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João Távora



Quarta-feira, 28.11.07

A má educação

Parece-me de quase total ineficácia a catequização da moral cívica oficial, pregada pelo regime no ensino escolar. Sei por experiência própria os resultados práticos das “lavagens de cérebro” efectuadas aos miúdos, massacrados desde a creche pelos bons princípios do amor à natureza, do amor à reciclagem e à solidariedade universal - bem mais bombástica e fácil do que a mesquinha e concreta “caridade” (palavra maldita) doméstica.
Sempre me pareceram deprimentes aquelas festas das escolas dos nossos miúdos (tenho em casa quatro saudáveis exemplares) em que as criancinhas, sob o olhar nervoso e cúmplice do pedagogo, ao ritmo duma dança étnica qualquer, apontam os ensaiados dedinhos aos progenitores babados, acusando-os pelo racismo ou a fome existentes no mundo... Ou no Natal aqueles bem intencionados presépios vivos, em materiais reciclados, ao som dum hino à “solidariedade”, em karaoke, contra a injustiça global. Incrédulo, ouvi os meus miúdos, chegados à 2ª classe, declamarem durante meses a "roda dos alimentos", também pintada a lápis de cera numa enorme cartolina. Isto até à próxima indigestão de chocolates ou gomas. Quanto ao seu amor à natureza, estamos conversados: sempre que nos distraímos, os higiénicos rotineiros “duches” dos miúdos dão para encher uma piscina municipal. Mais; há infindáveis anos que todos os dias de todos as semanas lembramos os adoráveis petizes para desligar as luzes que se acendem magicamente por onde passam. Quanto à propalada solidariedade é o que se sabe: basta observar atentamente a miudagem à pêra no recreio, a fanarem os cromos uns dos outros ou a gozarem até à náusea o mais fragilizado colega. Lá em casa, se não houver uma “ortopédica” voz de comando, bem vejo como funciona esse solidário cívismo principalmente se isso implicar o sacrifício dum interesse pessoal. Até a nossa mais pequenita, na hora de pôr a loiça na máquina, já aprendeu a refugiar-se “aflita” na casa de banho. Os irmãos, que não gostam de passar por otários, rapidamente reclamam, e lá se vai a preciosa harmonia no lar.
A batalha da “educação” trava-se principalmente em casa, e depende, além das referências do meio, da persistência e do exemplo categórico dos pais. Na escola, de onde Deus foi definitivamente banido, ensina-se o Mundo de acordo com a cartilha do regime. Na política, o que é importante é a ilusão de que vamos mudá-lo, amestrá-lo, mesmo que saibamos como desde sempre esse Mundo teima manter-se imutavelmente desconcertante, à imagem dos seus protagonistas.
É fácil arguir contra a violência ou injustiça, queimar automóveis e partir as montras na rua em prol da harmonia no mundo. Difícil, difícil, é olharmo-nos com humildade cristã para melhorarmos o pouco que seja em nós mesmos - a única fórmula para benignamente influenciarmos o nosso pequeno meio. Organicamente. Mas essa tarefa, tão anónima quanto imensa, quase sempre esbarra com o nosso orgulho e interesse imediato. Para nos revolucionarmos “por dentro” quase sempre somos demasiadamente comodistas e dificilmente encontramos uma motivação peremptória. E cristalizamo-nos a um passo da verdadeira redenção, e a verberar contra os outros, contra o Mundo tão injusto, num acto de desesperada catarse.

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por João Távora às 15:06

Quarta-feira, 28.11.07

O que me vale é que sou católico...


Ontem à noite, depois do jogo Manchester vs Sporting, telefona-me o meu sogro, bem humorado, e diz: "Eh pá, você é sportinguista, de direita e monárquico - é bom que não tenha tendências suicidas, hem!”
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por João Távora às 10:15

Domingo, 25.11.07

Cartas ao director (1)

Não se passa nada. Há quase uma semana que os noticiários destacam, com mais ou menos honras "de abertura", o caso do prédio de Setúbal e as desventuras dos seus azarados inquilinos. O LNEC, a solidez do edifício, a senhora do 5º andar, os pertences, a Protecção Civil, e demais “ondas de choque”. Por mim já chega: sobre o assunto há muito que estou informado e como folhetim acho-o pouco interessante. E se não se passa mesmo mais nada, "passem" antes uns desenhos animados ou entrevistem o Dr. Mário Soares.

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por João Távora às 20:31

Domingo, 25.11.07

Dia da Liberdade

Hoje dia 25 de Novembro celebram-se 32 anos sobre o fim do PREC (Processo Revolucionário em Curso) – a interrupção da via para o socialismo de Cunhal, Otelo e camaradas.
Hoje, festeja-se o sonho de um Portugal mais próspero e livre. Mesmo sabendo que temos ainda tanto, tanto que fazer...

Na imagem Danny Kaye.

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por João Távora às 16:43

Domingo, 25.11.07

Domingo

Epístola do apóstolo São Paulo aos Colossenses

Irmãos: Damos graças a Deus Pai, que nos fez dignos de tomar parte na herança dos santos, na luz divina. Ele nos libertou do poder das trevas e nos transferiu para o reino do seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados. Cristo é a imagem de Deus invisível, o Primogénito de toda a criatura; Porque n’Ele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, visíveis e invisíveis, Tronos e Dominações, Principados e Potestades: por Ele e para Ele tudo foi criado. Ele é anterior a todas as coisas e n’Ele tudo subsiste. Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos; em tudo Ele tem o primeiro lugar. Aprouve a Deus que n’Ele residisse toda a plenitude e por Ele fossem reconciliadas consigo todas as coisas, estabelecendo a paz, pelo sangue da sua cruz, com todas as criaturas na terra e nos céus.

Da Bíblia Sagrada

Nota: No próximo Domingo começa o Advento, a preparação para o Natal cristão. Assim, durante essas quatro semanas festivas, esta rubrica será devidamente ilustrada.

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por João Távora às 12:54

Sábado, 24.11.07

As nossas guerras

Por Rui Ramos (que não está mal colocado no inquérito aqui ao lado), no Blogue Atlântico
(...)
Morreram mais portugueses em combate na Flandres num ano, entre 1917 e 1918, do que durante 13 anos de guerra em Angola entre 1961 e 1974 (1380 contra 1098).
Há uma primeira explicação para a escassez de memória pública. Estas foram guerras numa sociedade politicamente polarizada e comprimida. A intervenção na I Guerra Mundial foi a guerra de Afonso Costa, da esquerda republicana e da sua “ditadura da rua”; as campanhas de África, a guerra de Salazar, da direita nacionalista e da ditadura da PIDE.
(...)
48 anos de ditadura, e 33 anos de democracia: para além dos mortos e dos traumas, eis o que, até ver, devemos às nossas guerras. >>Ler tudo>>

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por João Távora às 16:27

Sexta-feira, 23.11.07

As perigosas religiões laicas

Patrícia Lança n' O Insurgente:

Para quem tenha recuperado ou nunca foi contaminado pelo vírus, é perfeitamente evidente que existem diversas formas de religião laica. Os contaminados, precisamente porque estão possuídos irracionalmente por uma fé, têm problemas no uso da razão. Daí a grande dificuldade em manter um debate racional com eles. Pior, quando se trata de pessoas de inteligência, cultura ou autodisciplina fracas, a ameaça à fé suscita fúrias e excessos de linguagem impróprios de pessoas civilizadas. >Ler mais>>

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por João Távora às 12:31

Sexta-feira, 23.11.07

O processo Casa Pia

Cinco anos depois, o processo Casa Pia é a maior prova de pujança do nosso virtuoso regime, um exemplo prático de genuína moral republicana. Não há "jornalismo de causas" que lhe valha. Alguém ainda tem dúvidas de como tudo vai acabar? Está à vista de todos que o culpado será o mordomo, e talvez o “estado” que é sempre tão infeliz no recrutamento de mão d’ obra. E que impunemente continua a apadrinhar os programas sociais nocturnos das crianças a seu cargo.
Já vos tinha dito que não acredito na Justiça portuguesa?

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por João Távora às 10:47

Quinta-feira, 22.11.07

História de algibeira (28)


1909 – Cerimónia oficial da inauguração da estátua do Marechal Saldanha, presidida pelo chefe de estado, rei D. Manuel II. Na imagem, a estátua da autoria do escultor Tomás Costa e do arquitecto Ventura Terra. Ao fundo, sob as bandeiras nacionais, vislumbra-se a avenida Ressano Garcia, renomeada avenida da República pelo regime subsequente.

Imagem daqui.

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por João Távora às 12:33

Quarta-feira, 21.11.07

E a mulher mais bonita da TV é...

Caros Leitores:

Aproveitando um súbito assomo de bom senso dos nossos leitores (e leitoras) que sabiamente colocaram a apresentadora Adelaide de Sousa no primeiro lugar do nosso inquérito, decidimos então terminar esta veleidade que a todos nos ia deixando ficar mal. Não foram necessários os métodos antidemocráticos propostos pelo João Villalobos, posto que imperou o bom gosto e a decência neste concorridíssimo passatempo. Tudo acabou em mais uma prova da maturidade democrática dos portugueses anónimos. É assim tempo de mudarmos rapidamente para uma nova página das nossas vidas, ou seja, para num novo inquérito que vos será apresentado já daqui a pouco pelo ilustríssimo curador Pedro Correia. (Manda-me o cheque para a morada do escritório, sff)

Sempre vosso e leal escriba,

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por João Távora às 12:51

Terça-feira, 20.11.07

Para bem da nossa auto-estima...

Assim como se aceita a inevitabilidade da realpolitik na relação entre estados, parece-me essencial que os nossos representantes logo ao jantar, entre sabujas mesuras e gulosos acepipes, não percam a oportunidade de afirmar o alinhamento político do Portugal democrático... por muita contrariedade que isso cause ao flanco “rebelde” do Sr. Pinto de Sousa. Isso para bem da auto-estima nacional, e para que ele não seja confundido com um qualquer Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão e também muito “amigo” de Hugo Chavez.

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por João Távora às 11:48

Domingo, 18.11.07

Domingo

Evangelho segundo São Lucas 21, 5-19

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu. Mas antes de tudo isto, deitar-vos-ão as mãos e hão-de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Da Bíblia Sagrada

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por João Távora às 08:47

Sábado, 17.11.07

Tributo à Bolacha Maria

Composição: Farinha de trigo, açúcar, gordura de palma, xarope de glucose, água, emulsionante, (lecitina de girassol), sal mineral, levedante químico (bicarbonato de sódio), agente de tratamento de farinha (metabissulfito de sódio) e glúten.
Valores nutricionais por 100 g: Valor energético: 1779KJ (421 Kcal) Proteína: 6,8g Glícidos 78,9 g, Lípidos: 8,7g.



Ainda as comprei ao quilo envoltas em farripas de papel, dispostas em caixas de cartão. Naquele tempo, pouco antes do advento dos supermercados, já havia uma variedade enorme de bolachas, em saquetas ou a peso. Vendiam-se numa qualquer mercearia ou charcutaria de bairro. Com recheio, sem recheio, d’Araruta, de Baunilha, Belinhas, Torrada, de Areia, Água e Sal, Línguas de gato, de veado ou da sogra, etc., etc., etc.
Mas as “bolachas” mais “bolachas” de todas; mais saborosas e que porventura eu levaria para uma ilha deserta - juntamente com os meus CDs e livros preferidos - seriam sem dúvida uns quantos pacotes de “bolachas” Maria... (e uns litros de refrigerante para desembuchar, s.f.f.).
Lembro-me em pequeno quando comprava quinze tostões delas na mercearia da Sra. Natália, que m’as aviava profusamente num cartucho de papel pardo. Sabia melhor e satisfazia bem mais do que um rebuscado e módico bolo da pastelaria do Sr. Manel ali na outra esquina. Depois ainda tinha que as comer avaramente, à pressa, num recanto escuro das escadas do prédio, subjugado pela gula - para não ter que as repartir com os meus insaciáveis irmãos.
A Bolacha Maria é uma receita simples de enorme sucesso. Por mais que se inventem mais variedades, bolachas mais finas ou sofisticadas, a previsível Bolacha Maria nunca enjoa, cai sempre bem. Por exemplo, ao lanche sabem tão bem aos pares, com uma redundante porção manteiga de entremeio, acompanhadas com um chá quente ou uma laranjada fresca.
Num mundo pleno de imprevistos, novas experiências, radicais performances, jornalistas de causas, cozinha de fusão ou apenas nouvelle; cheio de modas e novos conceitos, experimentais ou definitivos, novíssimos softwares e hardwares, mais às suas actualizações, online ou offline... é muito reconfortante saber que existem algumas sensações previsíveis, experiências que não mudam, sabores resistentes e imutáveis.

Raios partam esta ingrata dieta... que exacerba o meu apetite, e que mal resiste a uma frugal escapadela... ali ao armário da cozinha.

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por João Távora às 20:09

Sexta-feira, 16.11.07

Depois de amanhã, outra vez Domingo

Reconsiderei. Pelos mails recebidos, comentários identificados e telefonemas de amigos, apercebi-me de como afinal estava tão legitimada a minha desaforada transcrição dominical. Porque afinal o Corta-fitas é um inesgotável espaço de pluralidade. Ainda bem!

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por João Távora às 13:15

Quinta-feira, 15.11.07

Sto. António dos Olivais

É verdade que passei uma boa temporada em Coimbra, vivi em Sto. António dos Olivais. Lembro-me que ouvia Lloyd Cole de mais, e que um dia uma bem intencionada alma me ofereceu um gatito siamês para minha salutar companhia. Acho que o animal chegou demasiado crescido às minhas mãos, já elegante e lustroso. Desde então tentámos com afinco domesticarmo-nos mutuamente, mas a causa era perdida - foi curta e inglória a sua passagem na minha vida. O bichano, além de não me ligar peva, possuía uma estranha extravagância: subir às arvores que não sabia descer. Uma noite, de madrugada, acordei estremunhado com os seus miados aflitos. Espreitei ensonado para o quintal, e lá estava ele, empoleirado num tronco da alta árvore. Na noite seguinte ao chegar a casa, àquela pacata rua de província, o gato lá permanecia, balanceante, num ramo ainda mais alto e mais frágil, com um miar mais sonoro e desesperado. Pressenti os olhares estremunhados e recriminatórios dos meus vizinhos, ocultos pelas suas térreas gelosias. Ao terceiro dia, finalmente entrou em casa despenteado, rouco e a coxear. Dei-lhe uma reconfortante refeição, e nessa noite ambos dormimos um sono profundo e retemperador.
Que eu me lembre, a cena repetiu-se mais duas vezes. À medida que o tempo passava, o bicho subia mais alto, para os mais frágeis e trémulos ramos, ao nível de um segundo andar. O pânico da vertigem impelia-o para o alto. Atirei-lhe com pinhas, chamei os bombeiros, a situação era desesperada. Até que o gato caía de maduro, pelo cansaço ou pela força do vento.
O bicho era bonito. Olhos verdes claros, por detrás duma mascarilha castanha a condizer com as botas e luvinhas, sobre um pelo sedoso bege claro. Uns dias mais tarde o bichano desapareceu. Foi algum incauto forasteiro que o roubou, atraído pela fidalga figura do estúpido animal. Ou então um vizinho mais zeloso lhe deu um curativo fatal. Para bem da boa vizinhança.
Demorou algum tempo mais para que eu próprio, pelo meu pé, descesse da minha árvore.

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por João Távora às 12:04


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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