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João Távora



Segunda-feira, 17.07.17

O inalienável direito ao entretenimento e à leviandade

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Neste artigo publicado na semana passada no jornal i sobre  abandono da religião pelos millennials (a geração que atinge a idade adulta no novo milénio, agora entre os vinte e os trinta anos), o fenómeno é justificado num destaque como tendo origem no acesso a mais informação por essas novas gerações. Sem querer contrariar aquilo que me parece ser uma evidência, o declínio da religiosidade na Europa e em Portugal, atribuo as causas disso mais à decadência do próprio Ocidente do que à proclamada "facilidade de acesso ao conhecimento", que me parece um mito - o verdadeiro "conhecimento" é por natureza difícil de aceder e equacionar. Pretender que a prática religiosa é proporcional à ignorância (ou à falta de informação) parece-me um equívoco recorrente e pouco inocente. Para tanto basta verificar como ao longo dos tempos o conhecimento conviveu pacificamente com a religiosidade de boa parte das elites culturais. Não me parece intelectualmente honesto afirmar que Santo Agostinho, Bacon, Burke, Dostoiévski, Kierkegaard, Pascal, Scruton, Galileu Galilei, C. S. Lewis, J. R. R. Tolkien ou Chesterton fossem pessoas pouco informadas. Ou que dizer do poeta Ruy Belo, da escritora Agustina Bessa Luís, ou dos recém-convertidos ao catolicismo, o encenador Luís Miguel Cintra ou a jornalista Clara Ferreira Alves? A verdade é que chegados aos nossos dias a religiosidade apresenta-se frequentemente parceira da erudição. Era Afonso Costa que afirmava acreditar que a prática religiosa se extinguiria numa geração informada"? A perda de religiosidade dos povos europeus pode ter diversas causas, mais ou menos directas, mas nenhuma estará ligada ao acrescimo de “conhecimento”. Atrevo-me a afirmar, "antes pelo contrário". Qual será afinal a origem da perda de exigência filosófica, num mais profundo questionamento existencial por parte das novas gerações? Não será o inalienável direito ao entretenimento e à leviandade? 

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por João Távora às 19:14



1 comentário

De João José Horta Nobre a 18.07.2017 às 16:51

O Cristianismo foi a vingança das elites judaicas contra o Império Romano:

http://historiamaximus.blogspot.pt/2016/07/o-cristianismo-foi-vinganca-das-elites.html

O Cristianismo é uma religião de semitas. Não faz falta nenhuma ao Ocidente e ainda bem que se está a extinguir.

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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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