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João Távora



Quinta-feira, 20.04.17

A propósito de Senhor Dom Duarte e o Protocolo do Estado

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 O deputado socialista Ascenso Simões reconheceu na sua coluna da passada quarta-feira aqui no jornal i que a petição que por estes dias decorre online para a inclusão do Chefe da Casa Real Portuguesa no Protocolo de Estado “(…) não se apresenta recheada de problemas políticos ou institucionais, uma vez que D. Duarte é conhecido como herdeiro da coroa” e que “(…) o protocolo do Estado deve acomodar uma norma que permita aos mais altos representantes do Estado conferirem a D. Duarte, por tudo o que representa, uma dignidade única em circunstâncias especiais? A nossa opinião vai no sentido positivo.” Tirando a menorização dos monárquicos que pelos vistos Ascenso Simões execra, estamos de acordo com tudo o mais no seu artigo e é precisamente no sentido que afirma que a petição surge. De facto esta iniciativa não pretende "monarquizar" o regime republicano que nos coube em azar, e muito menos "republicanizar" a Instituição Real como receiam alguns monárquicos. A petição não pretende atribuir aos Duques de Bragança nenhum lugar na lista de precedências existente, essas constam do art.º 7.º da Lei e não se lhe pede alteração. O que se pede é que o representante dos reis de Portugal, quando convidado para qualquer cerimónia, nela tenha o estatuto honroso e digno, de "convidado especial", estatuto que não altera a lista das precedências do Protocolo. Implica apenas, e não é pouco, uma especialíssima relevância a conceder a um convidado que é, pelo que na verdade representa, “especial”. 

De resto as Reais Associações são por natureza e vocação uma “mixórdia”, no sentido de “misturada”, como lhes chama Ascenso Simões. Representam grupos heterogéneos, transversais, e por isso, talvez elas possam ser vistas pelos seus detractores como “mixórdias”. De facto as Reais Associações assentam na diversidade de que é feito o nosso país, nas várias regiões em que estão inseridas. Elas não se dirigem a um grupo em particular, facção ideológica, classe social ou elite cultural, antes se dirigem a todos os que não se conformam com a república a que chegámos em 1910 e que gostariam ver restaurados os valores permanentes da nossa portugalidade. Ora acontece que esses valores não sendo propriedade de ninguém, são seguramente protagonizados pelo Senhor Dom Duarte.
Finalmente, os defeitos que atribui aos monárquicos como eu, não nos impede de querermos ser cada vez mais e melhores. É por isso que estamos a trabalhar todos os dias.

 

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 12:35



5 comentários

De Manuel Lamas de endonça a 26.04.2017 às 10:53

1ª parte, se for autorizado
João Carlos Espada, que não precisa de apresentações, escreveu em 24 do corrente a propósito das eleições em França

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1ª parte, se for autorizado
João Carlos Espada, que não precisa de apresentações, escreveu em 24 do corrente a propósito das eleições em França

(...) <<O fenómeno parece acompanhar o que terá sucedido noutros lugares: no referendo britânico de Junho passado, centrado na restauração da soberania do Parlamento nacional; na campanha de Donald Trump nos EUA; nas turbulentas eleições da Holanda em Março; e certamente também no discurso político crescentemente dominante em vários países da Europa central e oriental. Como interpretar este regresso do sentimento nacional ao núcleo das paixões políticas de democracias liberais desenvolvidas e abastadas?

para voltar a entender este ponto de vista, recomendava a leitura de “Seymour Martin Lipset Lecture on Democracy in the World”, acabada de publicar na edição de Abril do Journal of Democracy. Ghia Nodia, um respeitado académico da Geórgia, desenvolve aí uma profunda e muito estimulante reflexão sobre a relação entre o sentimento nacional e a democracia.

O ponto de partida de Nodia é muito saudável: ele confronta as teorias dominantes sobre o chamado “nacionalismo” com os factos. Recorda, em primeiro lugar, que no século XIX o sentimento nacional esteve sobretudo associado ao crescimento da ideia de auto-governo democrático; em segundo lugar, que a resistência ao comunismo soviético esteve sempre associada ao sentimento nacional dos povos da Europa central e oriental; e, como referi acima, que o sentimento nacional parece estar de volta em democracias liberais tão desenvolvidas como o Reino Unido, os EUA, a Holanda e a França.

Os factos parecem por isso indicar uma séria dificuldade nas teorias dominantes sobre a obsolescência do Estado-nação e do sentimento nacional. De acordo com essas teorias, o Estado-nação estaria condenado a desaparecer, sobretudo devido à globalização e ao alegado atavismo do sentimento nacional.
No entanto, as previsões dessas teorias parecem estar a ser refutadas pelos factos. Porquê?>>
E prossegue o mesmo autor

<<Uma profunda razão filosófica,, prende-se com o equívoco do Iluminismo continental. Na verdade coexistiram vários Iluminismos,. Mas, no continente europeu, foi sobretudo o Iluminismo francês (a que Karl Popper chamou de racionalismo dogmático) que perdurou. Esse racionalismo dogmático (por contraposição ao racionalismo crítico, de base céptica e experimental) acredita que sabe, sem saber que acredita. Aspira por isso a eliminar todas as tradições que não possam ser geometricamente demonstrada>>

Recordaria que a História que se ensina, e incute, ao longo das gerações, é uma matéria plástica, reescrita, e sucessivamente moldada, pelos regimes vencedores
que sentem a necessidade de demonizar os regimes que os precederam, para fazer ressaltar,por contraste, a legitimidade e a bondade intrínseca dos regimes vigentes.
Não cabe aqui aturdir o leitor com a demonstração diacrónica desta realidade multissecular. e perene Mas é oportuno recordar que já Fernão Lopes, o pai da cronística Portuguesa, começou por denegrir o reinado de D. Fernando I para legitimar a Dinastia de Avis, como representante legítima dos interesses e valores do Estado-nação que era Portugal.
Situemos-nos apenas, para não dispersar, no caso Português e nas últimas gerações e faça-mo-lo de modo necessariamente esquemático e dialéctico
O Fontismo assentou sobre a refutação do Vintismo originado pela refutação do absolutismo.
O 5 de Outubro foi precedido por uma longa e aguerrida campanha contra o rotativismo parlamentar que serviu de base à destruição eficaz dos valores monárquicos equiparando-os a uma mitologia anacrónica justificativa da exploração de classes.
Mas os Republicanos da 1ª República eram visceralmente patriotas, e não se coibiam de o proclamar.

O 28 de Maio deu azo a uma (demasiado) longa, e não menos eficaz demonização dos valores republicanos equiparados ao populismo demagógico e ao caos instalado.

O 25 de Abril, dia em que um regime na sua fase senil e autista se desmoronou como um castelo de cartas, foi iniciado sob os auspícios de uma guerra fria moribunda e, inicialmente, serviu-se de um imaginário marxista, ele próprio aterosclerótico. Ver-se-ia obrigado a transsexualizar o socialismo social-democracia, num projecto europeu de carácter federalista

De Manuel Lamas de endonça a 26.04.2017 às 12:17

2.ª parte
Cedo se tornou evidente que o objectivo europeu federalista não iria reunir o consenso plebiscitário popular que o legitimaria democraticamente. E o projecto constitucional laboriosamente.elaborado pela equipa de Giscard d'Estaing transexualizou-se no tratado de Lisboa. Um Tratado opaco que orbitava já no processo liberal de globalização.E uma organização corporativa sem luz, sem ar e sem transparência, que passava a funcionar autonomamente, com a arrogância de se desligar e prescindir do comum dos cidadãos

Assistimos neste momento ao que parece configurar um repudio da globalização e um despertar dos patriotismo. Assim escritos porque a deformação dos conceitos sabiamente orquestrada pela engenharia social faz equivaler nacionalismo a uma raiz unívoca e maldita.
Resumindo e concluindo: todos os regimes são efémeros, mas seguem falando e agindo como se a história os tivesse petrificado para a eternidade.
Mas os Estados-nação, que demoram séculos a sedimentar a sua maneira de ser e a sua forma de estar, aparentam sobreviver aos regimes, e aos contextos hegemónicos dos chamados ventos da História.
E o que hoje é seguro, garantido, ortodoxo e institucional, pode deixar de o ser de um instante para o outro.
Pessoalmente entendo que o regime actual poderá ter ultrapassado já o seu prazo de validade.
Pessoalmente entendo, e a Europa conforta-me, nesse sentido, que uma monarquia moderna corresponde e melhor, mais barato ao formato moderno de um Estado-nação
E quer-me parecer que os jovens plumitivos cristalizados por anacrónicas "juventudes partidárias" demonstrariam uma avisada prudência em se absterem de deixar cair sentenças graves como se representassem valores e instituições mineralmente eternas

De Manuel Lamas de endonça a 27.04.2017 às 10:14


Eu é que te agradeço teres a paciência de me deixares desabafar as minhas perplexidades de equilibrista numa paísa (o feminino para nós é o contrário de depreciativo) onde tudo corre bem e tudo é estável e definitivo, mas situado num subcontinente explosivamente instável onde as certezas de ontem se confundem já com o repudio de hoje e a incerteza de amanhã.
Lembras-te de Galileu: - e apesar de tudo move-se!
Manuel

De Manuel a 27.04.2017 às 16:16


O laconismo faz-me suspeitar que desafinei. Peço a maior das desculpas, vivo isolado e tenho mau ouvido e o coração ao pé da boca. Pelo menos ficará ciente de que o meu péssimo ouvido não foi de modo algum intencional
Manuel

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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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