Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

João Távora



Terça-feira, 13.06.17

A vida bloqueada num ecrã de 4 polegadas

telemoveis.jpg

Leio hoje no jornal i que, segundo um estudo do projecto FAQtos desenvolvido no INOV – INESC do Instituto Superior Técnico, a maioria dos jovens portugueses desde os 10 anos já têm telemóvel. Responsável pela educação de quatro filhos em que se inclui uma criança dessa idade, confesso que esta noticia me choca. Acontece que procuro remar contra essa maré até ao limite das minhas forças pois tenho para mim que este fenómeno significa um retrocesso civilizacional com consequências incalculáveis para o desenvolvimento humano das novas gerações. Um dia destes na televisão ouvia um professor de educação física reclamar como, após finalmente instalada uma oferta de infra-estruturas desportivas por todo o território nacional, aqui chegados se tornava cada vez mais difícil seduzir os jovens para a actividade desportiva; de como ele nos últimos vinte anos testemunhava uma mudança radical na paisagem dos recreios escolares: daquela antiga em que os alunos povoavam todos os espaços possíveis improvisando campos de futebol com balizas feitas com as mochilas, à dos nossos dias em que a grande maioria se entretém nos intervalos e horas vagas solitariamente a consultar o seu telemóvel.

Quem conhece as potencialidades de entretenimento (de alienação) dos modernos dispositivos, com jogos e aplicações espantosamente atractivos e viciantes sabe bem o potencial nefasto que eles significam para as crianças incautas. Uma alternativa à relação com a realidade e às relações humanas com as suas frustrações naturais, que assim são substituídas por "realidades alternativas" e relacionamentos virtuais, superficiais, ilusórios. Sei que mais tarde ou mais cedo terei que ceder às expectativas do miúdo, que anseia por ter um telemóvel como se isso significasse a sua redenção e a sua passagem para o mundo dos mais crescidos. Mas antes disso acontecer, cabe-me limitar-lhe tanto quanto possível os potenciais danos, permitindo-lhe o convívio com os amigos sem intermediação tecnológica: joguem à bola, brinquem com brinquedos, disputem videojogos em grupo, vejam filmes e partilhem leituras com os pais. Até ao limite das minhas forças. Temo muito pelo futuro destas gerações “mais bem preparadas de sempre” cheias de "tecnologia" mas que não sabem trabalhar num Excel nem nunca leram um livro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 00:56





Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Instagram

Instagram

calendário

Junho 2017

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
252627282930