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João Távora



Segunda-feira, 31.12.12

Boas entradas, feliz 2013!

Para ouvir alto e em boas condições acústicas - Duquesne Whistle, a genial abertura do novo álbum de Bob Dylan, Tempest, o meu disco de mesa de cabeceira do momento.

Bom ano a todos!

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por João Távora às 21:39

Segunda-feira, 31.12.12

A mais longinqua viagem sonora a um Natal do passado

No Natal de 1906, a família Wall canta dois temas alusivos

 

Quem acompanha as insignificâncias a que dedico a minha escrita, entende o fascínio que sobre mim exerce este artigo do Daly Mail sobre um avô que resgatou do seu sótão o fonógrafo e uma série de cilindros com as mais antigas gravações sonoras “feitas em casa” até hoje conhecidas. Cerca de 24 minutos de registos diversos, feitos pelos seus antepassados e que inclui impressionante “retrato” duma longínqua festa de Natal de 1902 que aqui reproduzo, foram doados ao museu de Londres. (Para ouvir os ficheiros, clicar na ligação em baixo da respectiva imagem)
 

No Natal de 1904, o Senhor Wall e alguns convivas endereçam votos de Boas Festas

 

Da minha experiência com uma série de cilindros com que este ano fui presenteado - e que aqui deixei testemunho em devida altura - nenhum dos "gravados em casa", (cujas caixas referenciam a anedotas, fados e cantigas) está em condições mínimas de audibilidade, afectados por um fungo que ataca a cera. Em dois deles devidamente assinalados, consegue-se adivinhar cantorias e monólogos, mas para conseguir uma nitidez razoável será necessário investir um dia num sofisticado trabalho de filtragem sonora, com meios e técnicas que não são muito acessíveis. Um projecto que espero cumprir, porque o som é um precioso complemento da imagem... e porque se nos orgulhamos de exibir na sala o retrato do nosso avô, como seria fascinante possuirmos um seu “postal” sonoro como recordação, não vos parece?

 

Nota: 
Agradeço a Victor Santos Carvalho que me fez chegar a "notícia" do Daily Mail

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por João Távora às 19:13

Domingo, 30.12.12

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Domingo da Sagrada Família

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por João Távora às 22:07

Domingo, 30.12.12

O cordeiro imolado


De passagem pelo Jornal da Noite da TVI deparo-me com a enésima reportagem a explorar à saciedade o filão Baptista da Silva onde se evita uma vez mais substância: as suas teses que tanto excitaram a nossa “gente limpa”. De resto há por aí bastantes doutorados e licenciados com curriculum académico e atestado partidário, que do pondo de vista substantivo se limitam a explorar a conveniente narrativa “não pagamos” do burlão. Estes dias de obscura desesperança favorecem a emergência de Baptistas da Silva que afinal por aí pululam em absoluta impunidade. E já agora porque não deixam o outro, o de imitação, em paz? É que já cheira a esturro.

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por João Távora às 21:59

Quinta-feira, 27.12.12

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Tempest - Bob Dylan 2012

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por João Távora às 21:51

Quarta-feira, 26.12.12

O haraquíri do jornalismo

 

O caso Baptista da Silva é todo ele uma irónica parábola sobre a crise que por estes dias perpassa e se agudiza nos media tradicionais. É curioso como o burlão, promovido por um jornalista de nomeada de um semanário de referência nacional não tenha sido denunciado pelas “convenientes” intrujices que proferiu em vários palcos, mas antes pela descoberta do seu falso curriculum. Como sempre em Portugal o que conta é o estatuto.
Numa altura em que através das novas plataformas “sociais” tanto a opinião e análise de qualidade quanto a gestão de agenda politica ou corporativa se autonomizam cada vez mais dos meios de comunicação institucionais, não tenho dúvidas que a prazo poucos deles resistirão no actual modelo de gestão. Apenas irão sobreviver os que fundarem a sua actividade na excelência do profissionalismo, reflectindo os factos de forma isenta, analisados por atentos e meticulosos peritos, que sejam capazes de aferir discursos coerentes ou contestar raciocínios viciados ou cálculos mentirosos. Para alimentar conversas de café e amplificar bitaites sectários, já há para aí batalhões de blogues e ávidos activistas das redes sociais. Deixar-se seduzir e enredar nesta lógica é simplesmente o haraquíri do jornalismo. 

 

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 17:44

Segunda-feira, 24.12.12

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FELIZ NATAL!

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por João Távora às 17:51

Sábado, 22.12.12

Outras cantorias

Os meus mais de cinquenta anos, muito brio e algum suor permitiram-me gradualmente juntar, além de um sistema estereofónico bastante competente, umas valentes centenas de discos, compactos e vinis, numa criteriosa colecção erigida com gozo e empenho de que me orgulho. É curioso como, através de meios informáticos, tenho-os quase todos convertidos em mp4 ocupando cerca de cinquenta gigabits numa pequena geringonça japonesa, a qual, de modo aleatório, por autor, por faixa, por género ou por álbum, consegue reproduzir integral e interruptamente por mais de uma semana. Chama-se a isto “desmaterialização”, é bom para a “portabilidade” (dá para ouvir no carro) e serve de cópia de segurança (não sei bem de quê).
Mas o que ultimamente me seduz, mais do que o som analógico ou a amplificação a válvulas, é a gravação mecânica, que funciona sempre, seja na praia, no campo ou no deserto, sem pilhas nem corrente eléctrica, sem software nem hardware, só com umas voltas à manivela e uma variedade de valsas, marchas e cantorias literalmente do outro mundo. Reconheço que a amplitude das frequências sonoras resulta bastante limitada, mas até isso tem o seu fascínio, quando ganhamos uma perspectiva mais ampla da efémera música popular, devolvendo à  vida a uma gravação com cem anos, por exemplo de Arthur Collins, um popular barítono americano do princípio do século XX, o "rei do Ragtime". Ou nos deliciamos a escutar Fred Astaire, a cantarolar "Maybe I Love You Too Much" de Irvin Berlin em 1931, antes de se celebrizar como actor e dançarino. E afinal de contas, não é deplorável a qualidade sonora debitada pelos modernos computadores portáteis, com que tanta gente se deleita a explorar músicas no Youtube?

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por João Távora às 22:41

Sábado, 22.12.12

Afinal o mundo já estava perdido antes de eu nascer...

Excerto da espantosa festa de Holly Golightly (A. Hepburn)... em Breakfast at Tiffany's rodado em 1960 - baseado na notável novela de Truman Capote com o mesmo título.

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por João Távora às 21:24

Sexta-feira, 21.12.12

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Lá em casa chamávamos "azedas" que atingem o seu esplendor em Janeiro e Fevereiro, com um caule saboroso, suculento. À falta de outras guloseimas, sabia que nem ginjas!

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por João Távora às 15:34

Quarta-feira, 19.12.12

Homens...

 

De uma coisa eu estou certo: a defesa deste Orçamento de Estado por Vítor Gaspar tem exactamente o mesmo fundamento da  aprovação por Paulo Portas: razões patrióticas. Vistas as coisas ao contrário: este odioso Orçamento de Estado é assumidamente um infortúnio, tanto para Gaspar quanto para Portas. E como faz falta por estes dias de tormenta, quem se chegue à frente com um discurso de verdade, coerente e mobilizador - política, enfim. De resto sabemos bem quem são normalmente os primeiros a abandonar o barco adornado.

 

Foto filtro Instagram

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por João Távora às 12:05

Terça-feira, 18.12.12

Solo do acordeão

Medley of Buck Dance - Kimmel. Janeiro 1910

 

Como já referi noutro texto sobre a matéria, a gravação mecânica registava muito mal os graves e os agudos. Nada como uns metais vigorosamente soprados, a voz humana bem entoada... ou um bom tema acordeão para favorecer a clareza duma gravação. Curiosamente, neste registo notam-se levemente uns acordes dum instrumento de cordas que presumo ser um banjo. Se isto não algo proto-jazz, vou ali e já venho.

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por João Távora às 18:26

Sábado, 15.12.12

A urgência da cidadania

Estou inteiramente convencido de que não será possível fundar de novo uma aristocracia no mundo, mas penso que que os simples cidadãos, associando-se, podem criar no seu seio seres muito abastados, influentes e fortes, numa palavra, personalidades aristocráticas.

De Democracia na América
Alexis Tocqueville

 

Parece-me um terrível sinal de imaturidade democrática a generalizada aceitação tácita e indiferença às manhas, chapeladas, vezes demais utilizados pelas oligarquias partidárias instaladas na luta pelo poder. Um idóneo jornalista da nossa praça dizia-me impassível em conversa ontem à noite que esses procedimentos são tão habituais quanto inevitáveis, aplicados com mais ou menos maquiavélica sordidez, em todos os partidos políticos. Ora, não é estranho que a exigência de transparência democrática de um regime pare à porta de um congresso partidário, e que um salutar debate se sustenha à entrada de um Conselho Nacional, quantas vezes dominado pela estratégia da “matilha”? E que o mesmo se torne ocasião de protagonismo duns voluntariosos profissionais do tonitruante opróbrio para desacreditar o discurso dum parceiro que ponha levemente em causa a verdade oficial? Por outro lado também me ruboriza o despudor da repetitiva ostentação de mesuras ao grande líder, por tribunos que nunca noutra coisa exibiram obra ou competências. Protagonistas que ofuscam e empalidecem sérias análises e genuínas contribuições anónimas com substância e sabedoria.

Reconheço que a luta pelo “poder”, pela vertiginosa atracção que exerce o mítico objectivo, tão correntemente evoque a mais negra face dos intervenientes. E chego a admitir que já é um ganho que tanta violência se fique (quase) sempre pelas palavras.
No balanço do Conselho Nacional de ontem do CDS lembrei-me de algo que escrevi em tempos sob outro contexto: que para lutarmos pelas nossas convicções não é obrigatório sermos todos Assessores, Deputados, Vereadores, Ministros ou Secretários de Estado. Acontece que, mesmo que os aparelhos partidários não nos queiram lá, é nesse espaço intermédio de cidadania que todos somos poucos e onde fazemos mais falta. De resto, no que a mim me diz respeito, não sendo uma qualidade brilhante, acreditem que sou mesmo persistente. E livre.

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por João Távora às 08:31

Quarta-feira, 12.12.12

Jingle Bells

 

... por Ethel Smith, a virtuosa organista que encantou os nossos avós nos anos 40.

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por João Távora às 19:44

Domingo, 09.12.12

Discos e riscos

Mother Fuzzy - Charlie Barnet and his Orchestra1945 

 

Se crescemos a vida inteira orgulhosos da ilusão de que somos senhores da nossa construção, dos nossos gostos, das escolhas, políticas, estéticas, literárias e artísticas; é sempre uma renovada surpresa o prazer quase infantil de usufruir a contingência do que nos é simplesmente oferecido. Como os artefactos encontrados no sótão dos avós, ou as descobertas numa (legítima) incursão na biblioteca de um estranho com os seus bibelots, fotografias, livros e músicas. 
Era assim no início antes de ganhar manias e armar aos cucos com critérios musicais, preconceitos literários, mais rebeldes ou conservadores. Quando eu era pequeno, pelos meus cinco ou seis anos, na altura em que o meu padrinho me ofereceu um pequeno transístor que trouxe a telefonia para a minha vida, na casa dos meus avós na Avenida da Liberdade era-me concedido o privilégio de explorar muitas dezenas de discos que eu espalhava pelo chão e escutava num gira-discos “mala” que a minha tia Isabel me deixava “tocar”, como que hipnotizado pelo indolente rodopiar do rótulo colado sobre o vinil. Isso acontecia por tardes inteiras, entre livros do Tintim e antigas encadernações da revista juvenil “Fagulha”, com muitos bonecos e historinhas que se entendiam quase sem saber ler. De resto, havia Adriano Correia de Oliveira, Rita Olivais, Jacques Brel, José Afonso, Música no Coração, My Fair Lady, Oliver Twist, France Gall, Beatles, Bee Gees, e muitos outros “singles” pop, que os discos de música clássica estavam fechados no armário. 
Estas doces memórias vêm a propósito das experiências que o Fonógrafo e a Grafonola recentemente resgatados ao esquecimento num sótão da família me vêm proporcionado. Acontece que os cilindros e os discos antigos que possuo não foram escolhidos por mim em escaparates da FNAC ou dos catálogos da Amazon. São espólios proporcionam uma acriançada experiência de descoberta e puro encantamento… Dentro deste universo de escolhas para as quais não fui tido nem achado, sobra-me o gozo de explorar esta dádiva, um património que revisito, de novo esparramado na carpete, com a indiscrição dum voyeur que embala num progressivo processo de selecção, conversão e… encantamento.
O que vos garanto é que usufruo um indizível prazer na exploração destas gravações fora de uso e sem valor comercial, para, como o coleccionador de borboletas, pacientemente as identificar, admirar e classificar, devolvendo-as à existência, mesmo num som estridente e afunilado, tal qual como soava há cem anos quando, pôr a tocar um disco de 78 rpm, incluía dar à manivela e substituir a agulha, ritual capaz de encantar um salão que por três minutos vibrava em festa. 

Nunca escondi que tenho uma veia audiófila, apenas condicionada pelo bom senso e obvias limitações financeiras. Mas a montante desses caprichos e manias sempre esteve um enorme gosto pela música, por uma eterna sinfonia ou efémera canção.

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por João Távora às 22:45


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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