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João Távora



Segunda-feira, 05.02.18

E o Louçã que não gosta de contos de fadas...

É uma tentação irresistível, mas de vez em quando um descendente ideológico de Afonso Costa, esse impoluto “democrata” que depois de 1910 com os seus capangas encheu as prisões indistintamente de monárquicos e sindicalistas, que restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos votantes descer de 75% para 30%, tem de vir dar prova de vida a perorar contra a Instituição Real. Desta vez foi o Reverendo Louçã, inspirado pelo "Podemos" de nustros hermanos que se impressionou muito com o agraciamento da Infanta Leonor, a princesa herdeira do trono de Espanha, com o Tosão d’ Ouro, uma ordem dinástica atribuída muito restritivamente, tradicionalmente recebida pelo herdeiro da coroa espanhola em tenra idade. Curioso é perceber que republicanos como Louçã aprofundam tanto os seus estudos de genealogia - e, no caso, da pureza das linhagem dos Bourbons - mas fingem não perceber como a Instituição Real em Espanha é muito mais do que “um conto de fadas para revistas cor-de-rosa”: quando necessário foi garante da democracia e da Constituição, mas acima de tudo é sustentáculo contra a desagregação da Espanha. Aliás, conhecendo as causas do sacerdote Louçã, logo se descobre que "desagregação" é a palavra-chave da sua agenda, e fica-se desconfiado com o seu papel no Banco de Portugal ou de Conselheiro de Estado. A desagregação da Europa, a desagregação das Nações, a desagregação da democracia liberal, a desagregação das empresas, a desagregação da família, a desagregação da Igreja e de tudo que seja instituição fiável para o progresso de comunidades sólidas e livres. Entende-se porquê: esse caos de desagregação é o campo fértil, a única fórmula de conquistar gente revoltada e insatisfeita que se abalance para o seu projecto revolucionário do Homem Novo, como é exemplo vivo a Venezuela e as outras repúblicas tão ao seu gosto na sua juventude. No fundo, a coisa que mais frustra o Dr. Louçã são as monarquias europeias onde os revolucionários como ele jamais conseguiram por o pé em ramo verde, países em que a comunidade se revê nas suas resistentes instituições, e por isso sempre alcançam a prosperidade. Infelizmente para nós, em Portugal dão-lhe demasiado protagonismo. Porque será?

MariaFrancisca.jpg

Nota: pensei ilustrar este post com uma fotografia de Louçã, mas pensando bem, porque prefiro um conto de fadas a um filme de terror, escolhi a fotografia de uma princesa. Porque sou um patriota aqui fica a da infanta D. Maria Francisca que é por certo uma das mais bonitas da Europa.

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por João Távora às 21:34



3 comentários

De Anónimo a 06.02.2018 às 10:15

Meu Caro João

Receio bem que não tenha aflorado uma questão incidental de alergia cutânea .O Doutor Louçã que, que seguramente não terá herdado dos seus varonis pai e avô, o travozinho anacronimente clerical das suas fobias (refiro-me a clerical na exacta acepção escolhida por Guerra Junqueiro para a sua Velhice do Padre Eterno) , terá tido acesso, como alguns de nos tiveram, ao chorrilho concertado de comentários de antemão preparados para tirar proveito populista de uma efeméride meramente simbólica e consuetudinária. Quase privada.
A desproporção entre o fato trivial que os motivou e o ângulo de desvios fala por si.
Lamento constatar que coincidem no mesmo Francisco Louçã, um académico respeitável e respeitado. Um analista geralmente lúcido. Um homem que creio movido pelos mesmos ímpetos de Justiça Social que nos fazem mover aos três, e uma personagem caricatural, no qual obscuras descargas alérgicas de adrenalina e testosterona, fazem eclodir um Mister. Hide Guerra Junqueiriano e Afonso Costista.
Que, durante esses estados de possessão, perde a lucidez e se deixa instrumentalizar.
O respeito intelectual não nos pode toldar a visão abrangente de uma bipolaridade do foro clínico
Cordialmente o
Manuel Lamas de Mendonça
PS Muito obrigado pelo retrato da Infanta Francisca, vamos torcer para que essa rapariga se mantenha unipolar. Quero dizer: que o seu aspecto físico, coincidente com aquele que desejaríamos para as nossas filhas, continue a coincidir com a singeleza saudável e exigente, que continuamos a reconhecer nalgumas Princezas.

De João Távora a 08.02.2018 às 10:27

Caro Manuel, Mas como é que tão ilustrado académico e que se queira dar ao respeito usa distorcer a realidade com tamanho despudor?
Abraço,

De Anónimo a 11.02.2018 às 19:14

Caro João
Ele há fobias. Ele há alergias. Ele há obnubilações do senso crítico.
Eu , por exemplo: perco a cabeça com o despudor e o silêncio timorato dos especialistas perante o aquecimento global antropogénico na versão Al Gore. E invisto de cabeça baixa.
Acontece-me o mesmo com o menino da lágrima, que negoceio e apalavro em todas as feiras do Ribatejo.E os retratos de Maria Goretti
E com a última ceia em metal prateado debruada a veludo encarnado.
E com os espelhos redondos em madeira negra com aplicações em prata, muito anos quarenta, gnomos irlandeses de loiça, enfim centenas de coisas que as pessoas adoram. Todo um cenário onde vejo perpassar o engraçadissimo actor António Silva que Deus guarde.
Se fossemos ricos, a João e eu, teríamos uma sala exclusivamente decorada com estas fobias, e mobilada a torcidos e tremidos ou estilo tipo Luís coiso; tudo sobre certos tapetes de Beiriz protegidos por plástico.. E quando um se portasse mal passava o dia todo exilado nessa sala.
O Senhor Doutor Louçã, a quem a Mãe talvez tivesse empanturrado com estórias de Princesas (existiam algumas dessas estórias verdadeiramente impagáveis) sempre que ouve falar em princesas, reage como eu ao menino da lágrima: temos um espasmo epiléptico ligeiro. e babamo-nos um bocadinho dos neurónios.
Mas felizmente eu não costumo escrever sempre que tenho espasmos epilépticos. Nem queria o Doutor Louçã para pai, suspeito que não fosse excessivamente divertido no dia a dia...
Cordialmente o seu
Manuel

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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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