Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

João Távora



Segunda-feira, 30.07.07

Férias I

Férias é largar a quadricula dos rituais utilitários,
E improvisar novas rotinas.
Férias é gradualmente desregular os horários.
E ficar na praia até às nove da noite.
Férias é preguiçar longamente a ler o jornal...
até o obituário se encher de areia.
Férias é jogar à rabia na maré vazia...
Até estourar humilhado pela rapaziada nova.
Férias é dar lastro às crianças,
... e a chave de casa aos mais velhos.
Férias é tempo de conhecê-las melhor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por João Távora às 15:31

Domingo, 29.07.07

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 11,1-13

Naquele tempo, estava Jesus em oração em certo lugar. Ao terminar, disse-Lhe um dos discípulos: «Senhor, ensina-nos a orar, como João Baptista ensinou também os seus discípulos». Disse-lhes Jesus: «Quando orardes, dizei: ‘Pai, santificado seja o vosso nome; venha o vosso reino; dai-nos em cada dia o pão da nossa subsistência; perdoai-nos os nossos pecados, porque também nós perdoamos a todo aquele que nos ofende; e não nos deixeis cair em tentação’».
Disse-lhes ainda:
«Se algum de vós tiver um amigo, poderá ter de ir a sua casa à meia-noite, para lhe dizer: ‘Amigo, empresta-me três pães, porque chegou de viagem um dos meus amigos e não tenho nada para lhe dar’. Ele poderá responder lá de dentro: ‘Não me incomodes; a porta está fechada, eu e os meus filhos estamos deitados e não posso levantar-me para te dar os pães’. Eu vos digo: Se ele não se levantar por ser amigo, ao menos, por causa da sua insistência, levantar-se-á para lhe dar tudo aquilo de que precisa.Também vos digo: Pedi e dar-se-vos-á; procurai e encontrareis; batei à porta e abrir-se-vos-á. Porque quem pede recebe; quem procura encontra e a quem bate à porta, abrir-se-á. Se um de vós for pai e um filho lhe pedir peixe, em vez de peixe dar-lhe-á uma serpente? E se lhe pedir um ovo, dar-lhe-á um escorpião? Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem!».

Da Bíblia Sagrada

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 17:42

Sexta-feira, 27.07.07

A banhos

Amanhã pela manhã a “família pipocas” parte rumo ao Sudoeste para umas merecidas férias. Um ritual incontornável, indispensável. Malas feitas, gás desligado, trancas na porta, todos na carrinha, alguma excitação: um choro aqui, um ralhete ali, todos na carrinha, todos ao caminho. Uma pequena temporada de Sol, roupa lavada e comida feita. Uns dias de indolência, livros, jornais e muita praia, muito mar. Gelados, sandwiches e bolas de Berlim também. E como é próprio da estação e dos “ares”, os miúdos aproveitarão para crescer. Em tamanho e (espera-se) em graça. Novidade é que desta vez levo computador, já que arranjei uma impecável Internet portátil. Hasta la vista!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por João Távora às 17:54

Quinta-feira, 26.07.07

Festas e romarias

Como o João Gonçalves, até compreendo que se podia recuperar o dia 24 de Julho para o calendário de festas do regime, como sugere Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro. A malta gosta de festas e feriados, e para estímulo nacional há que alimentar alguns mitos. Mas aqui entre nós, que ninguém nos oiça, o que festejamos no 5 de Outubro? Além da ditadura “democrática” que pôs o país num caos e da “bandeira de pretos”, como dizia o republicano Guerra Junqueiro, que razão temos para fazer festa? O voto das mulheres? Eleições livres? Liberalismo económico? Liberdade de imprensa? Liberdade de culto? Mais ensino? Paz social? Tolerância nos costumes?
Sobre o assunto, desafio Medeiros Ferreira, por quem nutro uma simpatia "empírica", a dar-nos uma resposta intelectualmente honesta e historicamente fundamentada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 22:31

Quinta-feira, 26.07.07

Um dia não são dias...

Hoje ninguém escreve nada? Devem estar todos a trabalhar muito para compensar as ondas de choque do grande almoço de Verão do Corta-fitas, logo à tarde. Da animada cavaqueira, e da saborosa cataplana bem regada, obteremos por certo as mais perspicazes teorias em prol da harmonia universal. Trabalhar à tarde é que vai ser mais difícil.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 11:50

Quarta-feira, 25.07.07

Às páginas tantas...

Ao contrário do que se possa pensar não sou um puritano, muito menos um moralista. Mulheres bonitas, maminhas, rabos e pernocas, quando justificadas pelo seu contexto, são graças com as quais convivo prazenteiramente, na medida possível a um comprometido marido e chefe de família.
Vem isto a (des)propósito das secções de classificados, “de RELAX” publicadas nalguns jornais chamados “de referência”. De há uns tempos para cá, estas páginas têm-se progressivamente transformado numa obscena montra da miséria humana, um profusamente ilustrado catálogo de prostituição. A diversidade de órgãos e membros femininos expostos é inúmera e a cores. A carne exposta como no talho.
Se bem me lembro, este tipo de publicidade surge ciclicamente como uma praga (lembram-se da publicidade às chamadas de valor acrescentado?) em resposta a um anónimo e vasto mercado de frustrados sexuais.
Por ora, aguarda-se que o legislador acorde um dia destes e decrete a regulação desta emergente(?) oferta publicitária. Até ver. Entretanto, é melhor preparar uma explicação de “bom gosto” para dar às minhas criancinhas, quando um dia destes, às páginas tantas, encontrarem os deprimentes anúncios ilustrados num qualquer diário generalista... de referência.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 15:33

Terça-feira, 24.07.07

Show Business

Antigamente, bem ensinados, levavam-nos de autocarro e vestidinhos de branco para o Estádio Nacional. Para venerar o regime. Agora, paga-se a uma agencia de comunicação, ou de casting e cria-se o “acontecimento à medida. Sinal dos tempos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 10:46

Terça-feira, 24.07.07

Liberdade e má conduta

Caro Pedro Sales

A respeito do seu acintoso texto que me mereceu a maior atenção, permita-me três observações:

1 - Na minha modesta opinião, as caricaturas a Maomé foram um nítido abuso da liberdade de expressão. Coisa de gente malcriada e blasé, de quem herdou a liberdade sem esforço, para quem a paz e a sopa na mesa é um dado adquirido.
2 – Não percebo com que sentido é que o Pedro mistura homossexuais com republicanos ou monárquicos. Há-os com certeza proporcionalmente nas duas facções politicas. Volto a afirmar que não julgo ninguém pelas suas inclinações sexuais. (Confesso que em termos meramente abstractos me irrita um pouco a imagem do republicano à antiga, todo engomado, de bigode e chapéu, mas isso passa depressa com um “passou bem”).
3 – Finalmente, acredito que a liberdade de expressão é um bem demasiado precioso, e por tal devemo-nos sempre indignar quando são cometidos abusos. Nada mais.

Com consideração,

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 10:22

Domingo, 22.07.07

Libertinagens de conveniência

Eu por mim até já estou calejado. Em nome da sacro-santa liberdade de expressão alheia, desde sempre e sob o patrocínio do regime, testemunhei conformado, nos media, às mais impunes e gratuitas provocações à minha fé e outras causas desalinhadas. E diz-me a experiência que qualquer reacção piora sempre as coisas, é melhor nem ligar. Há muito que conheço o valor da minha liberdade em confronto com a das vozes do regime. Mas com o tempo ganhei imunidade e indiferença. Valem-me as minhas convicções, e também o exemplo de Cristo.
Vem isto a propósito do caso das infames caricaturas dos Príncipes Filipe e Letícia publicadas em Espanha. E não é que a fecunda liberdade de expressão de nuestros hermanos comoveu desde logo alguns nossos tolerantes e laicos republicanos? Foi o caso de Ferreira Fernandes com a sua ironia ao lado de quem, no mesmo DN, o caricaturista porno Vilhena (sem link) quase se revela um sensível conservador.
Mas cá no quintal só se promove a respeitabilidade num sentido: o devido aos senhores do regime e seus venerandos símbolos. Experimentem só xingar da bandeira da república, ou gozar com a licenciatura do nosso primeiro ministro...
De resto, imagine-se a indignação da "inteligenzia regimental", se uma perversa publicação doméstica parodiasse os nossos estimados Aníbal e Maria naqueles realíssimos preparos... Não tinha mesmo graça nenhuma, pois não?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 22:10

Domingo, 22.07.07

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 10, 38-42

Naquele tempo, Jesus entrou em certa povoação e uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa. Ela tinha uma irmã chamada Maria, que, sentada aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Entretanto, Marta atarefava-se com muito serviço. Interveio então e disse: «Senhor, não Te importas que minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe que venha ajudar-me». O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e preocupada com muitas coisas, quando uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada».

Da Bíblia Sagrada

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 14:00

Sexta-feira, 20.07.07

Perigosas seduções

(...) Acenam os traidores iberistas com o dinheiro, o "bem-estar" e outras tentadoras ofertas de riqueza sem esforço, pensando tolamente que os espanhóis pagariam o atraso, a desorganização e o chupismo proverbial das nossas elites desmioladas. A dar-se a união, essa seria duplamente penalizadora. Os vestígios da soberania passariam de Lisboa para Madrid, a elite portuguesa reduzir-se-ia a elite regional, sem capacidade para agir em conglomerado na defesa das suas parentelas, clientelas e conhecido tráfico de influências. Por outro lado, o Estado central tudo faria para reconstruir a memória colectiva, fragmentando-a em localismos exóticos em constante luta. (...)

Ler tudo: Miguel Castelo Branco - Combustões

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 15:32

Quinta-feira, 19.07.07

Uma escrita feliz

Nalguns comentários aos meus modestos escritos mais “intimistas” aqui no Corta-Fitas, fui encontrando reacções adversas à minha “irritante” escrita “feliz”. Essas críticas acusavam-me de uma visão parcial, ou enviesadamente superficial da realidade. Uns comentários apaguei, outros não; mas até julgo entender bem essa má vontade: a herança do velho pessimismo romântico gerou uma ditadura estética, muito difícil de contornar. A descrença, o sarcasmo e a ironia são motes totalitários dos quais poucos autores escaparam com vida. De facto, “dizer bem” nos dias que correm é difícil, não vende. E no fundo podemos sempre desconstruir uma atitude nobre, um bom sentimento, decompô-lo em partes mesquinhas de modo a não comprometer os parâmetros. No outro extremo, a aberração, o grotesco, garante o sucesso do espectáculo, e relativiza a mediocridade estabelecida.
Em minha defesa, salva-me a mediania da minha escrita, a despretensão da minha existência. Ironicamente, as minhas obvias limitações literárias libertam-me de quaisquer desses deveres ou compromissos estéticos: uso a escrita por motivos profissionais, e estou nos blogues por mero divertimento.
Influenciável, durante a minha prolongada adolescência, empenhadamente alimentei a descrença e a melancolia. Mergulhado nos neuróticos fluidos rosados dos anos 70, durante muito tempo não dispensava a choraminguice de Roger Waters, os murmúrios alucinados de Lou Reed, os selváticos esgares de Patty Smith, ou uma triste balada de Nick Cave. Isso é que era cool. O Homem era mau, a guerra fria condenara-nos a todos, e a culpa era toda do pai. E o fim do mundo era já amanhã, facto que desde logo resolvia tudo. Entretanto ia bebendo da mais negra literatura, de génios como Capote, Camus, Steinbeck ou Malraux até quase perder o pé naquela escuridão. Não havia revolução, não havia resolução, antes uma natureza sem sentido. Existencialmente irrequieto, um dia deixei-me ir ao fundo do meu umbigo - o sítio mais desinteressante do universo. Quando voltei, muito mais tarde, cheguei diferente.
Porque não temos que ser obrigatoriamente infelizes. E porque a depressão é uma luxuosa patologia burguesa. O maior dos egoísmos, um enorme enfado.
Hoje, não tenho grande pachorra para o narcísico pessimismo militante. Tal e qual como a oposta euforia, ambas são perspectivas extremas da realidade, no mínimo inverosímeis. Entendo muito bem o potencial romanesco dum carácter misantropo, amargurado, bipolar. É a adrenalina de caminhar no arame, sobre o vazio, sempre pleno... de angustiadas emoções. Bem jogado, com algum charme, pode ser bom para o engate, um manancial de sedução. Assim se construíram muitos mitos e venerados ídolos do século XX. E depois, o pessoal acasala melhor enroscado, assim, cúmplice contra o mundo, românticas vitimas dos outros... sempre “dos outros”, num opaco limbo irreal.
De facto, a minha vida não produz um romance, não tem heróis ou moinhos de vento. Responsável pelas minhas escolhas, vivo numa família grande e agitada, filhos e enteados, que me fazem a vida negra ou me encantam até aos píncaros. É uma vida normal, um empenhado projecto de compromissos e fidelidade, premissas hoje tão mal vistas e pouco excitantes. Mas este é já um amor quase antigo, construído de rituais e de quotidiano, tantas vezes monótono e feito de acontecimentos singelos. Com os miúdos, os tachos, os sogros, a mobília... e tantos ruídos já tão familiares. Como quando o pequenote, de olhos esbugalhados, se encontra a primeira vez com o mar a seus pés. Ou quando, ensonado a meio da noite, encontro o olhar pisco e sereno do meu amor, sentado ali com o bebé ao colo... seguro. Imagens bonitas onde tudo ganha outro sentido. Um significado ainda maior. Estados de Graça que eu gosto de registar, para nunca esquecer.
.
Um agradecimento especial ao Jorge Lima, ele sabe porquê.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 16:54

Terça-feira, 17.07.07

Tributo

Lisboa, Campo d'Ourique
Clique para aumentar

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

por João Távora às 19:59

Terça-feira, 17.07.07

O regime em queda livre

Isto agora não interessa nada, mas aqui entre nós, a vertigem dos apaniguados do regime tornou-se delirante. Foi o que se viu com os despudorados festejos do Partido, que apesar dos dois terços de abstenção em Lisboa festejou a vitória do Dr. Costa com uma manifestação encenada por uns quaisquer figurantes recrutados noutras paragens. Sem verdade, sem vergonha. A credibilidade é nula, e o desprezo do país pelas instituições medra, medra... como o egoísmo e a irresponsabilidade. O exemplo vem de cima.
Por mim, também não festejo este lento e progressivo desmantelamento dos mitos da República, que de caminho vulgariza valores fundamentais como os da Liberdade e da Democracia. O meu ardente desejo é que a politica se centre em ideais e nos valores da ética e do serviço à Pátria. Esta é a única maneira de relançar da auto-estima nacional, e calar os Saramagos, mercenários e outros “devoristas” da nossa praça. A prazo essa é a única fórmula eficaz de preservação da nossa estimada liberdade. Portugal anseia por Heróis, para que a história nunca acabe. E os partidos na oposição têm por certo mais uma oportunidade.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 12:02

Segunda-feira, 16.07.07

A democracia e o mercado

Discordo profundamente desta perspectiva liberal de que a prática da cidadania se insere numa mera lógica de “oferta e procura” estimulada (ou não) pelos políticos da circunstância. Por tudo o que se joga, estes não podem ser comparados à “companhia de teatro" que não consegue seduzir os espectadores à sua plateia, como refere Pedro Lomba na sua crónica de hoje no Diário de Notícias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 12:10


Pág. 1/3




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Instagram

Instagram

calendário

Julho 2007

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031