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João Távora



Segunda-feira, 30.06.08

Uns reis felizes


A vitória do troféu europeu de futebol ajudará certamente à consolidação do grande reino da Espanha tal como a conhecemos hoje. Um orgulho contra todos os separatismos. Eu, por mim, sofro de inveja... duas vezes.

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por João Távora às 16:24

Segunda-feira, 30.06.08

Bicicletas em Lisboa


 


Não me entusiasmam muito as noticias que por aí circulam anunciando projectos de ciclovias para a cidade de Lisboa. Antes preferia conhecer desenvolvimentos quanto aos prosaicos problemas da limpeza ou do estacionamento caótico na cidade. Por mais politicamente correcta que seja a ideia, trata-se quanto a mim de uma caprichosa veleidade provincianamente importada das eficazes e planas cidades europeias.


Acontece que Lisboa, cidade bela e charmosa apesar de arruinada, à conta das suas inúmeras e radicais colinas é tudo menos apropriada para esse salutar meio de transporte. Lembro-me bem  quando outrora circulavam mais bicicletas na capital, elas eram maioritariamente utilizadas pelos amoladores e pelos estafetas da Marconi:  os primeiros limitavam-se a empurrá-las indolentemente assobiando no pífaro, os segundos arrastavam-nas empoleirados nos eléctricos ou nos autocarros. A avisada regra desses ciclistas era respirar um pouco, fosse a subir a Calçada do Combro, a Avenida da Liberdade ou  percorrendo a 24 de Julho.

Morei uma vida inteira em Campo d’Ourique e sei bem como era ingrato sair do bairro na minha linda bicicleta verde metalizada. Sob pena de ter de me esfalfar a voltar para casa, era-me impossível descer abaixo do Jardim da Estrela e o bom senso impedia-me de me aventurar mais abaixo do que a Meia Laranja por mais sedutor que se me apresentasse aquele fantástico  declive. Reconheço que optando por um percurso ali pelas Amoreiras pudesse chegar até ao Campo Pequeno sem prolongados ou abruptos desníveis. Acontece que nada me atraía para essa zona da cidade, os meus interesses situavam-se noutros pontos bem mais acidentados.

Às vezes ponho-me a pensar de onde até onde se pode ciclar por Lisboa sem se ter pernas e pulmões à Joaquim Agostinho. Haverá por certo alguns percursos possíveis, mas que simplesmente não vão dar a lado nenhum. A única solução que vejo será  ter-se um Jeep ou uma carrinha no destino escolhido para se recolherem as bicicletas e assim os ciclistas voltarem  para casa em paz, sem o perigo duma fatal apoplexia, que é algo que nenhum atleta amador deseja.

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por João Távora às 11:40

Domingo, 29.06.08

Excesso de história


Acontece com as pessoas, acontece com as famílias, acontece com os povos. O excesso de história é causa de entropias fatais, de decadência, de extinção.  Agarrados a velhos mitos e traumas, cultivam desavenças e incompatibilidades pueris. Qual amargo solteirão que não se liberta de vazios rituais e trôpegas manias, é atraído para o abismo da estéril solidão. Sem futuro nem esperança, mistificam um passado glorioso, e esperam um improvável messias, uma miraculosa lotaria que os  resgate da ameaçadora decadência.


Cheios de história, feitos e conquistas ancestrais, as pessoas, as famílias ou todo um povo, almejam direitos e honrarias vitalícias. Com excesso de história não se conformam com os ingratos deveres rotineiros, repugnam-lhes as pequenas maçadas e as mais básicas práticas de subsistência. Alienados, impotentes para com a realidade, assim se esvai toda a motivação e a auto-estima, o gosto pela vida, enfim. Isto acontece com os povos, com as famílias e até com as pessoas.

 

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por João Távora às 18:59

Domingo, 29.06.08

Domingo

Leitura da Segunda Epístola do apóstolo São Paulo a Timóteo 

 


Eu já estou oferecido em libação

e o tempo da minha partida está iminente.

Combati o bom combate,

terminei a minha carreira,

guardei a fé.

E agora já me está preparada a coroa da justiça,

que o Senhor, justo juiz, me há-de dar naquele dia;

e não só a mim, mas a todos aqueles

que tiverem esperado com amor a sua vinda.

O Senhor esteve a meu lado e deu-me força,

para que, por meu intermédio,

a mensagem do Evangelho fosse plenamente proclamada

e todos os pagãos a ouvissem;

e eu fui libertado da boca do leão.

O Senhor me livrará de todo o mal

e me dará a salvação no seu reino celeste.

Glória a Ele pelos séculos dos séculos


 


Da Bíblia Sagrada

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por João Távora às 09:58

Sexta-feira, 27.06.08

Tire a mãe da boca *

O verdadeiro problema de Portugal, maior do que todos os seus “desgovernos”, é os portugueses. Salvo honrosas excepções, genericamente somos gente matreira, irresponsável, preguiçosa e por consequência deprimida.

Exceptuando os anos de António Guterres (que está reformado graças a Deus), desde que me conheço que oiço falar em “crise”: há séculos que todos os estudos e estatísticas teimam revelar o nosso país bem no fundo de quase todas as tabelas.

Ora parece-me que aquilo de que Portugal precisa, mais do que bem intencionadas reformas “ortopédicas”, é de uma mudança radical de mentalidades. Que começa pela assumpção de cada um da responsabilidade que o próprio tem pela sua vida, pelo seu projecto, pelo seu país. Com ambição, com vontade, sem desculpas. Há séculos que vivemos a responsabilizarmo-nos uns aos outros pelos nossos insucessos. Responsabilizam-se os ministros, responsabilizam-se os empresários, responsabilizam-se os empregados, responsabilizam-se as elites e os trabalhadores, responsabilizamos o clima, a religião e a vizinha do lado.

É tempo de deixarmo-nos de pieguices e de cada um encher o peito de ar e fazer-se à vida com ambição e responsabilidade. É tempo de incutirmos princípios, aspirações e força de vontade aos nossos miúdos, dar-lhes o exemplo. Ensinar-lhes que eles são os primeiros e últimos responsáveis pela sua vida e pelo seu sucesso. Que o único verdadeiro poder que detêm é sobre os seus comportamentos e atitudes.

Por patriotismo, devíamo-nos todos deixar de tretas e juntos mobilizarmo-nos para uma  enorme campanha pela auto-responsabilização e motivação dos portugueses. Só com uma profunda reforma dos portugueses acredito que algum dia possamos sair  do buraco. O resto são balelas, politiquices e pura perda de tempo.


 


* "Tire a Mãe da Boca” é o título de um ensaio e de um antigo programa radiofónico da autoria de João de Sousa Monteiro.


 

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por João Távora às 15:31

Sexta-feira, 27.06.08

Retratos de Lisboa (7)


Instantâneo na calçada Marquês de Abrantes no final do séc. XIX 


Fotógrafo não identificado, imagem daqui.

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por João Távora às 11:31

Terça-feira, 24.06.08

Pai de família


 


Quando em qualquer contexto me adjectivam como “pai de família”, sinto um misto de orgulho e decepção, já que a paternidade para mim, mais do que um papel é um "estado" sem mérito, tão inevitável quanto eu ser homem ou ter olhos azuis. Depois, é a minha  traiçoeira imodéstia que aspira a distinta adjectivação, como se tal fosse importante ou influísse na realidade da minha existência.

Por fim até aceito o relevo desse meu traço: acreditem que o mais despudorado e horrível dos filmes de terror, por mais elaborado nos efeitos ou perverso no argumento, pouco me amedronta comparando com uma qualquer cena de drama familiar com crianças à mistura. As mais inocentes histórias de família com mortes ou desaparecimento de miúdos são para mim um suplicio total. E das mais sofisticadas nem se fala: não me esqueço como me contorci de sofrimento com algumas cenas de "Babel", de Alejandro González Iñárritu, quando a Amélia a baby sitter perde as criancinhas algures na fronteira mexicana, ou com as trágicas desventuras de Yussef e Ahmed nas montanhas de Marrocos. Simplesmente insuportável.

 

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por João Távora às 14:09

Domingo, 22.06.08

Inutilidades (34)

Tribunal de Contas (Os seus pareceres ou chamadas de atenção jamais colhem consequências – grassa a impunidade na gestão das contas publicas)


 

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por João Távora às 18:45

Domingo, 22.06.08

António de Almeida


Fumar ou não fumar




Duas iniciativas legislativas aparentemente não relacionadas entre si merecem alguma reflexão: estou a referir-me à lei do tabaco entrada em vigor no início do presente ano e às alterações que o governo pretende introduzir no código do trabalho. Imagine-se alguém que tendo desempenhado as suas funções sem qualquer problema até 31 de Dezembro passado, fumador inveterado, cujo local de trabalho é por exemplo um 6º andar, impossibilitado de fumar nas instalações onde exerce funções, se desloca durante um dia de trabalho umas cinco ou seis vezes à rua, estamos a falar dum médio fumador, dez minutos cada cigarro, mais elevador, subir e descer, irá gastar cerca de hora e meia diária com o seu vício, agravadas pela quebra de ritmo, pelo que será previsível uma baixa de produtividade de tal trabalhador.


Será legítimo que a sua entidade patronal, face à quebra de produtividade do seu empregado, o vá penalizar em termos salariais, podendo inclusive ponderar a sua substituição por outro isento de hábitos tabagísticos? Será exigivel à entidade patronal continuar a suportar os custos e actualizar se possível o salário de tal trabalhador quando o mesmo já não apresenta os resultados anteriores? E se tais resultados eram absolutamente necessários à sobrevivência da empresa? Ficará esta amarrada à manutenção deste funcionário, obrigada a contratar um terceiro para fazer parte das tarefas que o primeiro até aqui assegurava? E se a empresa apenas conseguir honrar um dos compromissos salariais?


Permitirá o código do trabalho, a bem da sobrevivência económica duma empresa, discriminar alguém apenas por ser viciado em cigarros? Despedido o trabalhador, iremos todos enquanto sociedade suportar os custos do subsídio de desemprego a tal cidadão, e ainda onerar o SNS com consultas de desabituação tabágica, acrescidas da despesa que a SS irá realizar na comparticipação dos medicamentos?


De todo este problema que aqui apresentei, o qual poderá estar a ocorrer num qualquer escritório perto de nós, qual terá sido a variante da equação capaz de causar todo um drama? Porque se a empresa decidir tolerar o hábito do seu funcionário sabemos as multas em que incorre e quem são os ninjas de serviço prontos para a acção, bem como os rostos que irão justificar tal actuação.




António de Almeida (do blogue Direito de Opinião)

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por João Távora às 13:50

Domingo, 22.06.08

Domingo

Evangelho segundo São Mateus10, 26-33


 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos:

«Não tenhais medo dos homens,

pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se,

nada há oculto que não venha a conhecer-se.

O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia;

e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados.

Não temais os que matam o corpo,

mas não podem matar a alma.

Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo.

Não se vendem dois passarinhos por uma moeda?

E nem um deles cairá por terra

sem consentimento do vosso Pai.

Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.

Portanto, não temais:

valeis muito mais do que os passarinhos.

A todo aquele que se tiver declarado por Mim

diante dos homens

também Eu Me declararei por ele

diante do meu Pai que está nos Céus.

Mas àquele que Me negar diante dos homens,

também Eu o negarei

diante do meu Pai que está nos Céus».


 

 

 


Da Bíblia sagrada

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por João Távora às 13:46

Sábado, 21.06.08

Ressentimentos básicos


Tristezas não pagam dívidas, diz o povo e é bem verdade. Quinta feira à noite apanhei um melão de dez quilos que ainda hoje me custa a arrastar. Deixei-me embalar no entusiasmo pela selecção de Portugal, quase assenti às crianças colocar à janela aquela bandeira “verde-rubra” que veio de brinde num jornal qualquer. Agora estou ressacado da bola, estou de luto cerrado, estou vacinado, e não me venham com coisas sobre o mundial de 2010 na África do Sul que até o estômago se me revira.


O pior ainda é confrontar-me com os intermináveis suplementos sobre o Euro 2008 que persistem nos jornais generalistas, que os desportivos nem vê-los ao longe. Será puro sadismo dos editores ou não conseguiram cancelar as estadias aos enviados especiais ou não lhes arranjaram lugares no avião para Lisboa? Quem é a empedernida escumalha, o insensível leitor que se detém a ler intermináveis crónicas sobre as razões da nossa derrota, ou sobre as esperanças das selecções que por lá se mantêm numa atitude provocadora e insensível para com os derrotados?

Ler notícias sobre o Euro 2008, bisbilhotar as peripécias deste torneiozeco, parece-me uma atitude de gosto duvidoso, como a do amante rejeitado que doentiamente prossegue e espia os passos da sua antiga parceira, que prospera na sua vidinha pateticamente satisfeita.

Como vêem, padeço dos sentimentos mais básicos, e agora que já me descobriram a careca, peço-vos licença vou terminar esta croniqueta, pois não resisto a ir ver um bocadinho do Rússia – Holanda, duas equipas que têm exibido um imperdível futebol espectáculo.

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por João Távora às 21:49

Sexta-feira, 20.06.08

Carlos Manuel Castro


À espera de Copérnico antes que chegue Godot




A palavra (sentimento?) que mais palpita nestes tempos é crise. Pelo petróleo, pela comida e pela vida. Por isto, aquilo e aqueloutro.


Talvez estejamos mesmo na dita cuja. Mas talvez ainda não estejamos tão aflitos quanto se pensa. Afinal, quando ela aperta mesmo, deixamos de lado as palavras e procuramos mais os actos que nos sirvam para, pelo menos, minorar a condição declinada.


De qualquer modo, a crise, do Ocidente, entenda-se, pois é dessa que falamos, é um sinal destes tempos. Como se pode falar de crise noutros pontos do globo, se muitos tudo dariam para ter a crise que nós temos? Que para algumas bem significaria o paraíso!


O pulsar do globo começa a mudar. Vivemos num tempo de profunda transformação. Como nunca se verificou desde os tempos de Roma. Os centros de poder, decisão e influência começam a dar os primeiros passos de transferência.


As margens do Atlântico norte dão por si, paulatinamente, a perder poder. Que margens no Índico e no Pacífico ganham. E, a médio prazo, perspectiva-se que o Atlântico Sul também obtenha mais proveitos.


Enquanto isto sucede, o Ocidente vai sofrendo nestes dias com o sentimento do tapete escapar-lhe do chão. E pensa-se, e foca-se, apenas, nas questões nacionais, como se fossem estas, isoladas do enquadramento global, o problema. Mas não são. São questões transversais e comuns. E, nada de ilusões! Apesar do aparente e apelativo convite dos nacionalismos, com as suas respostas simples, sem sentido nem fundamento, esses argumentos foram a forma mais célere e desastrada para o infortúnio.


Por mais que se resista e/ou não apreciem estes tempos, os desafios são comuns aos blocos geográficos e culturais. E as respostas que se pretendem dar, isoladamente, a qualquer desafio, estão condenadas ao fracasso, porque uma nova realidade, multipolar, está a emergir como nunca se verificou antes.


É por isso que precisamos de um Copérnico na política europeia, que refira e nos faça sentir, a nós, europeus, que o globo já não gira à volta apenas e para o apêndice asiático que controlou o mundo durante séculos. Nem considerar, como o pensamento ancilosado da Guerra-Fria ainda dominante em alguns círculos europeus, que na outra margem está uma potência rival e sem problemas. O Tio Sam também está a sentir certas coisas a fugirem-lhe da esfera de controlo.


É preciso mudar de paradigma, para que não fiquemos à espera de Godot.


 


Carlos Manuel Castro (do blogue Palavra Aberta)

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por João Távora às 09:54

Quinta-feira, 19.06.08

O tempo e o amor

A miudagem não sabe, a publicidade não exalta; a literatura despreza e o poeta desconfia. Mas é com o amor antigo e cúmplice, batido pelo tempo e pelo conhecimento, que se alcança a mais sublime comunhão e gloriosa intimidade sensual. O resto é propaganda enganosa, estéril sedução.

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por João Távora às 14:55

Quinta-feira, 19.06.08

Às armas, às armas!


Não escondo que tenho um fraco por futebol e que também sofro seriamente pela selecção do meu país. Reconheço-me inteiramente português, com as idiossincrasias inerentes, que bem se espelham através do fenómeno da bola como refere hoje o Pedro Lomba no Diário de Notícias. Também eu estou de ressaca, há quase quinhentos anos que não ganhamos nada, e já nem os castelhanos querem saber de nós.


Confesso que estou envolvido até ao tutano com as venturas e desventuras da selecção portuguesa lá pela Suíça. Abismadamente oiço quase todos os dias na RTP-N as avisadas considerações do Luís de Freitas Lobo sobre a técnica e a táctica que nos poderão levar à glória. Reconheço que estou a ficar nervoso com a perspectiva de vencermos os bárbaros logo à noite. Se formos eliminados amuo e nem me digam nada! Ou quem sabe, ainda vamos gozar o prato de nos crermos um povo vitorioso e destemido... por uma semana que seja. Sensação mais saborosa do que a de comer o melhor dos chocolates suíços. 

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por João Távora às 11:09

Quinta-feira, 19.06.08

Carlos Leone


O convite


 

Só mesmo por convite escrevo em blogs. Assim no Esplanar, assim no Peão, assim, agora, em O Amigo do Povo. E, de momento, no Corta-fitas. Os convites pressupõem um reconhecimento, mais do que apenas conhecimento. Isto é, conhece-se alguém pelo que faz e reconhece-se nisso algo de valioso. O que vale para quem faz o convite e para quem o aceita. No meu caso, aceitei o convite do João Pedro por motivos de amizade. No ano seguinte, o tempo no Peão foi um equívoco sem grandes consequências, mas afortunadamente passei a conhecer o Hugo Mendes (ver blog Véu da Ignorância II). E junto dos amigos do povo faço o papel de ateu de serviço, o que tem a sua piada e razão de ser.

O convite do Corta-fitas coloca um embaraço. Eu conheço este blog desde o «dia 1». Por uma coincidência, o FAL escreveu-me a anunciar o blog no mesmo dia em que entrei no Esplanar. Em 2006, até houve bastantes links recíprocos. E não foi pela mudança de pouso que eles diminuíram. Foi pela tal questão do reconhecimento. Por um lado, o género de coisas que eu faço (fazia, cada vez mais), coisas quase sempre argumentativas, não pesa muito na economia do Corta-fitas. Por outro, o género de comentário (não de análise) do Corta-fitas não me motiva. O reconhecimento não desaparece, mas esvai-se.

Isto não me impede de ler o CF de quando em vez, sem as surpresas de que necessitaria para mudar de ideias (um João Villalobos não faz a Primavera). Ainda recentemente, o «caso FAL-JPP» mostrou os limites do modelo «comentário». Menos bocas ao Governo «socialista» sobre a alegada pressão contra jornalistas e outros vícios afins teria dado autoridade para indignações contra a sugestão descarada de despedimento feita no Abrupto. Mas a profusão de posts «olhem para nós que somos de Direita», deu nisto: quando uma coisa grave acontece, já se gastou as munições em guerras de alecrim e manjerona (antes do Abrupto, o deslinkado tinha sido o Câmara Corporativa, espécie de CF ao contrário, mas se prezassem mais a honorabilidade teriam deslinkado outros primeiro). É, genericamente, o problema (meu) com o convite (e com o CF): muita agitação e certezas, pouco argumento e autocrítica, muita vontade e pouca imprevisibilidade. A seu modo (que não o meu), outro convidado já se referiu a isto (foi o Pitta). Podia alongar-me, mas isto do «reconhecimento» é hegeliano o bastante para eu evitar falar no problema que é ficarmos presos ao olhar que o «outro» tem de nós, no «mau infinito», etc. E nem os blogs servem para conversas destas, realmente.

Pela minha parte, gostei do convite (surpresa, para mim) e de corresponder. O CF é um caso de estudo das tendências da «bloga» nacional e, pela actividade dos seus animadores, da comunicação social portuguesa. Como o parágrafo anterior regista.

Parabéns pela ideia e boa sorte para o futuro.

 

Carlos Leone (do blogue O Amigo do Povo)

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por João Távora às 10:01


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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