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João Távora



Quarta-feira, 30.06.10

Mais um soco na barriga

 

À falta de outros desafios e por acumulação de desaires, penso que não é de menosprezar o peso da precipitação do retorno português de África por mais que estejamos habituados e que fosse expectável.

Estremunhados duma fugaz alucinação consumista e despertos para a cruel e ancestral pobreza a que estamos fadados, há algum tempo que os portugueses se vêm afundando numa crescente perda de auto-estima e descrença. Somos hoje uma triste tribo que se desagrega, subjugada por um discurso desmotivador, sem chama ou transcendência. Triste sina a deste povo sem causa ou bandeira.

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por João Távora às 16:30

Segunda-feira, 28.06.10

Irrelevâncias

 

As sondagens da Universidade Católica hoje divulgadas constituem uma angustiante "não notícia": apesar do partido socialista em queda ostentam ainda uma galhofeira maioria de esquerda, com a abstenção de mais de metade inquiridos, factor que as tornam manifestamente inconclusivas.

Enquanto o poder é tratado como uma batata quente que ninguém quer disputar, tragicamente o que nos sobra para os próximos meses, além do desemprego, do estio e da paria, é uma dramatização da discussão em torno das eleições presidenciais, uma espécie de silly season política, um fogo fátuo para alimentar intrigas e parangonas nos jornais, manter entretidos os gabinetes e suas clientelas, enquanto o país se afunda na pobreza e na desmotivação generalizada.

Chamemos os bois pelos seus nomes: é comprovadamente irrelevante para o sucesso do nosso desgraçado país o nome do próximo inquilino de Belém.

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por João Távora às 12:11

Sexta-feira, 25.06.10

Ossos do meu ofício

 

Um colégio infantil é um tão estranho quanto fascinante microcosmos. Aquele de que vos falo, foi por onde passaram todos as nossas crianças desde há dezanove anos para cá, quando abriu lá em S. João, e é hoje coabitado em harmonia pelas criancinhas do berçário à quarta classe, e por uma tropa fandanga de mulherio que, com apreciável competência, preenche quase em exclusivo todos os quadros profissionais da escola - auxiliares, administrativas, educadoras, professoras, psicólogas (as únicas com direito a titulo de doutoras) e a directora.

Só num mundo caricato assim se justifica a convocação dos encarregados de educação hoje para às 15,00hs, não para verem o jogo Portugal vs. Brasil, mas para a festa que a classe finalista do primeiro ciclo (de que a minha filhota pequena faz parte) vem preparando com esmero. Enfim, imagine-se a dificuldade que irão ter os pais diligentes a justificarem no emprego a dispensa à hora da bola, por uma festa no colégio do seu petiz. Eu lá estarei conformado naquelas cadeiras baixinhas, com os ouvidos... divididos.

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por João Távora às 11:15

Quarta-feira, 23.06.10

Tempos de mudança, tudo na mesma

Ainda pensámos aliviar o espaço, mas decidimos que vamos manter o velhinho leitor de CDs na estante do escritório lá de casa. É aí que os miúdos quando pequenos, empoleirados na cadeira, tocam, tiram mudam e põe as suas cantigas de roda, histórias de encantar, bandas sonoras e outros sucessos, enquanto a mãe tamborila veloz no teclado as suas intermináveis traduções.

Hoje, a desmaterialização da música descarregada em bites e baites do mp3 num computador ou noutro artefacto, é coisa de adolescentes ingratos ou graúdos armados em espertos. Os pequenitos, como eu há mais de quarenta anos, merecem a experiencia táctil do objecto, do fascínio da capa com folhetos, e ouvir e até estragar os seus discos com figuras, à distância mágica dum simples botão “ligar e desligar”.

Sei bem que, mal-agradecidos, seguirão os passos dos irmãos, tapando também os ouvidos com uns fones a zunir, e que jamais entenderão a minha excentricidade de ouvir um sólido vinil, que afinal têm um “altar” condigno no sitio mais nobre da sala, para os meus raros momentos recreativos, de puro e solitário deleite.

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por João Távora às 18:53

Terça-feira, 22.06.10

Só mais um passo para o abismo

O assunto da supressão das SCUT sob o princípio do Utilizador Pagador, convenientemente embrulhado na questão dos chips, é prova provada da completa ingovernabilidade deste País. Qualquer cidadão com memória lembra-se que o fim das SCUT  foi bandeira empunhada por Bagão Félix há cinco anos no governo PSD CDS de Santana Lopes, sob a berraria indignada das Comissões de Utentes e autarcas respectivos, sempre patrocinadas pela oposição Socialista. Hoje os mesmos protagonistas simplesmente trocaram de lado na barricada: com custos insustentáveis para o erário público, em boa hora o governo Sócrates viu-se obrigado a inverter a estratégia, quem sabe se reconhecendo que não cabe aos contribuintes indiscriminadamente pagarem as auto-estradas que não usam. Em sentido contrário posicionam-se agora os partidos da direita, numa tentativa de tirarem partido do descontentamento das populações que perdem privilégios, e de se descolarem da impopularidade do executivo.

Finalmente, fazer dos chips nas matrículas um "caso" insanável parece-me um mero pretexto para a assumpção duma atitude oportunista, tanto do meu partido quanto dos sociais-democratas: o monstro do big brother a controlar os automobilistas tugas é um argumento populista e incendiário que assanha facilmente as hostes tão propensas a teorias de conspiração. E que, por um mero prato de lentilhas, não hesitam empurrar Portugal um passo mais em direcção ao abismo.

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por João Távora às 11:59

Segunda-feira, 21.06.10

Levantados do Chão

 

Escapando ao massacre noticioso da morte de Saramago, que Deus o tenha, em boa hora me pus a caminho de Viseu para o Congresso da Causa Real, onde, durante o fim-de-semana, entre congressistas e observadores, se reuniram mais de duzentas pessoas oriundas de todo o país, um acontecimento que imprensa e restantes órgãos de comunicação social fizeram por ignorar olimpicamente. O facto é que, no coração de Portugal, na bela cidade de Viseu, durante dois dias se discutiu o futuro e o sonho duma regeneração de Portugal. Contrariando um país sem ideal ou utopia, encerrado nas suas funestas contas de mercearia e frívolas distracções fracturantes que o condenam à decadência e extinção.

Durante dois dias, no Teatro Viriato celebrou-se João das Regras, Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Venceslau de Lima, Antero de Quental, Carlos Malheiro Dias, João Camossa, Ribeiro Teles, Henrique Barrilaro Ruas, Couto Viana e João Aguiar,  Almeida Braga, Francisco Sousa Tavares, Sofia Mello Breyner, e tantos outros obreiros do ideal monárquico desta nação quase milenar. Apelou-se à abnegada militância dos monárquicos em vez de discussões pueris, à intervenção voluntariosa, rua a rua, porta a porta, num empenhamento esforçado para mater o sonho vivo do resgate de Portugal. Foram contundentes e emocionantes as palavras proferidas pelo homem livre que é José Adelino Maltez. Foram sábias as palavras de José Valle de Figueiredo sobre a monarquia e o municipalismo, o nosso ancestral contrapoder da tendência macrocéfala do Governo Central. E quão pertinente foi a explanação de Rui Monteiro sobre a esquerda monárquica contra o preconceito, a pior barreira à inteligência. No final ficaram a ecoar as tão serenas quanto convictas palavras de Paulo Teixeira Pinto, num desafio ao banqueiro republicano da comissão das festas para um debate franco e democrático sobre a nossa anquilosada república que a todos nos subjuga e empobrece há cem anos. A nós, monárquicos, desafiou-nos à resistência e à acção, como resposta e serviço a um povo sedento de verdade e esperança.

Triste é que, enquanto isto, o país mediático, acentua o seu trágico e crescente divórcio com a realidade. Nele se despendem energias e recursos financeiros em inúteis discussões, sobre assuntos fracturantes e... eleições presidenciais! Como se estivesse nessa estéril instituição a solução para a sinistra crise económica e de valores em que o país se afunda. Entre desistir e lutar, há que saber escolher.

 

Fotografia: Maria Meneses

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por João Távora às 18:52

Segunda-feira, 21.06.10

A aproveitar a euforia tuga que por aí vai...

 

O governo Sócrates prepara-se para o anúncio dumas quantas medidas de austeridade. Se chegarmos à segunda fase é que lá se vai o décimo terceiro mês!

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por João Távora às 15:13

Segunda-feira, 21.06.10

Associação de Amizade Portugal - Coreia do Norte

 

O mínimo que o governo português devia fazer depois da vitória contundente da selecção era oferecer asilo político aos desgraçados dos jogadores coreanos. Não lhes auguro nada de bom.

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por João Távora às 15:13

Terça-feira, 15.06.10

Uma parábola portuguesa com certeza

 

A poucos metros da minha casa está uma mercearia que se estabeleceu no final dos anos sessenta no lugar onde deveria estar a garagem do prédio. Aberta por dois casais da província que até hoje se revezam mês a mês entre “a terra” e o negócio, esta obscura loja desde então jamais teve qualquer incremento ou renovação. À excepção do leite do dia e da fruta, da qual se aconselha desconfiar da condição, tudo lá dentro é sujo, caro e bafiento. A falta de alternativa a menos de um quilómetro de distância e principalmente a venda “a fiado” permitiu-lhes durante estes anos fidelizar uma freguesia certa mesmo com preços exorbitantes. Com o passar dos anos além doutras casas e prédios, mais comércio geminou por ali e recentemente nasceu até um sofisticado Centro de Saúde da rede do ministério.

Acontece que por estes dias, do outro lado da praceta progridem imparáveis as obras dum moderno supermercado que comprometerá definitivamente as aspirações dos meus vizinhos merceeiros. Mas não se lhes nota qualquer apreensão ou ansiedade: as donas de casa e reformados continuam a ali parar, entre uma visita à tabacaria e ao café do lado, para dois dedos de conversa e um litro de azeite. E como ironia do destino estabeleceu-se uma cúmplice relação entre os donos do lugar e o pessoal das obras, quais condenados a conviver com os seus carrascos, que ao fim do dia ali se sentam nos caixotes da fruta a beber cervejas não sei se fiadas ou com algum desconto. Certo é que esta será uma das últimas cartadas destes modestos imigrantes de província: estagnados numa esquina da vida, trinta e tal anos chegaram conquistar uma velhice modesta e resignada. Desconfio que muito em breve voltarão para a terra cavar umas batatas e apanhar umas azeitonas a ver o sol poente.

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por João Távora às 18:04

Segunda-feira, 14.06.10

Insignificâncias que fazem deste mundo um local aprazível

 

Foi com alguma emoção que há dias levei o meu pequenote pela primeira vez ao barbeiro lá do bairro, que como não poderia deixar de ser, é daqueles á antiga com poster da Michelin, onde nos podemos actualizar com revistas do Correio da Manhã, o jornal A Bola e conversa fiada de homens que não arranjam as unhas nem tiram sobrancelhas em cabeleireiros unisexo com preços desavergonhados.

O senhor António, recebeu-o como fez ao irmão mais velho há mais de quinze anos, pôs-lhe um banquinho de madeira para dar altura e uma longa toalha de nylon á volta do pescoço. O petiz, que ia muito recomendado, portou-se à altura, denotando até um certo orgulho quando pronunciou convictamente o seu nome e clube de futebol. À pergunta “que idade tem o menino”, num primeiro instante estranhámos a ausência de resposta, mas depois, comovido descobri que por debaixo do pano protector ele mantinha com esforço os três dedos hirtos como resposta. Tem já três anos o meu menino, e este mundo ainda é um local aprazível.

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por João Távora às 16:28

Domingo, 13.06.10

Catrapás!

 

 

Pffsss!, glugluuuuu!, pum! Zipppp! jnaslacccc! são supostamente ruídos duma cópula reproduzidos em fidedignas onomatopeias pela inenarrável Mart@ Crawford na sua destacada crónica de fim-de-semana Jornal i. Sem esta ousada abordagem, talvez inspirada no atrito sonoro das vuvuzelas durante um jogo do mundial, certamente seriamos todos mais labregos, menos cosmopolitas; encerrados em preconceituosas inibições e tabus. A insubmissa sexóloga, possuidora dum invejável traquejo (o termo não é inocente) de prática clínica, não se abstém de classificar alguns destes ruídos de “embaraçosos” e “íntimos”, conferindo esta última característica mais gozo à autora a dissecar o importante tema. No entanto atrevo-me a corrigi-la a respeito do som jnaslacccc, que na minha limitada mas já longa experiência de vida mais me sugere um pé a descalçar um sapato molhado. Enfim, desde os imemoriais tempos de Nina Hagen que não me deparava com tanto despudor e audácia. Uma rebelde e abnegada educadora do povo é o que é esta arrojada sexólog@.

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por João Távora às 19:47

Sexta-feira, 11.06.10

Joguem à bola!

 

 

O campeonato do mundo de futebol começou hoje em Joanesburgo e na Cidade do Cabo enfastiado e em passo de caracol: dois jogos, dois golos e dois empates. Um enorme bocejo com um insuportável enxame de vuvuzelas em fundo. Nestas circunstâncias dá para perceber a caricatura que os norte-americanos fazem do nosso desporto rei, vergado pelos milhões dos patrocínios a tácticas de jogar para os lados, sem rasgo ou espontaneidade, à imagem da decadência do Velho Continente. No pasa nada!

Não fossem os assaltos aos jornalistas, os caprichos esmiuçados dumas quantas "celebridades" e os estados d’alma de Nelson Mandela, pouco haveria a reportar da África do Sul. Nas rádios e televisões, nos intermináveis e omnipresentes debates, análises e mesas redondas, sobram lugares comuns e vulgaridades ad nauseam – uma incontornável praga. Acontece que quanto mais anos vive um consumidor minimamente instruído, menos crédulo ele é nas piruetas de marketing e demais folclore: torna-se exigente em relação ao produto final - o futebol, quando acontece é no relvado, magia pura, jogo e vertigem. Que os atletas joguem à bola e deixem-se lá de tretas.

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por João Távora às 23:02

Quarta-feira, 09.06.10

Valeu a pena

 

Como tenho aqui referi, decorreram ontem, as eleições para os órgãos distritais do CDS em Lisboa. Consta que foram as mais participadas da história do partido, em que votaram mais de 1000 militantes, quase o dobro de 2008. Isso evidencia a importância da participação dos militantes independentes do aparelho. A lista liderada por Pedro Pestana Bastos obteve a confiança de 32% dos votos expressos, venceu as eleições nalguns concelhos e elegeu cinco delegados à assembleia distrital. Da minha parte, para lá da grata experiência adquirida, sinto nestes resultados um estimulo para novos desafios. De resto, o caminho faz-se andando e o CDS merece mais.

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por João Távora às 20:21

Domingo, 06.06.10

O advento da modernidade

 

A sala de aula já não é o espaço mais importante da escola, acredita a Parque Escolar. A arquitectura poderá transformar o ensino?

Não obrigado: para estragar mais não é preciso. Demolido o professor, substituído pelo amigalhaço, faltava acabar com a sala de aula, essa inutilidade. Devagar para não dar muito nas vistas. E ao final de contas, quando todos forem igualmente ignorantes e cábulas a “questão” será finalmente administrativa.

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por João Távora às 18:15

Domingo, 06.06.10

A nossa imprensa "livre"

 

Definitivamente a realidade gera acontecimentos que são um grande incómodo para o jornalismo modernaço: atrevem-se a acontecer sem aviso, sem um press release, é o que nos relata hoje José Queiroz, o provedor do leitor do Público. Foi o que aconteceu na Segunda-feira passada, quando uma procissão iluminou a noite no Porto, reunindo cerca de cinquenta mil crentes que percorreram da Igreja da Lapa até à Sé, num mar de velas acesas em honra da imagem da Nossa Senhora de Fátima. Consta que o evento foi inusitado, que há mais de cinquenta anos nada de parecido se via na cidade, para mais com intervenção de individualidades públicas pouco prováveis. Acontece que o mui portuense jornal Público, com o argumento de que “não terá sido avisado”, ignorou liminarmente este sucesso, sendo certamente por mera coincidência a notícia da primeira página subsequente, o almoço entre José Sócrates e os homossexuais.

Já desconfiávamos, mas confirma-se que por estes dias fracturantes o arquétipo duma notícia, mudou definitivamente: para o ser, tem que ser expectável e anunciada, não se vá tornar num incómodo para o redactor, ou pior, contrariar as suas “convicções editoriais”.

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por João Távora às 18:07


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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