio, agora e sempre.

Amém.

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por João Távora às 13:46

Domingo, 13.08.17

A onda terrorista

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Com meio país em chamas descontroladas não é com espanto que vejo na televisão Patrícia Gaspar a porta-voz da desgraça oficial que nos coube em fado, no velho choradinho da culpa dos pirómanos. Afinal a culpa é dos pirómanos responsáveis pela ignição de 90% dos incêndios, não é do clima, do ordenamento da floresta ou das políticas de prevenção. Trata-se de uma onda terrorista, segundo Marta Soares. Um discurso irracional que convida o pessoal escolher a sua teoria da conspiração e montar umas milícias populares, contra os empresários da madeira queimada ou do aluguer dos helicópteros que pagam os incendiários, contratados a troco de um maço de tabaco e uma garrafa de vinho num recanto da tasca da aldeia. É a fuga para a frente do poder impotente confrontado com a sua proverbial incompetência. Já todos sabíamos que a culpa do nosso triste destino sempre foi dos privados, das bruxas e dos maluquinhos. Contra esta insanidade não há nada a fazer, o que é muito conveniente.

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por João Távora às 16:39

Domingo, 06.08.17

Ganhámos um jogo de treino

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É no mínimo preocupante quando uma equipa que tem ambições de vencer o campeonato faz mais de metade do seu primeiro jogo com um adversário que almeja a manutenção, empastelado no meio campo com baixíssima produção atacante, perdida numa experiência de última hora. O Bruno Fernandes no lugar de Podence, desaparecido nos mesmos terrenos de Adrien, foi um enorme equivoco que nos podia ter custado o empate na primeira parte. Com a equipa assim encolhida o futebol leonino claramente só desemperrou já na segunda parte com Podence à solta no último terço do terreno – o miúdo traz velocidade e rebeldia fundamental naquela zona do campo. É preocupante que Jorge Jesus teime em fazer experiências como se não estivesse em competição, mas está-lhe na massa do sangue protagonizar “surpresas” para mostrar que existe, que é ele que manda. Não havia necessidade - está claro para todos que é ele que manda - e podia ter corrido muito mal. 

À parte dessa inquietação, e para além de não termos sofrido golos, é de destacar o extremo esquerdo Acuña, que exibe uma generosidade excepcional a defender, umas ganas bestiais a atacar e um faro de golo raro. Temos Leão para atacar o título. Só espero que não percamos o Gelson Martins.

 

Texto publicado originalmente aqui

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por João Távora às 21:13

Sábado, 05.08.17

SOS Turismo

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O Instituto Nacional de Estatística divulgou ontem os números relativos à actividade turística em 2016 em Portugal que espelham o sucesso deste sector de actividade económica: as receitas do turismo cresceram 10,2%, significando um total de 12,7 mil milhões de euros de exportações, que correspondeu a um aumento de 10,7% na oferta, onde se inclui hotéis, turismo rural e alojamento local, correspondendo o peso deste último a 11% do total nacional em dormidas.

Tudo isto significaria apenas boas notícias não fora os problemas que se antevêem com a massificação do Turismo nos maiores destinos turísticos da Europa como é exemplo o caso de Barcelona de onde nos chegam sinais de falência do modelo de negócio. Se é certo que há um aproveitamento político pelos movimentos de extrema-esquerda cuja intenção é tão só a contribuição para um caos que favoreça o crescimento da insatisfação popular, esse facto por si alerta-nos para a fragilidade desta indústria que se sustenta fundamentalmente na paz social… e no bom acolhimento. Um caso preocupante é aquele recente que li algures do apedrejamento de um autocarro panorâmico de turistas por um grupinho de radicais em Barcelona. Um artigo publicado hoje no Expresso enumera uma quantidade de problemas que esta cidade enfrenta, quando as consequências da invasão turística parecem estar a tornar-se numa ameaça real à tranquilidade dos seus habitantes, que já entendem o Turismo como o segundo maior problema da cidade, depois do desemprego. E cá pelo burgo, quem andar atento às redes sociais apercebe-se de uma onda crescente de insatisfação de muitos lisboetas com aquilo que entendem como uma invasão, principalmente oriunda de residentes ou frequentadores de zonas mais emblemáticas da cidade.
Como liberal que sou, isso não me impede de constatar que a prazo teremos um problema grave a enfrentar. Recomendam-se políticas contra a gentrificação dos centros das nossas cidades e a sua consequente descaracterização e abandono (fenómeno que antecede em muito o crescimento do turismo), e preocupa-me a costumada incapacidade dos governos agirem preventivamente com reformas que nos salvaguardem de futuros problemas previsíveis. Políticas de regulação terão de ser empreendidas quanto antes, por forma a preservar a oferta turística existente, diversificando-a e valorizando-a de modo a aumentar o seu rendimento, em vez do seu número. A aposta deverá ser na qualidade no lugar da quantidade. O turismo é uma actividade económica demasiadamente importante para deixarmos que, a prazo, se autodestrua.

 

Fotografia minha.

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por João Távora às 16:55

Sexta-feira, 04.08.17

Mais uma crónica na Estação Tola

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Se há altura do ano em que a conversa fiada e a especulação sobre a bola é legítima e até recomendável é nesta época estival, também conhecida como tola, em que as equipas se preparam e os adeptos se enchem de expectativas para as competições que tardam em recomeçar. Na verdade por estes dias o calendário futebolístico inicia-se cada vez mais cedo, um fenómeno que também vem acontecendo com o ano lectivo que roubou o mês de Setembro aos nossos miúdos que nem sonham como era ocioso e estruturante o longo Verão dos seus pais. Este ano o Campeonato Nacional que modernamente se chama “Liga” (os portugueses são peritos em mudar os nomes às coisas convencidos que dessa forma as mudam) começa na primeira semana de Agosto, entrando pelas nossas férias adentro, quando os adeptos deviam estar, não nas bancadas dos estádios, mas à beira-mar a ler preguiçosamente novidades sobre reforços milagrosos e as tácticas inexpugnáveis que dizimarão os adversários, atrasando a leitura do clássico que estava prometida para estas férias. 

Mas a verdadeira e grande novidade da época futebolística que se avizinha é sem dúvida o vídeo-árbitro. Este novo actor, mais do que revolucionar o futebol que passará a ter mais uma ou outra paragem inócua, que estou convencido trará mais justiça e transparência à disputa, acima de tudo promete incendiar ainda mais a indústria do comentário futebolístico em grande expansão nos canais da televisão por cabo. A coisa promete, pela simples razão de que muitas das decisões dos árbitros, mesmo com a ajuda do vídeo, continuarão a ser subjectivas e falíveis, dependendo da perspectiva (da cor da camisola) do observador: o milímetro a mais ou a menos do fora de jogo indefinido, a bola na mão ou a mão na bola dentro da grande área - ou a milímetros do seu limite; já para não falar da apreciação à intensidade do contacto do defesa que derruba – ou não - o atacante e da (in)justiça do consequente castigo máximo. Com a agravante das decisões de agora em diante provirem de uma análise ponderada. Por isso não vão faltar teorias da conspiração e toda a sorte de condenações e pressões sobre… o vídeo-árbitro. Se é previsível que o uso das tecnologias irá beneficiar a justeza das decisões em campo e o futebol atacante em geral, o vídeo-árbitro passará ele próprio a ser mais um inevitável protagonista do espectáculo, condenado umas vezes, exaltado outras tantas, em debates insanos por essas televisões afora.
Pela parte que me toca, continuarei a privilegiar o espectáculo do futebol dentro das quatro linhas, onde ele possui uma inegável e entusiasmante beleza. O seu prolongamento será feito à maneira antiga, ao vivo e com alma, à boa conversa ao balcão do café com os vizinhos, ou com os amigos numa aprazível esplanada. Venha daí então o campeonato que desta vez é que vamos ganhar.

 

Publicado originalmente por simpático convite no blogue Delito de Opinião

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por João Távora às 13:13

Quinta-feira, 27.07.17

Praia

Submerso em ociosa leitura no areal ardente de sal e de sol, ao som do estalar das ondas e das vozes das crianças exaltadas em volta de um dique esfalfado que não trava a maré, assalta- me a dúvida estremeço de inquietação...

Será que a senhora das bolas de Berlim volta a passar aqui?

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por João Távora às 18:02

Segunda-feira, 17.07.17

O inalienável direito ao entretenimento e à leviandade

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Neste artigo publicado na semana passada no jornal i sobre  abandono da religião pelos millennials (a geração que atinge a idade adulta no novo milénio, agora entre os vinte e os trinta anos), o fenómeno é justificado num destaque como tendo origem no acesso a mais informação por essas novas gerações. Sem querer contrariar aquilo que me parece ser uma evidência, o declínio da religiosidade na Europa e em Portugal, atribuo as causas disso mais à decadência do próprio Ocidente do que à proclamada "facilidade de acesso ao conhecimento", que me parece um mito - o verdadeiro "conhecimento" é por natureza difícil de aceder e equacionar. Pretender que a prática religiosa é proporcional à ignorância (ou à falta de informação) parece-me um equívoco recorrente e pouco inocente. Para tanto basta verificar como ao longo dos tempos o conhecimento conviveu pacificamente com a religiosidade de boa parte das elites culturais. Não me parece intelectualmente honesto afirmar que Santo Agostinho, Bacon, Burke, Dostoiévski, Kierkegaard, Pascal, Scruton, Galileu Galilei, C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien ou Chesterton fossem pessoas pouco informadas. Ou que dizer do poeta Ruy Belo, da escritora Agustina Bessa Luís, ou dos recém-convertidos ao catolicismo, o encenador Luís Miguel Cintra ou a jornalista Clara Ferreira Alves? A verdade é que chegados aos nossos dias a religiosidade apresenta-se frequentemente parceira da erudição. Era Afonso Costa que afirmava acreditar que a prática religiosa se extinguiria numa geração informada"? A perda de religiosidade dos povos europeus pode ter diversas causas, mais ou menos directas, mas nenhuma estará ligada ao acrescimo de “conhecimento”. Atrevo-me a afirmar, "antes pelo contrário". Qual será afinal a origem da perda de exigência filosófica, num mais profundo questionamento existencial por parte das novas gerações? Não será o inalienável direito ao entretenimento e à leviandade? 

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por João Távora às 19:14

Terça-feira, 11.07.17

O horror feito belo

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O Meças, de José Rentes de Carvalho trata-se em minha opinião de uma obra de uma beleza superior, na forma encontrada – sublime, diga-se - para descrever os meandros mais obscuros da condição humana. Para mim, essa narração encontra o seu cúmulo no capítulo em que o Meças, do interior do seu predilecto Mercedes observa uma família feliz a fazer um picnic ruminando um ódio explosivo, emergente da conjugação desordenada dum cocktail de sentimentos chamados de “baixos”. Ou de como afinal o leitor “inocente” possuí a intuição natural de descodificar tamanha malvadez, e assim embalar numa inquietante tensão que se nos cola do principio ao final da novela. Há no Meças um mergulho profundo nos interstícios de uma mente perturbada, do potencial de violência que um individuo pode (não) conter. Tão plausível quanto o retrato dum café incaracterístico de província. Ou de diferentes misérias contrastantes, como o caso da figura flacidamente vulgar e cândida do filho do Meças.

E terminamos esta leitura densa com a sensação de termos assimilado um quadro próximo do perfeito, assim sendo do Belo. Há uma mestria sublime de Rentes de Carvalho na construção frásica, na utilização da palavra e da tensão que ela gera. Em que cada palavra é escolhida para a construção dum sentido próprio, uma coloração, uma textura, uma sonoridade meticulosa que nos revela cada poro que dá forma a um retrato profundamente humano da gente com que nos arriscamos cruzar nos abismos de nós próprios. Pois que se assim não fosse toda a leitura resultaria num nonsense.

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por João Távora às 18:24

Quinta-feira, 06.07.17

Resistência monárquica - uma longa história

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Às voltas com as biografias de Gonçalo Ribeiro Telles e Henrique Barrilaro Ruas, deparo-me com este cartaz da Comissão Eleitoral Monárquica, fundada por Henrique Barrilaro Ruas na sequência da chamada "primavera marcelista", concorrente às eleições de 1969 em que terá obtido "uma votação demasiado expressiva que o regime não podia tolerar". A este movimento sucederá em 1971 a Convergência Monárquica que reunia os militantes dos vários grupos existentes (e como é difícil conciliar monárquicos!). Como curiosidade registe-se que em 1973 os organizadores do 3º Congresso da Oposição Republicana em Aveiro concederam alterar o nome do evento para Congresso da Oposição Democrática para acolher uma delegação desta organização monárquica.

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por João Távora às 17:48

Segunda-feira, 03.07.17

Medina Carreira

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Com a morte de Medina Carreira perde-se uma voz incómoda e insubmissa, que contracorrente abordava a realidade sem paninhos quentes, discurso antagónico ao destes novos tempos dos afectos, reversões e abracinhos. O lamaçal permanece debaixo dos nossos pés, não vamos enganados e por isso nunca saberemos agradecer-lhe. Deus o tenha na Sua eterna Glória.

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por João Távora às 22:00

Quarta-feira, 28.06.17

Lançamento de “Os apelidos portugueses - Um panorama histórico” de Carlos Bobone

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A notícia de que o Carlos Bobone decidiu partilhar um pouco da sua imensa erudição e conhecimento em forma de Livro é para mim, seu amigo de longa data, uma das grandes notícias do ano.

Tendo tido eu o privilégio de o acompanhar no projecto do Centenário da República que durante 3 anos foi dinamizado com muitos dos seus ensaios e crónicas com vista à desconstrução da propaganda nas celebrações da revolução de 1910, fui testemunha da preocupação do Carlos, não em exibir a sua imensa sabedoria, mas com o cuidado de imprimir uma grande clareza nos seus textos, sempre com a tónica assente nas singularidades que dão colorido à informação, sem jamais comprometer um sério compromisso com a verdade, sempre complexa, como bem sabemos. Estes são sinais que alimentam a minha curiosidade a respeito do seu livro “Os apelidos portugueses - Um panorama histórico” a ser lançado amanhã 5ª feira às 18,00hs no Salão Nobre do Palácio da Independência, na certeza de que se trata de uma obra de grande exigência intelectual e científica, digna de um distinto historiador.

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por João Távora às 16:18

Quinta-feira, 22.06.17

Comunicado da Casa Real Portuguesa

O Senhor Dom Duarte Pio enviou de Dili um comunicado a propósito da tragédia de Pedrógão Grande cuja divulgação e partilha me parece de grande pertinência:

 

armas reais.jpg

 Comunicado

 

Em visita de trabalho ao interior de Timor-Leste, só tardiamente tive conhecimento dos incêndios que destruíram tantas vidas e bens na região de Leiria. Com a minha Família peço a Deus que acompanhe as Almas das vítimas e dê esperança aos sobreviventes.
Mas depois da ajuda imediata a quem precisa, teremos que tomar, com conhecimento científico e coragem política, as medidas necessárias para combater eficazmente estas tragédias que todos os anos atingem as populações e destroem as nossas florestas.
Há anos que são conhecidas as causas e as soluções, mas as medidas de fundo não são aplicadas...
O combate continua a ser heroicamente conduzido pelas nossas Corporações de Bombeiros, enquanto a maioria se lamenta mas não atua.
Temos a obrigação de agir já, com iniciativas cívicas e políticas, práticas e eficientes.
É preciso convencer os Governantes, por nós eleitos, a acabar com este estado de desordem do território e de abandono do mundo rural, bem como de frequente impunidade dos criminosos.
Nós somos capazes de grandes feitos perante situações dramáticas; desta vez a morte e sofrimento de tanta gente não pode ser em vão!

 

Dom Duarte de Bragança
Dili, 18 de Junho de 2017

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por João Távora às 10:40

Quarta-feira, 21.06.17

Dito de forma simples: é uma vergonha um país que deixa morrer 64 pessoas num incêndio florestal

Na sua entrevista à TVI, o cândido do António Costa - cujo governo tinha apontado "zero mortes" como principal objectivo do Dispositivo Especial de Combate a incêndios - além de afirmar-se convicto de que tudo decorreu regulamente na gestão da tragédia de Pedrógão Grande e que a sua ministra é apenas uma vítima do duro cargo que exerce, disse sem se rir, que não se pode exigir que se faça em pouIos dias aquilo que não se fez em décadas, como se ele não estivesse tido um papel político preponderante nessas décadas, desde logo ministro Estado e da Administração Interna do governo Sócrates. Nem que seja por isso exige-se-lhe um pouco de pudor.

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por João Távora às 13:34

Segunda-feira, 19.06.17

Algumas notas sobre a tragédia de Pedrógão Grande

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1. O registo emocional em que muita gente prefere permanecer no que à tragédia de Pedrógão Grande diz respeito não é  bom conselheiro: sabemos bem que mais fácil é arranjar um bode expiatório, um alcoólico incendiário para cima de quem canalizar a fúria e a indignação, mas isso não serve para nada – não alivia a dor dos vivos nem ressuscita as vidas tombadas. 

2. Dar ênfase à questão da ignição que deu origem ao fogo, se foi um raio ou um maluquinho, é uma forma de evitar a questão principal, que é a de perceber porque é que Portugal é campeão em fogos florestais para que - de uma vez por todas - se concentrem as políticas na prevenção, promovendo reformas para um ordenamento do território de acordo com o clima que nos coube em sorte.

 

3. “Hoje, através da actuação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, verificamos uma enorme evolução em termos da segurança da população e da salvaguarda do património, com melhorias significativas em termos de capacidade de resposta operacional, mas também com o necessário aprofundamento das políticas de prevenção, investindo-se no planeamento de emergência, na minimização de riscos e nos sistemas de alerta e de aviso às populações.” Estas palavras eram proferidas pela ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa em Março do Ano passado por ocasião do 15º aniversário da Tragédia de Entre-os-Rios. Passado pouco mais de um ano, esse "país das maravilhas" não resistiu à realidade das coisas. 

 

4. Numa democracia avançada todos os factos de uma tragédia desta envergadura têm de ser escrutinados e tiradas as consequências, não é preciso esperar três dias para se questionar tudo o que houver para questionar. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos? Como bem refere aqui o nosso Henrique Pereira dos Santos, “Aquilo a que na maior parte das vezes se chama “imprevisibilidade” em matéria de fogos é, na verdade, ignorância. Uma das armas mais letais que existem.

 

5. A par da assinalável mobilização da sociedade civil no apoio material às populações afectadas pela tragédia e aos bombeiros acredito na importância da oração. As minhas orações por estes dias vão para as vítimas e para as famílias enlutadas.

 

Fotografia - Observador

 

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por João Távora às 15:18

Quinta-feira, 15.06.17

Triste destino, trágico fado

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Pensar que é só no futebol que se estabelecem relações promiscuas e tráficos de influências para obtenção de vantagens evitando as regras e os canais institucionalizados seria uma ingenuidade. Para já, a reversão de 50% do capital da TAP para o Estado permite a distribuição de mais uns cargos pelos amigos do regime, e a família de Carlos César é apenas a ponta do iceberg de uma cultura de paternalismo e dependência de que não nos conseguimos libertar. O chico-espertismo perpassa de geração em geração. Por isso adjectiva-se a ética de “republicana”: é uma ética esvaziada, dependente e servil, condicionada pela casta que dela se apropriou e se perpetua na orla do poder, com a mão na malga para sorver do grande tacho, qual caricatura do antigo Rafael Bordalo Pinheiro.  Neste Portugal eternamente socialista pouco valor terá o mérito, o engenho e a iniciativa que estão condenados a ser vistos pelos olhos mesquinhos da inveja e do cobrador de impostos. Afinal a glória tem sempre um atalho, é alcançável com um mero telefonema ou um email dirigido à pessoa certa. Com as relações certas. Por isso estamos condenados à pobreza e à pedinchice. Triste destino, trágico fado o nosso.

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por João Távora às 17:17




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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