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João Távora



Quinta-feira, 31.03.11

Falando de trabalho...

 

A precariedade do actual modelo de negócio da imprensa “tradicional”, ainda justamente apelidada como "O Quinto Poder", ameaça e compromete um jornalismo independente dos interesses e seus "jogadores". Enquanto a publicidade na Internet não for rentável, e a prenunciada revolução dos Tablets não se tornar uma realidade, a situação tenderá a degradar-se. Porque só uma verdadeira insubmissão económica concede aos Meios uma linha editorial verdadeiramente livre e criteriosa, que implica pagar o devido valor a profissionais em quantidade e qualidade, criticamente atentos a uma realidade política tão dinâmica quanto complexa.

É neste contexto ganham poder as grandes agências de comunicação que ocupam o espaço deixado vago, e assumem o papel promovendo  nas redacções leituras em defesa dos seus clientes ou leiloando escândalos dos seus adversários. Sejamos claros: se por um lado é do mais elementar bom senso o investimento numa gestão profissionalizada da imagem e reputação de qualquer agente social, torna-se cada vez mais premente uma autêntica independência dos meios face aos “actores”, para que se defendam duma relação viciosa. Mas se com isto a democracia e a liberdade de expressão são os primeiros valores ameaçados, a seguir são lesadas as próprias agências de comunicação na sua diversidade, sufocadas no mercado pelos grandes potentados e monopólios, remunerados que são pelos poderosos, sejam eles os grandes partidos políticos, bancos ou empresas na alçada estatal. Um jornalismo independente significa também a promoção da diversidade e sã concorrência, até nas imprescindíveis agências de comunicação.  

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por João Távora às 14:43

Quarta-feira, 30.03.11

Do vagar

 

Já não é só a frenética cidade, mecânica, electrónica, esquizofrénica: atropelados pela vertigem virtual, mediática, escapa-nos a Essência. Caminhamos sem olhar pró caminho, guiados por códigos ergonómicos e imagens plastificadas que nos entram pelos olhos dentro numa cegueira de procura. Entorpecidos e cegos de Sentido. Quando foi a última vez que olhámos para a lua, que ouvimos um coração, escutámos o silêncio?
A realidade fala baixinho mas é coisa completa, sem mediação: só acessível num vagar táctil e silencioso que inquieta. Afinal há uma verdade que se oferece escondida na vontade, subjugada pelas pressas e aflições. Pressa que não tem o meu menino, quando guarda uma folha de árvore seca como se fosse o seu maior tesouro. Quando na espera à janela  (sempre a espera) se espanta, e com o dedito desafia a gota minúscula que desliza hesitante no vidro embaciado.
É só no vagar e no silêncio que ecoa o mistério, o espanto que é urgente, antítese da indiferença, do tempo que passa, envelhece e mata sem sabor nem sentido. O espanto dum demorado abraçar, aninhado numa entrega absoluta. O Amor, com odores familiares, sons secretos e gentis texturas, ardentes de vida. O regresso ao sereno mistério duma Catedral que brilha no silêncio da noite, em festa pelo reencontro, pela ressurreição. Como é urgente o vagar.

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por João Távora às 17:01

Terça-feira, 29.03.11

Palavras tolas, orelhas moucas!

As declarações de Lula da Silva à comunicação social ontem num jantar com Mário Soares e José Sócrates sobre a malignidade duma intervenção do FMI e que hoje ribombam nos media, como qualquer wishful thinking, são completamente inúteis. Certo, certo, é que o Estado português terá que se financiar nas próximas semanas em milhares de milhões de euros para cumprir os seus compromissos. Foi nos mandatos deste governo socialista, que ainda sonha com obras faraónicas como o TGV e o novo Aeroporto de Lisboa, que a dívida soberana quase que duplicou. Se mais ninguém lhe emprestar dinheiro, não restará alternativa a Sócrates do que pedir ajuda ao FMI. Cá se fazem cá se pagam!

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por João Távora às 12:14

Segunda-feira, 28.03.11

O mau perder (2)

O Daniel Oliveira “denuncia” no Arrastão aqueles que seriam os resultados eleitorais de Godinho Lopes se vigorasse a norma de um voto por sócio nos estatutos do Sporting Clube de Portugal - ganhava o Bruno Carvalho. Mas não vigora: sendo discutível, essa norma existe para valorizar a fidelidade (uma palavra avessa à estética revolucionária) ao clube e (justamente) para defendê-lo de demandas golpistas. Acredito que este popular bloger do Bloco de Esquerda já conhecia as regras do jogo antes destas Eleições e só entendo a sua contestação nesta altura do campeonato à luz do seu percurso político. Desafio-o a deixar-se de tiques revolucionários e a propor a alteração dos estatutos numa Assembleia Geral. E a descarregar saudavelmente o seu espírito insurrecto na bancada dum jogo de futebol. Ganhávamos todos. 

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por João Távora às 12:18

Segunda-feira, 28.03.11

O mau perder

 

 

 

No Sábado desloquei-me a Alvalade com o meu filhote pequeno para votar num futuro para o meu clube. Para além da enorme afluência deparei-me com  um acto eleitoral que me pareceu bem organizado e muito civilizado. Estava longe de adivinhar o quadro de “guerra civil” decorrente da vitória à tangente de Godinho Lopes: em democracia, concorrendo-se sob regras determinadas e aceites por todos, por um voto se ganha, por um voto se perde. 

Este é o pior dos cenários que podia acontecer a um Sporting em profunda fragilidade financeira, e à sua equipa de futebol em processo de desagregação. Incrédulo, pergunto-me o que estará verdadeiramente em jogo. Tenho muitas dúvidas que, com a batalha político-jurídica encetada, Bruno Carvalho e a sua claque, para além duma extraordinária promoção mediática, não venha a conquistar mais do que o cadáver daquilo que um dia foi um histórico clube de futebol campeão, paixão de gerações. Tudo isto trata-se afinal de um leonino pesadelo, um tétrico guião que não caberia nas mais perversas cogitações dos nossos adversários, que assistirão deleitados à indecente telenovela que, receio, perdurará até à última gota de sangue da vítima sacrificada.

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por João Távora às 11:18

Sábado, 26.03.11

Dia de eleições

A maior diferença entre o País e o meu Soprting é que no primeiro quanto piores são os resultados mais pagamos em quotas.

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por João Távora às 11:19

Quarta-feira, 23.03.11

Terra queimada

 

A ausência estrategica, à vez, do primeiro-ministro e ministro das finanças dum debate da importância como o de hoje em S. Bento, a "casa da democracia" ou "da soberania" como lhe chamou Paulo Portas, não significa certamente uma vontade de corresponderem aos reptos de Sampaio e Alegre ao diálogo e dar prioridade ao interesse nacional. Depois do manifesto desrespeito pelos partidos e chefe do Estado, hoje foi a altura de Sócrates e Teixeira dos Santos demonstrarem o seu inequívoco desprezo pelo parlamento. Gente ordinária e indigna, esta. 

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por João Távora às 18:06

Quarta-feira, 23.03.11

Vamos a votos, sim!

 

Os barões e senadores socialistas (e como eles são muitos e com tanta “voz” ao fim de décadas de “caminho para o socialismo”), vêm fazendo apelos bombásticos à responsabilidade “dos partidos” (do PSD, subentendido) chantageando com as consequências trágicas duma crise política. Eles não querem largar o poleiro, querem mais tempo para encobrirem as trapalhadas que fizeram, com outras borradas. Tragédia, meus senhores, foi a situação a que chegámos com José Sócrates, que só poderá piorar se o povo se vir inibido de sancionar um governo incompetente e fraco que em tudo o ludibriou. Essa é que seria uma verdadeira tragédia.

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por João Távora às 16:12

Quarta-feira, 23.03.11

A atracção do... centrão

 

Depois de um congresso em que os discursos repetiram à saciedade a falência do modelo socialista e a consequente oportunidade de uma afirmação alternativa à direita, não entendo a necessidade de Paulo Portas insistir na disponibilidade do CDS numa solução de governo "alargada"que inclua o PS. Não me parece que tal proposição mobilize o seu eleitorado natural ou conquiste o descontente, mesmo que tal cenário se revele inevitável por razões patrióticas.

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por João Távora às 16:11

Terça-feira, 22.03.11

Até sempre Artur

Artur Agostinho

 

Recebi chocado a triste notícia da morte de Artur Agostinho, com quem há alguns anos tive o grato privilégio de privar na organização de um espectáculo de Natal para os empregados dos Hotéis Tivoli. Deste grande comunicador  guardarei a imagem de um homem generoso e humilde, para além de um bom senso e simpatia raros no seu meio. Perseguido pelos senhores da revolução em 1974, foi a este ilustre Sportinguista que coube a celebre locução do “cantinho do Morais” que em 1964 deu a Taça dos Vencedores de Taças ao seu (nosso) clube do coração. Nas nossas memórias prevalecerá sempre o seu incontornável protagonismo no clássico Leão da Estrela de 1947 realizado por Arthur Duarte. Também não esquecerei jamais o seu divertido papel no programa Zip-Zip, em particular no concurso “Sim ou Não” que muito me fascinava então, no qual o Artur entrevistava ardilosamente os concorrentes no propósito de os pressionar a proferirem as palavras proibidas. De resto, sendo eu desde pequeno um aficionado da telefonia, há muito já sentia a falta da sua afável e inconfundível voz, que estou certo marcará de forma indelével a história da radiofonia lusa. Entretanto, do cidadão responsável e atento, julgava-o interveniente e activo, e isso ajudava-me a sentir o Mundo um local mais familiar e aprazível. Sinto imenso a sua partida. Até sempre Artur.

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por João Távora às 15:04

Segunda-feira, 21.03.11

A luta continua

 

Apesar de não electivo e sem polémicas expectáveis, foi inegável o grande impacto político do XXIV Congresso do CDS, um dos mais participados e entusiásticos de sempre. O acontecimento revelou-se uma grande demonstração de unidade quanto às prioridades, perante a oportunidade de crescimento e afirmação do partido, no culminar da falência do socialismo a que Nação Portuguesa vem resistindo há décadas. Se dúvidas houvesse sobre a competência e tenacidade de Paulo Portas, elas seriam dissipadas pela forma como o partido tem cavalgado o esgotamento desse modelo, e pela renovação de quadros de inegável qualidade que a direcção vem patrocinando e protegendo.

Do outro lado do espelho, vislumbram-se preocupantemente palpáveis os vícios que emanam da desmesurada ambição do líder na perspectiva de controlo absoluto do partido. A vergonhosa instrumentalização do Congresso de Viseu, expressa na tentativa de anulação duma iniciativa independente como a Moção Alternativa e Responsabilidade, retirando-lhe maquiavelicamente o palco, revelou-se tão gratuita quanto desnecessária: uma liderança forte e aglutinadora não se compadece com estas pequenezas. 

. Das vinte intervenções para abordagem na especialidade das matérias da Moção, às 3,00hs. da manhã tinham-se realizado três, e a Mesa havia reduzido o tempo para dois minutos por pessoa. Paulo Portas ao desmultiplicar a sua Moção em sete “sectoriais”, e repartindo as apresentações pelas suas figuras em “promoção”, acabou por monopolizar, desvalorizar e restringir um debate que se desejaria construtivo e plural. Estranho é que o mesmo líder que diagnostica a tal emergência duma sociedade “pós-partidária” (indiferente aos partidos e organizações), não promova a credibilização e transparência dos processos para dentro da estrutura, numa demonstração do mais ordinário desprezo pelos militantes empenhados. 

Dizia-me um amigo que o golpismo regimental dentro dos partidos e particularmente em congressos é moeda corrente, sendo que a sua banalização pouco comove os aparelhos instalados, muito menos a comunicação social. Esta é uma triste realidade a que as bases inconformadas e livres não podem jamais ceder, para que em tempo certo os bons costumes e propósitos não deixem de fazer a diferença, contra uma Direita enfeudada ao politicamente correcto e com tiques relativistas.

Finalmente, como balanço, fica o reforço da iniciativa liderada por Filipe Anacoreta Correia, demonstrada na entrada para a comissão política de Pedro Pestana Bastos, um dos grandes dinamizadores da Moção, e de Gonçalo Maleitas Correa, além do aumento de cerca de 40% votos para o Conselho Nacional em relação ao congresso anterior, mantendo-se a sua representatividade em cerca de 20% dos eleitores. A luta continua.

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por João Távora às 21:12

Sábado, 12.03.11

Jornalismo à rasca

 

O aparato com que a televisão estatal intermedeia as reportagens da geração à rasca e “directos” ao estúdio ao lado, onde uma mini redacção improvisada exibe e comenta imagens da tragédia no o Japão, constitui verdadeira uma parábola sobre a pobreza franciscana do nosso jornalismo… e sobre o relativismo editorial.

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por João Távora às 21:58

Quinta-feira, 10.03.11

A nova etapa

Sem que nutra especial simpatia por Cavaco Silva reconheço-lhe a virtude de ter sido imprevisivelmente responsável, denunciando realidade nua e crua aos portugueses. A verdade também (?) fica bem à política. Claro que foi calculista: o presidente conhece melhor que ninguém a hecatombe financeira que nos espera e as suas trágicas consequências. Entre os paninhos quentes e ficar conotado com o destroço de governo que nos trouxe aqui, ou servir aqueles a quem mais tarde ou cedo caberá a missão de reconstruir o País, preferiu os segundos.

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por João Távora às 12:28

Quinta-feira, 10.03.11

A minha única Alternativa

 

O fenómeno do crescimento da extrema-direita, ou do alheamento dum certo espectro conservador da população, está quanto a mim intimamente ligado com a falta de competência da Direita democrática, que, na ânsia de ser aceite e aceder ao poder, se domestica ao centro, encravada num discurso politicamente correcto, penhorando assim as suas bandeiras naturais por troca duns quantos chavões populistas.

O CDS desde a fundação incorporou como sua esta ambiguidade. Obrigado a assumir um discurso “Centrista” para sobreviver num espectro político e eleitoral amputado pelos senhores da revolução, o partido acabou por constituir acolhimento de todos aqueles que não se reviam no unívoco discurso progressista saído do PREC. O pensamento então predominante, com mais ou menos lirismo significava à época, em termos de posicionamento político, aquilo a que hoje chamamos “Centrão”.  Em consequência disso em 1976 coube ao CDS assumir a sua natureza sociológica, e na Assembleia Constituinte afirmar-se como o único partido a rejeitar o socialismo como desígnio constitucional, veleidade que ainda hoje lá perdura inscrita, mesmo que com expressão meramente (?) estética.

Daqui decorre que, ontem como hoje, a mensagem da Direita não pode jamais ceder na sua forma, por natureza sóbria e realista; ou conceder no conteúdo, guardiã que se deverá afirmar dos valores da Vida e da Família, de Valores como o da Honra e da Verdade, de Valores desacreditados como os do Trabalho, do Mérito e do sentido de Serviço. Estes são aspectos que muitos portugueses ainda aspiram ver defendidos com autoridade e convicção, antes que um dia, desiludidos, se virem para radicais quimeras, ou, tão mau quanto isso, se alheiem definitivamente do seu próprio destino, incrédulos e descrentes naqueles que os deveriam representar.

O meu envolvimento na Moção Alternativa e Responsabilidade ao XXIV Congresso do CDS tem a ver com tudo o que atrás escrevi. Para além disso, tem a ver com a sintonia ideológica e profunda amizade que me une a alguns dos seus subscritores, para além duma uma ligação sentimental antiga que nutro por este Partido que me acolheu ainda em tenra idade, depois do 11 de Março de 1975.

Para finalizar estas considerações, não quero deixar de afirmar estar eu certo de que no próximo dia 19 em Viseu a actual Direcção saberá valorizar uma iniciativa como esta, que como um salutar sinal de crescimento e maturidade do partido, confere densidade critica e ideológica a um projecto que queremos acima das pessoas que circunstancialmente o representam. 

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por João Távora às 09:45

Quarta-feira, 09.03.11

Portugal necessita de uma Alternativa

 

 

Retirado daqui

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por João Távora às 11:31


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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