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João Távora



Sexta-feira, 30.07.10

Um postal do sudoeste

 

Do relativismo consentido com que perspectivamos o Mundo visto dumas férias na praia, soam ecos dos incêndios que grassam e destroem o país real, tanto quanto a caricatura da Justiça a que estamos entregues. São notícias relidas em papel de jornal com areia que competem as de medalhas lusas no campeonato de atletismo em Barcelona, e de emotivos jogos de futebol a feijões ou o prenúncio de glória que constituem as auspiciosas contratações leoninas. Nessa escala, uma Imperial bem tirada, bem loirinha e cintilante com milhares de bolhinhas em sinuosa e apressada ascensão, ganha uma importância incomensurável. Bendito o inventor daqueles mágicos 200 ml de refrescante prazer dourado. Melhor do que uma imperial bem gelada só duas imperiais bem geladas, com uma bela travessa de amêijoas à Bulhão Pato e umas fatias de pão alentejano. Em boa companhia, claro.

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por João Távora às 20:41

Quinta-feira, 29.07.10

Uma crónica da estação tola

 

Esta coisa da idade não é só desvantagens, a experiência e a memória podem ajuda-nos a descodificar certas modas caricatas como esta da pulseira POWER BALANCE®. Quem não se lembra duma muito semelhante, ocorrida nos anos oitenta e que consta enriqueceu o João Rocha, o antigo presidente do Sporting? Tratava-se duma pulseira de bronze, em forma de ferradura, cujas extremidades eram rematadas com duas esferas. Dela também se dizia que afastava maus espíritos, e outros desequilíbrios provocados por malvadas frequências electromagnéticas.

Trinta anos depois a receita é recuperada com sucesso, de novo à boleia duma crise, impulsionada pelo espírito da estação tola e quem sabe em substituição dos fetiches regulamentares, como a bela gravata, relógio caro ou o carro da empresa que não dá jeito levar para a praia. Um insuspeito amigo meu que encontrei aqui em Milfontes, engenheiro de formação académica adquirida em dia útil, garantia-me, orgulhoso da sua POWER BALANCE® de trinta e cinco euros, que não tinha a certeza dos efeitos, mas que achava que sim, que notava mais equilíbrio a andar de mota, e que “temos que acreditar nalguma coisa, João”.

Admirável é como esta irresistível moda que começou no pulso duns quantos mediáticos, jogadores de futebol e figurantes de entretenimento, que vem crescendo por conta de alguns artigos de jornais e revistas, torna-se uma onda imparável, um grande, enorme negócio: daqui a duas ou três semanas, uns quantos terão feito fortuna com este Conto do Vigário; milhões e milhões de pulseiras vendidas, incluindo novas versões, mais clássicas ou arrojadas, incluindo a da loja do chinês, igualzinha às outras, acessível à mulher-a-dias e usada pelo empregado de mesa da estância balnear. Será esse o ponto de retorno: a coisa cairá então em fulminante desuso e descrença, anátema de provincianismo, de mau gosto e classe baixa.

É assim a história das pessoas, que precisam de acreditar em alguma coisa, de ter o conforto e a auto-estima, a esperança depositada num qualquer fetiche, trapo ou horóscopo. No fundo sendo tudo isto uma tontaria inofensiva, é uma história que nos revela para além da falta de uma Fé madura e experimentada, muita, mas muita, fragilidade escondida.

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por João Távora às 18:35

Quinta-feira, 29.07.10

Manuel Alegre desertor

 

Este artigo publicado hoje no jornal i trata dum não assunto, um não caso. Se Manuel Alegre terá sido um dia um militar menos empenhado ou um desertor, se traiu a sua amada platónica pátria, se fez contra-informação ou contra propaganda através da Rádio Argel ao lado do inimigo, suspeito que sejam factos pouco relevantes tendo em conta o seu eleitorado. A esquerda radical representada pelo Bloco e a ala jacobina socialista é por natureza contra poder, internacionalista, anti-nacionalista, anti-militarista, com simpatias anarquistas e pseudo-pacifista. Ao nicho eleitoral do candidato Alegre o boato da sua pretensa traição no antigo ultramar até cai como sopa no mel. De resto, mantenho a convicção de que as eleições presidenciais, com resultados por demais previsíveis, são totalmente irrelevantes e inúteis para a redenção nacional do atoleiro em que se encontra: pura perda de tempo, um inconsequente e caprichoso dispêndio de recursos e energias.

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por João Távora às 18:35

Sexta-feira, 23.07.10

Domingos e dias santos

O povo num assomo de consumismo numa feira em Boticas

 

Devo ressalvar que nada me obsta que as grandes superfícies comerciais passem a abrir ao Domingo. Não concordo com o proteccionismo ao comércio de proximidade que tem e teve ao longo do tempo todas as oportunidades para se adaptar. Se assim fosse, também se criavam barreiras para o comércio electrónico (de que sou fã) que prolifera de mansinho, 24,00hs por dia 365 dias por ano: do pão quente ao leite do dia, aos discos, livros e medicamentos, quase tudo podemos comprar com grande economia através do computador em lojas virtuais. Por exemplo, veja-se aqui como criar e comprar a sua camisa exactamente à sua medida. Quanto à questão religiosa que alguma Igreja levanta, considero irrelevante: sempre existiram feiras e mercados ao Domingo a atrair comunidades e famílias “ao consumo”. Se um cristão falta à missa para ir ao hipermercado o problema é outro, bem mais difícil de resolver.

De resto achei muita graça ao comentário da nossa Luísa Correia ao post do Duarte recordando-nos como a polémica se repete, e como encontramo-la no princípio do século XX relativamente aos Grandes Armazéns que então nasciam. Curioso é que, sabendo nós que o republicanismo em Portugal foi um movimento essencialmente burguês, foram personagens como Teófilo Braga, talvez sob os auspícios de outro eminente republicano, Francisco de Almeida Grandella, que em 1904 se opunha categoricamente e levantou a voz contra a instituição do descanso semanal dos trabalhadores, uma reivindicação popular na Europa desde o final do Séc. XIX: o descanço dominical, isto é, a morte de toda a actividade intellectual e fabril de um paiz, é o tédio ou a ruína. É o suicídio social para a gente fina que se diverte. Um domingo de Londres é, para os habitantes de Londres, o peor e o mais negro e húmido dos seus nevoeiros.

 

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por João Távora às 14:54

Quinta-feira, 22.07.10

Milfontes aí vamos nós!

 

No meio das grandes mudanças que têm abalado a minha vida profissional perspectivam-se umas almejadas férias já a partir de Sábado.

Por duas semanas será tempo de me importar com as marés, com a temperatura do mar, passar pelas brasas, ler romances e muitos jornais, brincar com os miúdos, passear com a minha Senhora. Tudo isto até que num fim de tarde de calor, de dentro duma piscina cavada na areia em maré vazia, a realidade se me exiba clarividente. Depois, que venha o Mundo que a vida pega-se de caras.

 

PS.: Aqui voltarei sem hora ou compromisso, por gosto e prazer como (quase) sempre foi.

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por João Távora às 17:58

Quinta-feira, 22.07.10

O lobo a tomar conta dos cordeirinhos

 

O Professor António Reis Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e eminente socialista foi o escolhido para dar chancela “científica” à mini-série de ficção histórica da RTP a emitir em Outubro  por ocasião do centenário da implantação da República.  A afinal o centenário é um tacho e a república um banquete entre amigos. Uma bestialidade que mete nojo.

 

Daqui

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por João Távora às 17:56

Terça-feira, 20.07.10

Novas fracturas

 

Assisti ontem na SIC notícias a um curto mas interessante debate sobre as recentes propostas de revisão constitucional  de Pedro Passos Coelho entre o Pedro Lomba e o Daniel Oliveira, que ufano perorava sentado em cima das conquistas constitucionais de Abril que veiculam a governança a um modelo marcadamente ideológico e datado. Daniel Oliveira no seu intimo acredita que discussão é uma veleidade: a constituição de Esquerda é um direito adquirido, um guião imutável, cristalizado. Com ele apenas partilho a convicção das qualidades dum regime parlamentar, não o indígena, mas o fundado num colégio mais exigente e até mais representativo dos seus eleitores, e em que o Chefe de Estado, não obrigatoriamente um presidente da república, se resguarde num papel simbólico e último reduto de arbitragem. De resto eu reconheço o mérito à nova direcção do PSD em trazer à ribalta um tema tão decisivo quanto fracturante, que ao contrário dos da Esquerda se situa bem acima do baixo-ventre.

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por João Távora às 18:37

Terça-feira, 13.07.10

Um desperdício de latim

 

O bom português quando usa uma palavra estrangeira sente-se moderno, cosmopolita e dono duma grande ciência. Por isso desconfio dum secreto orgulho vivido quando soube que José Sócrates tinha feito valer uma Golden Share para lixar os espanhóis e o negócio aos accionistas da PT. Certamente essa medida não teria obtido o mesmo sucesso se tivesse sido através duma reles “participação decisiva” ou coisa parecida. Golden Share tem outro sainete. É tal e qual um Test drive, que afinal trata-se duma inigualável experiência de condução exclusiva de quem se prepara para se enterrar uma pipa de massa a comprar um automóvel.

A grande invasão dos anglicismos começou de mansinho no tempo dos meus pais com os filmes de Cowboys e com o After Shave, até chegar dominadora e despótica aos dias de hoje com o Outlet, o Underground e o casamento gay. Subitamente toda a gente se refere a downloads, feedback e barbecue, e gaba-se de ter um Account que lhe cobra as taxas na conta bancária. E se lhe derem conversa ouvirão termos como pricing e banking. Para mim este delírio começou quando eu era pequeno com a Baby sitter, o mais das vezes uma parente mais velha que nos fechava às escuras no quarto às dez da noite. Daí até ao Check in, Check out ou Cheesburguer foi um saltinho. Tudo por culpa do marketing que no tempo do meu avô era simples propaganda, uma palavra tão bonita que já ninguém quer usar. E vieram os personal trainer, os deadlines e os franchisings. Claro que subiram as taxas de divórcios e o consumo de Donuts, para desgraça das bolas de Berlim. De caminho pessoal obteve um Upgrade nas fórmulas de percepção da realidade com o conceituado Feeling que obteve bastante sucesso substituindo o nosso tradicional dedo que adivinha: hoje qualquer Tuga que se preze pode decidir baseado num bom Feeling.

Nos últimos anos, sem dúvida foi o Car jacking que trouxe um toque extra de modernidade ao linguajar indígena, tal como acontecera nos anos noventa com os Interfaces, os Shoppings e o Jogging, um singular desporto que consiste em correr a arfar pelas ruas ou caminhos. Agora não sabemos viver sem a Internet, os Mass media, os Overbookings e os Pace makers. Hoje em dia até os pescadores são vitimas de Phishing, e para nos livrarmos duma Newsletter no email é uma carga de trabalhos; uma miúda gira é uma Top model e é provável que até use um pearcing.  É o mundo virado ao contrário, um triste destino de colonizados para o qual não há Golden Share que nos safe.

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por João Távora às 10:04

Domingo, 11.07.10

Nós portugueses

 

A sobrevivência de qualquer comunidade, da mais circunscrita como a família, à mais alargada como o caso duma Nação depende, de entre outros factores, de uma cultura de serviço e altruísmo, ou noutra palavra, de “amor”. É sobre esta perspectiva que eu descreio profundamente na viabilidade duma Pátria sustentada em contas de mercearia, na disputa de interesses individuais ou corporativos, assente numa cultura de conflito permanente com a sua História, na desconstrução sistemática dos seus símbolos e tradições. Atingida a Idade do sacrossanto indivíduo, democratizado o hedonismo, o grande desafio da democracia, para a sua própria sobrevivência, é a restauração da mística desse “amor”, cimento último de qualquer tribo. Reduzidos por estes dias à figura de Consumidores, com existência circunscrita às estatísticas e sondagens, para toda a sorte de duvidosos interesses, tal metamorfose só será possível através duma inspiradora metapolítica que nos resgate uma causa comum, para voltarmos de novo a ser um Povo.

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por João Távora às 18:36

Sábado, 10.07.10

Uma final Real

Beatriz, rainha da Holanda e princesa de Orange-Nassau

 

Do Mundial de Futebol apenas dos vencedores reza a história, e amanhã como bom patriota estarei a torcer pelos Países Baixos, nossos ancestrais adversários além-mar, mas históricos aliados europeus dos portugueses: isto de palmilhar a história empoleirados nesta exígua extremidade da península com o colosso do vizinho espanhol ao lado a respirar-nos para o pescoço, jamais seria possível sem alguma audácia e... inteligência geopolítica.

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por João Távora às 21:25

Sábado, 10.07.10

Declaração de (des) interesse

 

O jogo de apuramento do 3º lugar do Mundial de Futebol não tem interesse algum, e desconfio que mais do que uma “consolação” representa uma cruel punição em que as duas equipas se arrastam num cruel confronto dos atletas com o seu fracasso e a sonhar com as férias.

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por João Távora às 21:00

Quinta-feira, 08.07.10

Deixai dormir a rapaziada

 

Li algures há uns dias num jornal qualquer que um grupo de cientistas do sono descobriu que, da infância para a adolescência, o relógio biológico se atrasa na hora do despertar. Isto acontece e acentua-se justamente quando a rapaziada inicia o segundo ciclo escolar, por aí a fora com um horário mais exigente, madrugador, causa dum impiedoso jet lag crónico sem direito a isenção de taxa moderadora.

Eu, sem ser cientista nem nada que se pareça, atesto que os adolescentes simplesmente não gostam de acordar cedo, muito menos para cumprir obrigações, uma coisa desumana que não fui eu que inventei, garanto. E sei como a coisa se torna mais difícil depois duma noite de borga ou  nas férias do Verão. De resto parece-me que é de desconfiar daquele que acorde de madrugada sem ser por uma razão imperativa (um despertador ou pai ou mãe zelosos): ou está deprimido ou apaixonado, duas perturbações psicológicas por sinal bem frequentes nos adolescentes. Como se já não bastassem as borbulhas!

Enfim, não sei qual é a conclusão a retirar destas descobertas cientificas mas compraz-me que haja quem ande a estudar este tipo de fenómenos, na busca da Verdade e de soluções que nos facilitem a vida. Não sei em quê, mas isso é outra questão.

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por João Távora às 16:55

Quarta-feira, 07.07.10

João Moutinho - conversa barata ao gosto da época estival (leitura a acompanhar com uma imperial bem gelada)

 

Sem querer branquear a responsabilidade da actual direcção sportinguista que no mínimo podemos apelidar de desastrada, parece-me que urge focar a questão João Moutinho sob outro prisma: o da sua reincidente deslealdade e o das teias dos empresários dos jogadores, uma máfia que há uns anos para cá vem tomando de assalto os clubes futebol.

Voltando às origens deste mimoso tema, torna-se-me hoje clara a ingenuidade do Sporting, induzida por uma tão arriscada quanto compulsiva política de austeridade, de querer construir uma equipa competitiva fundada na estabilidade e permanência dos seus activos da academia, ávidos de quimeras, riqueza e fama dos seus predecessores bem sucedidos. Mais ingénua foi a aposta num capitão de equipa com vinte anos, na pretensão de que algum sentimento mais elevado do que o nível da relva perpassaria na perversa cabecinha do zeloso e recatado atleta. São os piores: um ano depois, quando já Moutinho atingira o tecto salarial praticado na equipa, em vez de dar um soco no seleccionador chamou os jornalistas para dizer que queria sair do Sporting, supõe-se que por causa duma proposta de 15 milhões do Everton. O caldinho estava entornado, a notícia vendeu que nem cerveja em dia quente de Verão. (sai mais uma se faz favor!)

Tendo em conta este historial, o desfecho da novela só surpreende por ser tardio. Consta que desde então diversas aproximações entre as partes foram frustradas, e que o rapaz aconselhado sabe Deus por quem, queria sair a todo o custo. Quem rebobinar a época anterior, depressa constatará que tais intentos eram bem visíveis e essa falta de tenacidade perpassava a quase toda a equipa, com falta de renovação e concorrência interna. Eu próprio na actual conjuntura da indústria do futebol deixei de acreditar na receita da estabilidade do plantel, quando as diferenças de competitividade se jogam em minúsculos detalhes na preparação física, táctica e… motivacional. Mas a cor da camisola não conta nada, zero.

É assim que, perante estes factos, quer-me parecer que o negócio de onze milhões de euros e um defesa central de 1,90m não é mau de todo e que constitui uma jogada de alto risco de Pinto da Costa, tendo em conta o (mau) carácter do jogador - a ver se daqui a dois anos o menino caprichoso não dá às de Vila Diogo outra vez para… o Benfica! O único ganhador certo com este negócio foi um empresário chamado Pini Zahavi.

Bettencourt, o desajeitado presidente da direcção em quem sem alternativa credível me vi forçado a votar, depois de uma primeira época aziaga tem este ano uma decisiva prova de fogo: pela primeira vez é dele todo o desenho da estrutura do futebol, a planificação da pré-época, equipa técnica e plantel. Espero que os resultados sejam bons e visíveis em campo, que o Sporting dispute cada jogo com alma leonina. Faz-me falta essa ilusão e o entusiasmo do estádio ao fim de semana. De resto também é preciso sorte, que um bestial está à distância duma besta por uma bola na trave ou uma entorse num dedo do pé. Fazer disso julgamentos definitivos e conversa mole toda armada em rebuscada politiquice, é para mim um enorme tédio, um peditório pró qual não quero dar.

Alma até almeida e uma Imperial gelada por favor!

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por João Távora às 11:16

Segunda-feira, 05.07.10

Uma Causa Nacional

 

Por mais que tal seja silenciado pelos grandes meios de comunicação do regime, suspeito que o sistema duma chefia de Estado monárquico constitucional atrai muitas mais simpatias em Portugal do que nos querem fazer crer. Para além daquelas elites e quadros que se escondem mais ou menos envergonhados nos diversos partidos e órgãos de poder da república, basta puxar a conversa na rua ou nas escolas, percorrer os mais influentes blogues e redes sociais para obter consciência de que a Causa Monárquica tem adesão e muitos simpatizantes. E aqui refiro-me a “simpatia” com o seu significado intrínseco e distinto de “militância”: para descanso dos mais empedernidos republicanos, a questão da chefia do Estado está longe de ser prioritária para a frágil classe média portuguesa, para quem são decisivas as contas da governança corrente de que depende a subsistência material duma família portuguesa.

De resto, como eu previ há algum tempo, desconfio que o que prevalecerá nas comemorações do Centenário da República por este País que se arrasta acabrunhado na História e no fundo de quase todas as tabelas de indicadores de bem-estar e progresso, é a brutalidade e infâmia do regime antidemocrático que sobreveio sujo de sangue em 1910, e que degenerou no regime de Salazar. O que sobrará destes festejos inusitados, é o reconhecimento e a divulgação duma outra bandeira que foi portuguesa e de liberdade.

Aqui chegados, acredito constituir o próximo dia 5 de Outubro, que está já aí na curva do calendário a seguir às férias, uma oportunidade ímpar na História para uma pacífica mas categórica mobilização de muitos portugueses monárquicos ou simples simpatizantes. Julgo que esta será uma ocasião preciosa para se prescindirem de divisões, comodismos ou egoísmos e sairmos à rua para restaurarmos o sonho de sermos Portugal. Não constando ainda nenhum programa ou acção para a efeméride que se aproxima, cabe à direcção nacional da Causa Real em consonância com as Reais Associações locais, assumirem com ambição o protagonismo que o calendário e a História este ano nos oferece de mão beijada. E cabe decididamente a todos os simpatizantes desvanecerem as suas dúvidas e hesitações e prepararem-se para assumirem o protagonismo que a ocasião exige.

No próximo dia 5 de Outubro a todos se nos exige a devolução da esperança ao futuro de Portugal. Onde seja, estaremos presentes.

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por João Távora às 12:57

Quinta-feira, 01.07.10

Onde é que se escondem os liberais quando o país necessita deles?

 

Como afirma Sílvia Oliveira hoje no I os accionistas da Portugal Telecom já conheciam com que regras estavam no "mercado" e a posição de Sócrates que agora exibe ao povo uma posição patrioteira e de esquerda, como um precioso troféu.

Até ver a PT, mais propriamente a VIVO, é considerada uma empresa estratégica para os interesses soberanos da Nação, vá-se lá entender porquê. De resto, o que sobra desta palhaçada, é a coerência do Partido Comunista que sempre defendeu a suas nacionalizações, além da confirmação do indelével adn socialista do regime. Nem o CDS lhe escapa, caramba!

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por João Távora às 21:54




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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