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João Távora



Quarta-feira, 24.09.08

Magalhães, a cabala e o delírio


Há muitos anos a lidar com computadores, essencialmente para uso do Office e da Net, montei em casa uma pequena rede de três PCs e os imprescindíveis periféricos. Acontece que minha mulher gere uma pequena empresa de traduções Web-based e os miúdos mais velhos, por mérito, já têm o seu aperelho. Quer isto dizer que conheço na pele o exigente esforço de trabalho e aprendizagem para manter tudo em bom funcionamento sem gastar muito dinheiro. Para mais, é um facto que os jovens normalmente tendem a uma utilização perigosa das máquinas, pois trocam entre si muita tralha, instalam jogos e aplicações nem sempre "saudáveis", mesmo com o "controlo parental" activado. Acontece também que as dezenas de programas e aplicações que progressivamente se instalam num PC, a prazo trazem instabilidade e conflitos ao sistema operativo, nem sempre de simples resolução. Por experiência própria discordo do mito cultivado por muitos adultos (certamente ineptos tecnológicos) de que “os miúdos hoje em dia nascem a saber mexer naquela cangalhada, e que neles é inata a habilidade para com as tecnologias” (penso que se referem a comandos de TV, telemóveis e a jogos electrónicos...). É para mim claro que qualquer miúdo aprende depressa a brincar, mas poucos serão os que se dispõem a aprender ou investigar a resolução dos problemas informáticos por eles próprios causados – esses trabalhos muitas vezes de simples resolução sobram para os pais ou para dispendiosos técnicos. Também sei bem como as crianças estão pouco motivadas para utilizar as ferramentas de trabalho que um computador oferece, cingindo-se a sua utilização ao entretenimento e para, pela  Internet, copiarem integralmente os conteúdos dos trabalhos “de grupo” da escola.


Estas são as razões pelas quais torço o nariz a este folclore da distribuição massiva de computadores pelas escolas. Pergunto aos meus botões por onde andarão os Magalhães e quejandos daqui a um ano, após as primeiras dificuldades ou avarias. E depois, quantos pais não serão tentados a vender na feira da ladra os inúteis aparelhos para pagamento da factura da luz ou da dolorosa conta da mercearia. As criancinhas, essas continuarão a crescer sem exercitarem a vontade, sem ler um livro ou conhecer o Mundo.

 

Título roubado de um livro do meu pai "Colombo a Cabala e o Delírio".

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por João Távora às 11:37

Segunda-feira, 22.09.08

O melhor dos remédios


Embrenhado numa vaga de trabalho que (como sempre) coincide com outro inadiável apelo, no caso o projecto Plataforma do Centenário da República que será apresentada aos “media” de hoje a oito dias, ainda tive tempo para folhear o Diário de Notícias e sorrir com o anúncio da recuperação para a TV dos velhos Marretas de Jim Henson agora nas mãos dos estúdios Disney. Para além das longas-metragens (que nunca me convenceram por aí além), espero bem que a produtora invista mais nas pequenas comédias e na sua faceta music-hall, genialmente interpretada por toda aquela excêntrica trupe.


Como bom conservador que sou, agrada-me de sobremaneira que as minhas criancinhas se encantem com as mesmas tralhas que em tempos tanto me fascinaram. Uma boa notícia também porque em breve poucas alternativas restarão para nos aliviar o espírito da crise que por aí alastra do que o refinado bom humor.

 

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por João Távora às 15:46

Domingo, 21.09.08

Evangelho segundo São Mateus 20, 1-16a

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «O reino dos Céus pode comparar-se a um pro­prie­tário, que saiu muito cedo a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com eles um denário por dia e mandou-os para a sua vinha. Saiu a meia-manhã, viu outros que estavam na praça ociosos e disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo’. E eles foram. Voltou a sair, por volta do meio-dia e pelas três horas da tarde, e fez o mesmo. Saindo ao cair da tarde, encontrou ainda outros que estavam parados e disse-lhes: ‘Porque ficais aqui todo o dia sem trabalhar?’. Eles responderam-lhe: ‘Ninguém nos contratou’. Ele disse-lhes: ‘Ide vós também para a minha vinha’. Ao anoitecer, o dono da vinha disse ao capataz: «Chama os trabalhadores e paga-lhes o salário, a começar pelos últimos e a acabar nos primeiros’. Vieram os do entardecer e receberam um denário cada um. Quando vieram os primeiros, julgaram que iam receber mais, mas receberam também um denário cada um. Depois de o terem recebido, começaram a murmurar contra o proprietário, dizen­do: ‘Estes últimos trabalharam só uma hora e deste-lhes a mesma paga que a nós, que suportámos o peso do dia e o calor’. Mas o proprietário respondeu a um deles: ‘Amigo, em nada te prejudico. Não foi um denário que ajustaste comigo? Leva o que é teu e segue o teu caminho. Eu quero dar a este último tanto como a ti. Não me será permitido fazer o que quero do que é meu? Ou serão maus os teus olhos porque eu sou bom?’. Assim, os últimos serão os primei­ros e os primeiros serão os últimos».

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por João Távora às 00:37

Sábado, 20.09.08

O fascínio da estatística

Sport Lisboa e Benfica (2008/2009)


 

Total de minutos em jogos oficiais 270

Total de minutos em vantagem no marcador: 2

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por João Távora às 16:31

Sexta-feira, 19.09.08

Fica-lhes mesmo bem!

Enquanto se procede a obras de melhoramento no hemiciclo em S. Bento, os trabalhos desta legislatura prosseguem provisoriamente na belíssima Sala do Senado que para o efeito foi remodelada. Além da ausência do barrete frígio, compraz-me saber que os nossos depreciados deputados da república actuem, mesmo que temporariamente, sob a vigilante figura do rei D. Luís  (o popular) imponentemente representado na cabeceira da sala.


 


Nota: texto reeditado


Publicado também aqui


 

 

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por João Távora às 14:56

Quarta-feira, 17.09.08

Um merecido tributo

 



Sinto um travo amargo com a perda de Richard Wright, que sucumbiu anteontem a um cancro fulminante. Os Pink Floyd foram um dos meus devaneios de adolescência, e para o bem e para o mal aquele rock “depressivo” acompanhou-me por muitas lânguidas horas da minha juventude.


Richard Wright  tocava instrumentos de teclas e era responsável por aquele inconfundível som “espacial” característico da banda “psicadélica” que fundou junto com Roger Waters e Nick Mason. Richard Wright  compôs ou interveio na composição de grande parte dos temas dos Pink Floyd e alguns deles, como Summer 68, Echoes, Time ou Shine on you crazy diamond marcaram uma geração. Como acontece com a generalidade das bandas pop de sucesso, a soma das partes vale bem mais do que as suas individualidades, e com a morte deste músico acaba a esperança de uma reunião final dos genuínos Pink Floyd.

Restam-me os discos que ainda guardo gastos pelo uso, que num hipotético momento de preciosa privacidade ainda poderão rodar bem alto no meu gira-discos. Para meu deleite.

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por João Távora às 15:38

Terça-feira, 16.09.08

Desculpe lá, "minha senhora"...


...mas com esta corrente eu alinho!


(Assim com’assim, em dois dias já lá vão dois links de mão beijada. E não digam que vêm daqui.)

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por João Távora às 15:20

Segunda-feira, 15.09.08

Outra vez as gravatas...


A Fernanda Câncio descortina aí nas ruas uma revolução a despontar, com garridas t-shirt, punhos no ar e "havaianas" (!) nos pés.  Depois, insurge-se contra a gravata, “resquício persistente da massificação e do totalitarismo vestimentar, do medo de sair da norma, da obediência cega à convenção”. Uma grande maçada. A jornalista, como é seu timbre, enfrenta com firmeza o diabo ou tão só os seus fantasmas (em sentido figurado, pois bem sabemos como estas figuras vão contra as suas arreigadas crenças). Uma vez mais bate-se pela sua nobre causa: enquanto Portugal inteiro não trajar inteirinho como na noite do Agito ali ao Bairro Alto, a moça não vai desarmar.


Atendendo à sua angústia das gravatas, apenas lhe digo que o preconceito é uma coisa tramada, que tolda a liberdade de escolha. Além disso a idade ensinou-me que esse sentimento promove o rancor, turva a vista e estorva o pensamento. Enfim, também faz mal à pele.

Eu nada tenho contra uma original t-shirt ou chinelas de “meter o dedo”, nem vislumbro obscuros sentidos num piercing malandro ou numa madeixa pintada. E passados já muitos anos sobre a minha adolescência, aceito conformado e com bonomia que andamos por cá principalmente para servir os outros. E mal andarei eu quando ambicionar o contrário. Com ou sem gravata.


 


Imagem: Mulher com gravata preta, por Amadeo Modigliani

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por João Távora às 19:09

Domingo, 14.09.08

Toleimas dum inconformado conservador

Vulgarizados no nosso quotidiano,  alguns artifícios tecnológicos empobrecem e alienam os nossos preciosos sentidos. Fascinantes tempos modernos estes que nos oferecem favas e uvas durante todo o ano, temperatura normalizada e uma omnipresente música de fundo.


É assim que no escritório nos arriscamos a passar literalmente ao lado deste Verão algo atípico, às vezes a tiritar com o obstinado ar condicionado, sempre desagradavelmente ressequido. Não satisfeitos, alguns colegas ainda tapam as orelhas com os fones a bombar os ritmos da moda, em estéreo e com “bass reflex”.

Eu por mim, que não tenho um espírito espartano, recuso-me a dar demasiada importância às contingências meteorológicas: tirando as condições extremas, convivo em paz com o clima. Depois, gosto demasiado de música para enfiá-la o dia todo pelos ouvidos como se duma transfusão de soro se tratasse.

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por João Távora às 19:40

Domingo, 14.09.08

Palavras de hoje (23)

Há uma coisa a que é difícil acostumarmo-nos neste país, e contudo forçoso é aceitá-la sob pena de nada compreendermos do que aí se passa...: é o desacordo que existe entre as leis e os costumes. As leis estão de um lado, os costumes do outro; e para dizer a verdade, as leis são teias de aranha de que os costumes se riem, que deixam subsistir, como que por amor dos contrastes, e que desfazem desde o momento em que se tornam incomodas.


 


Maria Rattazzi em 1879  Le Portugal à vol d’oiseau


 

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por João Távora às 17:46

Quinta-feira, 11.09.08

O blog da semana

Estado Sentido é um despretensioso e irreverente blog que desobedece à vulgaridade ideológica corrente. Com alma e amigos lá dentro, nele as ideias e imagens correm livres. Nele respira-se a intimidade dos sítios onde moram pessoas inteiras:  a Cristina Ribeiro, o Nuno Castelo Branco, o Samuel Paiva Pires e Paulo Soska Oliveira. Estado Sentido é o novo blog da semana.

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por João Távora às 16:11

Quarta-feira, 10.09.08

A grande coboiada


Se um ingénuo forasteiro aterrasse em Portugal há um mês e assistisse a alguns dos noticiários nacionais, por certo assustar-se-ia com o país, aparentemente sem lei e a saque, um hollywoodesco faroeste europeu.


Doutro modo se  o ingénuo turista desembarcasse na última semana e atendesse a alguns dos recentes  telejornais, verificaria confortado as inúmeras reportagens de rusgas e intervenções policiais, perseguições e musculadas detenções ao vivo, qual reality show, um triunfante espectáculo do país a ser posto por ordem ali mesmo em directo.

Sendo que ambas as mensagens percepcionadas são enganosas, temo que será sobre estes pressupostos que a batalha politica cada vez mais se irá decidir. Uma agenda regida por uma realidade virtual progressivamente mais desligada dos verdadeiros problemas do nosso país.

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por João Távora às 18:03

Quarta-feira, 10.09.08

Paulo Cunha Porto

É com muita honra que anuncio uma grande contratação do Corta-fitas, o “muito cá da casa” Paulo Cunha Porto, homem de leis e de rara cultura, uma autoridade por demais afirmada na blogosfera nacional. Além das qualidades que a sua escrita exibe, o Paulo é mais um monárquico para as nossas fileiras, que no Corta-fitas preencherá condignamente um espaço politico que subsiste vazio à minha direita. Como grande defeito apenas lhe reconheço o facto de ser um convicto lampião, mácula que os referidos méritos facilmente relativizam. Ao Paulo, que inegavelmente vai enriquecer o debate de ideias neste blogue bem plural, aqui fica um grande abraço de boas vindas.

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por João Távora às 15:34

Sexta-feira, 05.09.08

Retratos de Lisboa (11)


Cais das Colunas no Terreiro do Paço fotografado por Ferreira da Cunha (1901-1970) daqui. Ao fim de dez intermináveis anos de pandemónio, prevê-se para Dezembro a restituição deste património aos lisboetas (Público)... aguardemos com paciência, pois então.

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por João Távora às 15:50

Quinta-feira, 04.09.08

Uma nova etapa

 


O meu pequenote vai amanhã pela primeira vez para o colégio. Irresistível com a sua figura de anjo renascentista, já leva dezanove meses de existência e tornou-se num miúdo alegre, irrequieto e obstinado. É fanático por automóveis e bolas (mesmo antes de dizer mãe adoptou duas onomatopeias para evocar esses seus objectos de culto) e nos últimos tempos tem sido a “alegria do lar”. Uma alegria tão irresistível quanto possessiva e omnipresente, que tantas vezes desafia a paciência dos irmãos e os limites da resistência dos vetustos progenitores.


Mas eu já notei que aquilo que o petiz verdadeiramente mais gosta é de espaço e de brincar com os seus iguais: na praia ou no parque fica esfusiante na presença de outras crianças. E é à distância, confrontado com a sua individualidade, que eu verdadeiramente me emociono. De resto, no colégio, estou certo que ele vai conquistar o seu espaço e ser feliz. À descoberta, a correr e a trepar, a rir e chorar, vai continuar a fazer-se gente. Isso comove-me e deixa-me muito feliz. É isto que eu sinto sobre o assunto, Maria Inês.

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por João Távora às 12:18


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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