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João Távora



Terça-feira, 11.04.17

Jogo perigoso

O dia seguinte.jpeg

 

Os programas de debate futebolístico à segunda-feira nos canais de notícias vêm-se tornando numa autêntica aberração imprópria para crianças e gente civilizada - caio lá demasiadas vezes nos meus zappings à procura de notícias depois do jantar e fujo quando a coisa azeda, que nunca demora muito tempo. Na busca de audiências, que o mesmo é dizer, transpondo para a discussão verbal o mais básico fanatismo das claques, a conversa descamba com demasiada frequência para a insinuação e o insulto, que propicia cenas de algum embaraço quando a ténue fronteira do descontrolo emocional ameaça desabar entre os oponentes.
Sou do tempo em que no Sporting se debatiam fórmulas de atrair a família, nomeadamente senhoras e crianças para as bancadas do estádio, mas receio que o percurso feito nos últimos anos pelos clubes, através de políticas de comunicação extremamente agressivas, vem sendo inverso: a seguir a cada jogo, no espaço público que vai entre as televisões e as redes socias, toma lugar uma batalha verbal com pouco compromisso com a verdade e ainda menos com a boa educação. Voltando às televisões, desconfio que os responsáveis dos programas, que se não são os primeiros responsáveis, são cúmplices activos, estão simplesmente esfregando as mãos expectativa duma cena de descontrolo ou até de pugilato que exponencie as audiências, que por um dia catapulte o seu programa para os píncaros da popularidade, como se de um radical reality show se tratasse. Veja-se o caso do “Prolongamento” na TVI de ontem em que José de Pina e Pedro Guerra despudoradamente perderam a compostura (presumo que seja habitual).
Acontece que sou um amante do futebol, que preza a rivalidade acesa dentro das quatro linhas, transposta para as bancadas dentro dos limites mínimos das salutares regras de civilidade. Não compreendo que se critiquem os jogadores ou os espectadores quando se descontrolam e se aceite passivamente que esse jogo perigoso seja extrapolado para a televisão com um discurso que toca as raias do irracional como se fosse legítimo.
Sou do tempo em que as televisões e o jornalismo tinham pretensões pedagógicas e sabiam o seu papel na sociedade. Não me parece que a busca de audiências justifique um espectáculo tão indigno quanto aquele que se vê nos serões das segundas-feiras por essas TVs.

Publicado originalmente aqui

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por João Távora às 13:46



2 comentários

De Manuel Lamas de endonça a 12.04.2017 às 12:27

Ora mui bons dias .é com o mais sincero dos embaraços, torcendo as mãos, e metendo os pezinhos pra dentro, que me atrevo a confessar esta coisa insólita e inaudita num português
Acho que aquele gentleman que faz de presidente do conselho europeu ,ao exortar-nos de dedinho estendido à moderação nos gastos com o álcool e o belo sexo (sim sei que existem expressões menos alam-bicadas para dizer isto, mas deixo-as para ele) se esqueceu dos estádios de futebol.
Batam com jeitinho porque sou um velhote frágil, mas não gosto deste futebol de gigantesco negócio siciliano nem das suas maquievelicamente exploradas incidências sociais e políticas. Nem do neo-jogo Hollywooddesco em que se transformou, nem dos profissionais da política espectáculo que vão desde as claques e jogadores até aos treinadores e corpos presidentes..

Mas é claro o povão gosta, está-lhe nos genes deste o pão e o circo...

Calma, silêncio, eu pedi silêncio; o senhor aí importa-se de não me atirar mais garrafas â cabeça, ó minha senhora não me agrida com o guarda chuva por alma de quem lá tem., deixem-me acabar, calo-me já !

Peço-vos uma coisa só Para entenderem o que é que eu entendo pela violência nos futebois vão ao Tube e procurem uma coisa chamada os lobos e as princesas que é a filmagem do nosso hino, a Portuguesa,, cantado por duas selecções nacionais
Está lá tudo!

Sempre que o avião curva e desce sobre uma terra quase cor de África,, com a sua miniatura enternecedora dos Campos Elísios, e o sol me afaga o cachaço com brandura sinto que cheguei à Pátria.
E, chegado a casa, ainda com as imagens das explosões, das frotas a avançarem, da miséria a alastrar como bolor, e das manhozices do agitprop politiqueiro, acendo a televisão nacional
No primeiro que canal futebol
No segundo idem
Ibidem no terceiro

Abençoada ilha de autistas, coço a barriga da gata, e ronrono, neste bunker de sol e futebol onde as coisas parecem acontecer noutras galáxias...
Não se esqueçam you Tube <>, está lá tudo, e à flor da emoção,e nem é recomendável pensar ,

Vosso alienígena de serviço

Manuel Lamas de Mendonça

De jpt a 13.04.2017 às 13:38

eu nem zappo (exclui esses canais da minha lista de selecções) aquilo. Do que vi em tempos é vergonhoso demais

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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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