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João Távora



Sexta-feira, 31.08.07

New age

O moderníssimo aparelho do meu carro lê os CDs em MP3. Neste “formato” cabem quase vinte álbuns num simples CD de 700 megas. A fartura é tanta que o pobre desconfia. Com o ouvido atento, apercebo-me como o processo de compactação digital nos defrauda, prescindindo de tantos “bites e baites”, aparentemente redundantes. Ou eliminando os sons considerados inaudíveis ao ouvido "comum". Confesso que aquele som, redondo e de plástico, ao princípio até soa agradável. Mas ficamos com a ausência da alma, dos sombreados, dos degradés e das texturas mais subtis da peça. Desvanece-se a profundidade e o relevo, a coloração sonora impressa pelo espaço, pela sala ou pelo estúdio e os seus materiais.
Chegado a casa, cedo à urgência: ligo o amplificador, ponho a rodar o gira-discos, fecho a porta, ajusto o volume, ponho cuidadosamente o vinil a reproduzir o órgão de Tom Koopman, tocando a Tocata e Fuga BWV 565 de Bach. Respiro profundamente e deixo-me ir.
Infelizes os satisfeitos com o que os seus humanos e precários sentidos alcançam. Vendo pouco e crendo pouco. Conformados. Tantas vezes cínicos.

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por João Távora às 23:54

Sexta-feira, 31.08.07

Pretéritas Sextas (II)

Laura Elliott... Porque sim.

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por João Távora às 13:31

Quarta-feira, 29.08.07

A ameaça

Os incêndios no Peloponeso, a que pela TV assistimos atónitos do sofá, devem preocupar-nos profundamente. Apesar daquela estranha língua, os protagonistas, a acção e os cenários são-nos demasiado familiares. Depois, suspeito que aquela catástrofe não ocorre em Portugal apenas por mero circunstancialismo meteorológico. Quando, perante a estatística dos incêndios em Portugal este Verão, as autoridades se vangloriam da eficiência alcançada, fico desconfiado. É fácil atirar “postas de pescada” quando as circunstâncias são favoráveis, e manda a prudência um pouco de modéstia. Que a floresta, quando arde, chamusca qualquer governo.

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por João Távora às 12:32

Terça-feira, 28.08.07

O Sporting em 1º

Depois não nos digam que não avisámos: o inquérito dos palpites prá bola aí na barra lateral, ao fim de quatro dias, já leva 157 votos e o Sporting vai destacado. E sabem porquê? Porque aquele voto se pode renovar diariamente. Trata-se de um autêntico campeonato virtual e interactivo. Tecnologia limpa, sem o patrocínio do Simplex ou ajudas de Bruxelas.
Tudo isto são razões suficientes para que o estimado leitor diariamente, depois do café da manhã, volte ao Corta-fitas, nem que seja só para deixar um votozinho no clube da sua preferência.
A ver quem ganha.

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por João Távora às 14:44

Terça-feira, 28.08.07

Impressões Musicais (13)

The Carpet Crawlers
by Genesis

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por João Távora às 12:51

Domingo, 26.08.07

Tomando sempre novas qualidades...

A maior "revolução" operada na sociedade contemporânea, subtil e orgânica, é aquela que aconteceu à relação entre o pai e os seus filhos. Mais até do que as conquistas femininas, de lugares nos estádios ou em promissoras carreiras.
Apercebo-me hoje que o meu pai ainda esboçou uns tímidos esforços, desajeitadas tentativas de intimidade, inspiradas nos inevitáveis sinais de mudança. Mas a rigidez dos "papéis" estava-lhe demasiado impregnada. Assim como aquela solidão.
A maior "revolução" dos tempos modernos é a revelação da plena paternidade. Hoje, conhecemo-nos cedo, com a ajuda da pele e de uma orgânica cumplicidade. Com muitas canções, lenga-lengas, banhos de banheira, de mar e de mundo. Depois de tudo isto, que venha a vida toda, com os seus anunciados terrores e tempestades. Seremos mais fortes, por certo, o que já não é pouco.

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por João Távora às 19:42

Domingo, 26.08.07

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 13, 22-30

Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Ele respondeu: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. Hão-de vir do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».

Da Bíblia Sagrada

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por João Távora às 16:04

Sexta-feira, 24.08.07

Na barra lateral...

Reparou por certo o estimado leitor que substituímos o inquérito sobre a disputa da liderança do PSD barra lateral. Sobre o resultado do mesmo, o Francisco Almeida Leite nos obsequiará em breve com o seu comentário aos resultados finais.
Agora, o novo questionário refere-se ao outro mediático circo, desta feita o lúdico campeonato de futebol que tanta paixão irradia, que com tanta discussão nos anima a cada época. Para o bem e para o mal, "a bola" marca inevitavelmente o nosso calendário, quer se goste quer não. Eu sou dos que alinham, dos que o consomem, sem complexos. Já a politica, é diferente, consome-me a mim.

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por João Távora às 15:27

Sexta-feira, 24.08.07

Pretéritas Sextas (I)

Grace Kelly

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por João Távora às 10:06

Quinta-feira, 23.08.07

História de algibeira (27)


A Lapa, bairro “pombalino” hoje no centro de Lisboa, desenvolveu-se após o terramoto de 1755 na sequência do loteamento dos terrenos adjacentes ao Convento das Trinas. Para as suas ruas veio a recuperar-se a toponímia da antiga e arruinada baixa lisboeta. Nos seus limites, e enquanto se desenvolve este dinâmico pólo urbano, em 1763, é construída no espaço hoje ocupado pelo Jardim da Estrela, uma praça de touros. Dezasseis anos depois iniciam-se nos terrenos adjacentes as obras de construção da Basílica da Estrela (na imagem, daqui).

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por João Távora às 22:41

Terça-feira, 21.08.07

A barbearia

Quando era pequeno, ir à barbearia do bairro era um ritual da minha masculinidade. Nem sempre voluntário, mas periodicamente inevitável, quando a juvenil guedelha hirsuta assim o exigia. Ao princípio ia com a minha mãe, que me entregava aos cirúrgicos cuidados do barbeiro e logo saía apressada, talvez pouco à vontade, talvez para fazer outras coisas úteis. Percebo perfeitamente, pois eu também não me sentia bem no território feminino, quando infortunadamente era obrigado a acompanhar a minha Avó ao cabeleireiro Brito & Brito, na Avenida da Liberdade. Eram momentos de sufocante opressão, com a ideia clara de que era um intruso naquele ambiente assexuado a cheirar a laca e a verniz. Espantavam-me aqueles estranhos capacetes espaciais, com as circunspectas senhoras debaixo, de dedos em riste pintados de fresco. Eram todos aqueles rolos, papelotes e turbantes na cabeça que me deixavam verdadeiramente intimidado, estarrecido.
O que me lembro do meu barbeiro ali na Rua Almeida e Sousa em Campo d’Ourique, era das suas mãos lavadas e relógio dourado no pulso. Sempre de impecável bata branca e de conversa fácil, com os seus dedos duros e frios a endireitarem firmemente a minha cabeça fugidia. Lembro-me das pinceladas de sabão morno, e do raspar da navalha afiada na nuca e nas patilhas inexistentes. Era parte dos procedimentos. Lembro-me do fatal calendário de “garagem” com uma loira bem curvada, do horário e dos diplomas emoldurados. Também sobressaiam, ao lado dos grandes espelhos, umas fotografias a preto-e-branco de garbosas e antiquadas cabeleiras, bem penteadas com Bel Hair ou Restaurador Olex. Fascinavam-me também os pesados cadeirões em ferro pintado, onde me sentava soerguido num caixote “adaptador” para as crianças pequenas. E do estofo de cabedal redondo, que com duas espanadelas, se virava do avesso para assento do cliente seguinte. Naquele pequeno espaço, os homens comentavam as banalidades da política e do futebol, ao som do Rádio Clube, com as tesouras sempre a cortar, a cortar, em golpes ritmados, tchic, tchic, tchic, tchic. Depois, vinha aquela pergunta redentora: “o cabelinho é para molhar?” Finalmente o sacrifício acabava, era tempo de voltar para as brincadeiras, para casa ou para a praceta, com os cabelos caídos a picar nas costas.
Um dia destes, aburguesado e imprudente com as pressas, descobri perto do escritório um moderníssimo Cabeleireiro de Homens, cheio de paninhos quentes e inauditas mordomias. Surpreendi-me logo com o pretensioso recepcionista, de modos efeminados, casaco fantasia e gravata Disney que confirmava a marcação. Sentado na sala de espera, procurei em vão literatura apropriada, o Record ou o Correio da Manhã para me entreter. Só descobri as brochuras dos milagrosos produtos capilares. Logo uma menina, de rabo bamboleante, se abeirou de mim perguntando-me se eu queria arranjar as unhas... Eu, arranjar as unhas?!? Notei também as conversas dum cliente com a manicura, talvez um bem sucedido gestor de Import - Export, que me soou excessivamente íntima. O homem emitia confiantes e bombásticas opiniões, sobre a política e as finanças “de cordel”. Quando, de cabelos lavados, cheguei às mãos da decotada cabeleireira, balbuciei que não queria modernices, o que a deixou visivelmente contrafeita. Depois, veio uma jovem estagiária oferecer uma massagem capilar... e um café. No final paguei 25.00€. Nunca me saiu tão cara uma bica...
Duas semanas depois, quando o cabelo mal cortado definitivamente não assentava mais, decidi-me a visitar o velho e fiel barbeiro aqui de S. João do Estoril. Decidi-me a perder uma manhã de Sábado a ler o Record e o Correio da Manhã, e cortar o cabelo como deve ser. Ouvindo o Jogo da Mala e o Bola Branca em ondas médias, sem paninhos quentes ou embaraçosas mordomias. Afinal um conservador é um conservador.

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por João Távora às 00:06

Domingo, 19.08.07

O poder na rua II

Fico atónito com as irresponsáveis declarações de Miguel Portas na última página do DN de hoje, relativizando e justificando o acto de vandalismo de Silves na passada sexta-feira. Pergunto-me se esse senhor, que é bom de ver, milita no Bloco de Esquerda, acharia bem que um grupo de zelosos marginais, encapuçados por razões estéticas, pegasse fogo ao seu automóvel, perigoso poluidor da comunitária atmosfera.

Imagem daqui

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por João Távora às 17:42

Domingo, 19.08.07

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 12, 49-53

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um baptismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

Da Bíblia Sagrada

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por João Távora às 15:05

Sábado, 18.08.07

O poder na rua

O sucesso da democracia liberal depende de uma justiça independente, funcional, e de um estado “curto” mas firme. Sobre a Justiça estamos conversados, com o impune assalto à plantação de milho ontem em Silves por um grupo de malfeitores, qualquer ilusão sobre a vulnerabilidade do regime fica desfeita. E se a moda pega?

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por João Távora às 14:44

Sábado, 18.08.07

Sporting na pole position

O circo começou e ontem marquei presença no Sporting vs. Académica em Alvalade, jogo de arranque do campeonato 2007/2008. Após uns primeiros minutos titubeantes, logo a equipa da casa cresceu, chegando, durante o segundo tempo, a mostrar um futebol escorreito quase espectacular. O Sporting não deu uma goleada das antigas por azelhice do Liedson. Em campo, confirmou-se a mestria do Miguel Veloso que se nada de anormal acontecer será certamente a grande figura da nova época. De resto, confirma-se uma equipa coesa e afirmativa à imagem do último terço do campeonato passado, apesar das “deserções”. Gostei do Simon Vukcevic a tentar fazer esquecer Ismailov, rápido, com técnica e com um óptimo pé esquerdo. Finalmente uma palavra para Derlei: ou muito me engano, ou neste campeonato o homem vai fazer história.

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por João Távora às 12:02


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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