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João Távora


Segunda-feira, 15.05.17

O que seria, meu Deus!

O meu filho pequeno arrisca-se a uma severa crise de fé: cumpridor das suas orações, confidenciou-me, não disfarçando alguma frustração, que anda há algum tempo a pedir a Deus Pai "super-poderes" que promete usar só para o bem, principalmente na escola. 

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por João Távora às 10:02

Quarta-feira, 07.09.16

Pokemons e um pouco das nossas raízes

Emídio Navarro.jpg

Esta tarde arranquei o miúdo pequeno da modorra de casa onde aguarda o início das aulas como um condenado. Levei-o para o meu escritório em Cascais onde tinha uns assuntos urgentes para despachar e depois partimos para uma prometida "jornada de caça aos Pokemons" pelas ruelas da Vila. Fomos ao jardim da Gandarinha pela Cidadela, mostrei-lhe a casa na Rua do Gama onde morei antes de casar e a casa onde a minha mãe nasceu e passou longas temporadas balneares com os meus tios, na Av. Emídio Navarro - que aproveitei para fotografar. Não terá sido fácil ao pequeno imaginar a avó enquanto jovem com os amigos a andar de bicicleta na antiga Parada onde se juntavam. Mas é com a história que desvenda as nossas raízes que nos tornamos maiores que a nossa contingência.

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por João Távora às 11:27

Sexta-feira, 22.04.16

Códigos

Ontem de manhã, estacionado o carro perto da escola, quando eu ajudava o meu filhote pequeno a por a mochila (sempre carregada de mais) às costas, ele avisou-me que só a queria com uma alça ao ombro. Apesar de vê-lo todo torcido para andar equilibrado, concedi, porque percebi que era assunto sério. Isso ficou comprovado hoje ao ver a irmã mais velha sair para o liceu nos mesmos preparos, e quando o miúdo pequeno a caminho da escola confirmou-me apontando os exemplos na rua, que a rapaziada agora se divide em dois grupos: os fixes que levam a mochila só num ombro… e os outros

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por João Távora às 10:02

Sexta-feira, 15.04.16

Um raio de sol pela manhã

Como acontece muitas vezes pela fresca, esta manhã, terminado o pequeno-almoço, o meu miúdo pequeno veio estender-se na minha cama para aproveitar os últimos minutos enquanto eu me arranjava. Então, atirei efusivo (a ver se ele não adormecia) - Bom dia miúdo! como te está a correr o dia?
- A esta hora ainda não houve tempo de acontecer nada, como um terremoto ou assim - respondeu-me.
Surpreendido com a imaginação, não me deixei ficar e atirei:
- Oh também não é preciso acontecer uma catástrofe, não era bem mais divertido se uns extraterrestres parassem aqui à frente da janela numa grande nave espacial para nos raptarem?”.
Depois de pensar um instante, respondeu-me com o ar desconfiado:
- Ó Pai, mas hoje não é dia de escola?!

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por João Távora às 17:30

Sexta-feira, 04.03.16

Não faz as coisas por menos...

- A catequista disse que os pais têm que vir!!! (Festa do Perdão). - Amanhã vai a mãe contigo meu querido, eu não posso. Tenho a Assembleia Geral, uma reunião muito importante da Real Associação de Lisboa, o pai tem de apresentar um documento que as pessoas vão votar contra ou a favor. - Então amanhã vamos ter Rei?

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por João Távora às 19:23

Terça-feira, 01.04.14

Uma questão de fé

O meu miúdo pequeno ficou algo confuso desde que há dias levou uma ensaboadela na aula sobre a chegada primavera, que coincidiu com a chegada da chuva que lá na escola obriga as criancinhas a ficarem fechadas num barracão ensurdecedor durante o recreio. Hoje pela manhã, quando pela mão o levava debaixo dum temporal, em vão tentei consolá-lo mostrando-lhe uns tímidos rebentos de folhagem verde no topo das árvores. Não os vê ainda mas acho que acreditou em mim. 

 

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por João Távora às 09:25

Sexta-feira, 24.01.14

Trash pack, ou chafurdar no lixo

Acompanhar as novidades tecnológicas, modas e mentalidades, é pela vida fora, um duro desafio que os nossos filhos não nos poupam, instigando-nos, extremosos paizinhos, a nos manter atentos e desinstalados. Ora acontece que a mais recente moda que seduz a pequenada é para mim absolutamente espantosa: falo-vos dos Trash packs, uma interminável colecção de pequenos bonecos de borracha gelatinosa, representando toda a sorte de imundícies, dejectos e bichezas que vivem num caixote de lixo. Com olhos e boca, estas assombrosas figuras com cerca de dois centímetros são vendidos aos pares dentro de minúsculos caixotes de lixo de plástico “surpresa” que custam quase cinco euros cada. Ao que julgo perceber a moda pegou fanática em alguns meios e países, para tal contribuindo as centenas de variedades Trashies que se organizam em diferentes “gangs”, como o de comida podre, insectos, embalagens etc., disponibilizando o fabricante “edições limitadas” sendo a mais rara uma espécie que brilha no escuro. Numa consulta de internet, ficamos a saber que “a série” está difundida em jogos electrónicos, desenhos animados, cromos coleccionáveis e banda desenhada.
Na sequência da revolução juvenil “Sexo, Drogas e Rock n’ roll” encetada pela minha geração, já nos tínhamos apercebido que poucas barreiras estéticas seriam poupadas pela adolescentocracia instaurada. É assim que temos que aceitar com naturalidade que enquanto a generalidade desses que são hoje paizinhos se habituaram a consumir com gáudio tanto horror e vulgaridade, os seus filhos sejam atraídos pelo fascinante microcosmos que é um contendor de lixo orgânico. Porque não?

 

 

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por João Távora às 16:33

Quarta-feira, 16.10.13

Young conservatives

O meu filhote pequeno é um conservador radical: de manhã não quer ir para a escola, à tarde não se quer ir embora; a seguir não quer ir para o banho, depois não quer de lá sair; à noite não quer ir para a cama, de manhã não se quer levantar. Ai vida dura...


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por João Távora às 10:30

Quinta-feira, 24.01.13

Crescer em sabedoria e graça

O meu filhote de 5 anos vem-se apercebendo do potencial do dinheiro (moedas sonantes, mesmo; não virtual) e a sua relação com os brinquedos da loja. Ambiciona ter nada menos que todos. Fascinado com os anúncios do OLX, agora quer vender a mobília da casa. A crança faz-se.

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por João Távora às 10:29

Sexta-feira, 15.01.10

Mundo Cruel

Quando vou deixar o mais pequenito à sala de aula não deixo de ficar apreensivo com a paisagem com que me deparo: pouco mais de uma dúzia de criancinhas, cambaleiam desordenadamente pelo espaço, “grosso modo” divididos em dois grupos, as meninas de volta da auxiliar que penteia ou compõe uma delas, e os rapazes que se desafiam, empurram, e fogem com os brinquedos uns dos outros.  São de facto dois “géneros” bem diferentes. A essa altura o meu filhote, (que também não é flor que se cheire), fixa-me de olhos húmidos e agarra-se ao meu pescoço com força numa vã esperança de não trocar de filme. 

Tudo isto serve para contar que ele tem um novo coleguinha, o Fletcher, um menino inglês que caiu de pára-quedas a meio da temporada e que não entende ou diz uma palavra de português. Os outros dizem poucas, mas ao que vejo faz alguma diferença: adivinha-se uma integração difícil, e contou-me a minha mulher que à hora da saída anda ele pela sala desesperado, a chamar “mummy”, “mummy”, disposto a saír com a primeira senhora sem bata que se dispuser a tira-lo dali.

A vida às vezes é cruel e começa cedo. Ontem, enquanto enfiava umas colheres de sopa na boca do miúdo, pedi-lhe encarecidamente para ser amigo do Flecher, como do Lucas de boa memória, em honra da Velha Aliança, da antiga tradição lusa. Claro que isto não são coisas que se encomendem e o apelo não foi compreendido: foi antes uma luta para comer a fruta, em ânsias de ir brincar. A vida custa a todos. 

 

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por João Távora às 11:43

Sexta-feira, 16.10.09

O meu principezinho

 

Há para mim poucas coisas tão fascinantes quanto os primeiros relatos dos miúdos pequenos, quando para lá do irresistível fascínio que nutrem pelos pais começam a ter uma vida própria. Comovo-me sempre que vou buscar o pequenito à escola e entrevejo-o, minúsculo e titubeante, mas já pessoa, nos seus despiques com os coleguinhas. Ao fim do dia é debalde que eu tento satisfazer a minha benigna curiosidade e arrancar-lhe alguns episódios da sua vidinha: o que foi aquele arranhão, se brincou no escorrega, se gosta mais da Né-né ou do Pedro... O resultado é sempre frustrante: tudo o que sei do seu pequeno mundo e das suas histórias sei-o pela educadora ou então conjecturo à conta dalgumas deixas acidentais que ele solta a despropósito dalguma brincadeira nossa. Tal e qual o Principezinho de Saint Exupery. 

Foi deste modo que no ano passado eu descobri que o pequenote tinha um amiguinho predilecto na sua sala de aula: o Lucas, “aos saltos”, como a ele depois se referiria repetidamente nas férias grandes, relembrando o colégio. 

Aconteceu que o Lucas este ano não voltou para o colégio e o meu filho continua a inclui-lo nos seus acidentais relatos. Na segunda-feira, a educadora confidenciou-me que, quando na aula ela faz a chamada dos meninos e pergunta se falta alguém, o meu filho responde que “falta o Lucas”.

Agora, adeus que tenho que ir para casa depressa abraçá-lo.

 

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por João Távora às 18:59




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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