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João Távora


Terça-feira, 10.01.17

O bezerro de ouro do regime

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 Curioso aquele busto da república destacado à cabeceira do caixão de Mário Soares nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos como se fora um bezerro de ouro. Chesterton tinha razão quando afirmava que "quem não acredita em Deus tende a acreditar em tudo". 

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por João Távora às 20:23

Segunda-feira, 09.01.17

Da grosseria

Com algumas reacções à morte de Mário Soares nas redes sociais se comprova que tanto há gente alarve de direita como de esquerda. A grosseria é muito democrática. A diferença é que enquanto a direita se envergonha, à esquerda ela é arma para a revolução que não sobreviverá sem o ódio.

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por João Távora às 18:38

Sábado, 07.01.17

Mário Soares: Deus o tenha em Sua infinita misericórdia


Mário Soares esteve do lado da liberdade quando esta foi ameaçada. Eu estive na Fonte Luminosa, tinha 14 anos e naqueles tempos tumultuosos passava dias no Caldas a distribuir viveres aos retornados e noites em casa a rezar pelos nossos amigos que eram presos ou perseguidos. Assisti em directo ao seu confronto com Álvaro Cunhal. Soares foi corajoso e esteve no lado certo quando isso era arriscado.



Fiquemos com a recordação do Mário Soares bom e magnânimo - nunca nenhum outro presidente foi tão simpático para os Duques de Bragança a cujo casamento fez questão de ir e facilitar nas delicadas questões protocolares que se colocavam num evento que tomou dimensões grandiosas com honras militares e transmissão directa pela televisão pública.



Era laico, socialista e maçon, cometeu muitos erros e era desbocado. Deus talvez perdoe as suas falhas e pecados. A História encarregar-se-á de lhe fazer justiça.

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por João Távora às 18:58

Quinta-feira, 05.01.17

Populismos e Pós-verdades

Pelo que vi em duas horas de noticiário da SIC Notícias que passei em "F. Forward", o que de mais importante que marca a agenda do país é a sova que um adolescente levou há dois meses e a (in) competência dos árbitros de futebol. Só faltou o comentário do professor Marcelo, mas com a pressa deve ter-me escapado.

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por João Távora às 23:05

Quinta-feira, 05.01.17

Discos e riscos

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Para uns delicados ouvidos analógicos como os meus é reconfortante verificar como, a par do vertiginoso processo de desmaterialização da música e do crescimento exponencial do seu consumo através das de plataformas de streaming como o Spotify, Apple Music ou o Google Play, o mercado do vinil vai-se afirmando como uma consolidada alternativa para os verdadeiros melómanos e audiófilos. A comprová-lo basta verificar o espaço a ele reservado nas lojas Fnac, já para não falar da proliferação de novas lojas de discos nos grandes centros urbanos, ou pelo facto da versão em vinil de "Black Star" de David Bowie ter vendido globalmente perto de 500.000 cópias. No entanto convém realçar que este crescimento terá sempre como limitação os custos monetários necessários para a aquisição de um competente sistema de reprodução: um bom gira-discos com uma boa célula, um amplificador competente com entrada “Phono” e umas colunas adequadas ao espaço em que vão tocar. De resto faz-me alguma confusão a profusão de oferta de pequenos gira-discos de má qualidade, a maior parte com um atraente design “vintage”, que constituirão um logro para o consumidor, que rapidamente se perceberá que, para além de estragarem dos discos, não preenchem os valores mínimos de qualidade sonora comparativamente a qualquer pequeno dispositivo de reprodução digital, até o smartphone mais básico.

 

Publicado originalmente aqui.

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por João Távora às 12:22

Quarta-feira, 04.01.17

Alberto Gonçalves "despedido" do Diário de Notícias

Alberto Gonçalves DN Diário de Notícias Dias Co

A confirmação veio através de um post do próprio Alberto Gonçalves no Facebook: “só para evitar confusões: saí do DN por vontade da direcção”. Custa-me a acreditar que um jornal como o Diário de Notícias, que luta pela sobrevivência no exíguo espaço que sobeja para a imprensa dita “tradicional”, dispense um dos mais talentosos e populares cronistas da nossa praça. Como é que um jornal, qualquer que ele seja, que pretenda sobreviver nestes tempos em que perdem influência, dá assim um tiro no pé? Em compensação agora oferece-nos essa consagrada virtuosa da escrita que é Maria de Lurdes Rodrigues... A sensação que fica é que os editores não se dão bem com a pluralidade e com a irreverência, preferindo uma pena amestrada e complacente para com a oligarquia que nos pastoreia.

Há uns meses elogiei aqui esforço do DN pela inclusão deste colunista que lhe conferia uma qualidade extra ao Domingo, dia em que muita gente não dispensava a leitura dos textos ácidos e bem-humorados do Alberto Gonçalves. Suspeito que o DN não resista muito tempo a tantos maus tratos. Temo pelo futuro desta velha marca centenária do jornalismo português. Mas pensando bem talvez não seja grave: sobram sempre os blogs e as redes sociais. 

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por João Távora às 16:41

Terça-feira, 03.01.17

Um casamento feliz

Um casamento feliz não dá um bom romance muito menos uma boa crónica. Ninguém que tenha um casamento feliz é louco suficiente para assumi-lo em público. Um casamento feliz pode ser uma maçada para os outros e um incómodo para os casamentos que estão na luta para serem felizes ou não sabem que o são. Depois, toda a gente sabe que até no casamento mais feliz cai a nódoa. Certo é que um casamento feliz é um problema para a literatura. E a falta que fazem à cidade histórias de casamentos felizes...

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por João Távora às 10:30

Sexta-feira, 30.12.16

Como a peste

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Emerge por estes dias um discurso catastrofista a propósito das "redes sociais", "pós verdades", "notícias falsas", "populismos" como se fossem novas pestes, o fim do mundo em cuecas. Assim se referiu a essas pragas José Pacheco Pereira que por motivos insondáveis adoptou nos últimos anos um discurso contra tudo, em especial a realidade que teima em não o compreender. Quando certas personagens como Pacheco Pereira se insurgem contra as redes sociais e os perigos do anti-intelectualismo – todos ignorantes todos iguais, a minha leitura da realidade vale tanto como a tua - a coisa soa-me a ressabiamento e ciumeira pura.

Hoje foi a vez de Miguel Sousa Tavares, um tipo porreiro que não consta ser um perito em coisa alguma, antes pelo contrário, tecer na sua coluna do Expresso pela enésima vez um rol de lamúrias e alertas sobre os perigos e a perversão acrescida do conluio entre os jornais e os media sociais. As pessoas com a idade se não se cuidam podem tornar-se amargas, já se sabia.

Convém relativizar o alarmismo acicatado pelas vitórias “populistas” no seu confronto com o politicamente correcto veiculado pela imprensa tradicional em dificuldades. Afinal o populismo (veicular o que é popular) sempre existiu - vejam-se os casos extremos dos discursos do PCP e do Bloco de Esquerda ou do PS durante o resgate da Tróica –  e não é mais que o discurso fantasioso de conquista de popularidade àqueles que se quer apear e as notícias falsas simples munições de propaganda, a mais antiga profissão do mundo a seguir à outra - e Pacheco Pereira conhece-a bem. Mas se tudo isto são notícias más que perturbam os nossos tempos, a boa notícia é que elas sempre existiram sob outras capas e formas. Não nos consola nada, mas a ignorância e a imprevidência na interpretação da realidade é um problema antigo. Que o Mundo é um local perigoso e que a escolaridade não erradicou a ignorância também não é novidade. Está visto que “quando todos morrermos da peste só ficarão na Terra os próprios Sousa Tavares e Pacheco Pereira”*. Entretanto, eles que aproveitem bem o palco que têm para proferirem livremente as suas generalidades.

* Frase de João Villalobos, um perigoso propagandista no Facebook.

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por João Távora às 19:41

Terça-feira, 27.12.16

O diabo à espreita

Marcelo é inteligente ao cavalgar o inédito período de paz social e de domesticação das esquerdas radicais (e dos sindicatos, por consequência) que lhe caiu do céu. Mas desconfio que o seu frenesim comece a virar-se contra si próprio a breve trecho. E aqui entre nós, o diabo está mesmo à espreita.

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por João Távora às 16:09

Sexta-feira, 23.12.16

O exemplo que vem de cima

Se encararmos o Natal com o espírito de "o que é que eu posso dar" em vez de "o que é que eu vou receber", no final estaremos sempre mais realizados. 

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por João Távora às 15:25

Quinta-feira, 22.12.16

Pré Natal iii

Nunca me tinham desejado "votos de continuação". O mundo está mesmo perdido.

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por João Távora às 13:04

Quinta-feira, 22.12.16

Pré Natal ii

Fenómeno da quadra: maridos abandonados em centros comerciais.

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por João Távora às 13:03

Quinta-feira, 22.12.16

Pré Natal i

Os principais prejudicados com a moda dos smartphones e tablets são os comerciantes de luvas.

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por João Távora às 13:01

Segunda-feira, 19.12.16

O factor humano

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Foi na quinta-feira passada que me desloquei a Coimbra, ao Tivoli, por ocasião da festa de Natal do hotel em que se celebravam os 25 anos da sua abertura, na qual numa outra vida eu participei. Foram momentos comoventes em que revi colegas e amigos de longa data passados num almoço que reuniu todo o pessoal do hotel no restaurante habitualmente exclusivo para os clientes.

Poucas pessoas terão a noção do que significa pôr um hotel acabado de construir a funcionar, e menos ainda da importância que para isso tem o factor humano. Tão importante como o edifício, o seu requinte, design e comodidades, são os diversos grupos de pessoas que, como formiguinhas, trabalham com mais ou menos discrição 24,00hs sobre 24,00hs nas ribaltas do grende "cenário".  Movem-se pelas zonas de serviço como as cozinhas, copas, andares, serviço de quartos, economatos, manutenção, escritórios de reservas, contabilidade ou comerciais; sem falar das equipas que dão a cara perante os hospedes e visitantes nos balcões dos bares, das recepções e portarias, ou a servir às mesas, na reposição das comidas, etc., etc. Um hotel é um microcosmos composto por uma larga equipa de dezenas ou centenas de pessoas, heterogenia e interclassista, por uma questão de disciplina e eficiência muito hierarquizadas. Integrados em equipas, certo é que todos os colaboradores se movem por resultados exigentes e cruzam-se nas zonas de serviço, balneários, refeitórios e sala de convívio, partilhando refeições e momentos de lazer entre os turnos, como se o hotel fora a sua segunda casa, uma casa onde se passa muito tempo, se vivem emoções fortes, frustrações e alegrias, tensões que geram conflitos e cumplicidades que se fazem amizades, como se o trabalho fora uma inevitável segunda família.
A gestão dos recursos humanos é por tudo isto o maior desafio na boa administração dum hotel. É o factor humano que ao longo do tempo imprime uma “cultura” própria à empresa, que pode cativar ou repelir o cliente. Se o marketing determinado para uma marca define um certo "carisma", as pessoas que o aplicam, no relacionamento entre si e com o cliente, vão ser sempre determinantes e condicionar o resultado.

Foi a trabalhar nos hotéis que depois de passar por diversas funções e experiências descobri a minha profissão de Relações Públicas e mais tarde de Marketing e Comunicação em que hoje trabalho. A maior parte dessa experiência de vida adquiri-a ao serviço dos nos Hotéis Tivoli, uma marca com história e genuinamente portuguesa, com um carisma muito forte, onde o factor humano foi sempre valorizado.

A cadeia de Hotéis Tivoli têm origem na Pensão Tivoli na Avenida da Liberdade fundada no final dos anos 20 da associação entre os empresários José Cardoso e Joaquim Machaz. Estes dois empreendedores construíram uma marca incontornável na história da indústria hoteleira portuguesa. Depois de várias reformulações, a partir dos anos oitenta o grupo passou pelas mãos de diferentes accionistas até chegar aos dias de hoje em que o grupo hoteleiro foi resgatado  pelos tailandeses da Minor. Certo é que o seu principal capital sempre esteve nos empregados e na cultura que geraram ao longo de décadas. Por isso não foi surpresa para mim quando na quinta-feira em Coimbra me senti parte de uma grande família que não esquece os seus. Também eu não esqueço todos os amigos que lá deixei. 

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por João Távora às 16:36

Terça-feira, 06.12.16

Uma Renascença renascida

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Desde sempre um amante fascinado pelo fenómeno da rádio, em boa hora me chamou à atenção a nova dinâmica evidenciada pela Rádio Renascença que vem transformando não só a sua grelha de programação, mas a sua estratégia de comunicação: agora, o principal canal do Grupo Renascença parece finalmente interessado em alcançar um público cosmopolita que, sem preconceito contra a religião católica, procura estar a par da agenda política económica e social do país. Apresentando de forma muito dinâmica nos períodos de prime-time conteúdos de índole informativa, com notícias, transito, desporto, comentários e entrevistas a propósito dos temas candentes de sociedade e agenda política nacional e internacional, intercalados com apontamentos de música mainstream nacional e anglo-saxónica, a rádio Renascença assume por estes dias um posicionamento inédito, renovado e comercialmente afoito. Mas se essa mudança é a principal novidade desta rádio que se prepara para festejar os oitenta anos de existência, não menos interessante é de assinalar a inclusão nos radio-jornais de notícias de relevância sobre a Igreja com sintéticos comentários de especialistas, que assim, numa forma natural abrange um público muito mais alargado - e não apenas os cristãos convertidos, como antigamente sucedia, em pesados programas a eles destinados. Tudo isto parece-me tanto mais interessante quanto, em termos relativos, a rádio vem ganhando relevância no meio do modelo clássico de broadcasting e do jornalismo tradicional em acentuada decadência em virtude da sua inadaptação ao fenómeno da Internet e do advento dos média sociais. Não deixa de ser interessante que perante este panorama bastante adverso, a rádio apresente valores de audiência diária acima de 50% por cento da população (54,4% de "Audiência Acumulada de Véspera" segundo dados de Setembro último da Marktest é o número ou percentagem de indivíduos que escutaram uma estação, no período de um dia, independentemente do tempo despendido). E não deixa de ser curioso que o Grupo Rádio Renascença, uma rádio católica, dispute a liderança das audiências com 35,4% de share com o Grupo Média Capital com 35,5%. De resto, curioso parece-nos também o confronto entre a Radio Renascença que ostenta 8,2% de share contra os 5,7% da Antena 1 e os 2.9% da TSF, estações suas concorrentes directas.

Estes números significam uma responsabilidade acrescida que pesa sobre a Emissora Católica Portuguesa de se posicionar de forma consequente no espectro de oferta radiofónica nacional como uma verdadeira alternativa à fórmula laicista, relativista e politicamente enviesada com que a generalidade dos média de referência lêem o Mundo e a sua complexidade. Parabéns à Rádio Renascença, e que lhe não aconteça o fenómeno do árbitro que confrontado com a tarefa de arbitrar um desafio que envolva o seu clube de eleição, para calar as dúvidas sobre a sua isenção, acaba favorecendo o adversário.

 

Texto publicado originalmente aqui

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por João Távora às 15:19




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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