Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

João Távora


Quarta-feira, 21.05.14

Do ódio

No outro dia em conversa com a minha filha de 13 anos tentava contrariar a sua ingenuidade maniqueísta explicando-lhe a complexidade das múltiplas interacções de mais ou menos legítimos interesses e motivações que tantas vezes conduzem o ser humano à mais cruel violência e à guerra fratricida. Na altura ainda não tinha visto este vídeo lançado pelos Mão Morta de Adolfo Luxúria Cabral que vem corroborar a ideia da minha filha: é verdade que o ódio circula livremente da forma mais primária, personificada em seres de trevas, à espreita da possibilidade de se manifestar em forma de enorme tragédia. Não sei se isto é legal ou ilegal, mas do que estou certo é que não é poesia nem arte, é apenas um exemplo de patológico exibicionismo e pura malvadez.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 17:39

Domingo, 18.08.13

Fracturas expostas

As touradas agora fazem-se no exterior da praça e sem touros. Faz falta uma organização humanitária que defenda as pessoas do ridículo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 22:13

Segunda-feira, 05.12.11

Ao menino não nascido

 

A 28 de outubro de 2011, foi inaugurado na Eslováquia, o monumento ao menino não nascido, obra de um jovem escultor daquele país. O monumento expressa não só o pesar e arrependimento das mães que abortaram, mas também o perdão e o amor do menino por nascer para com a sua mãe.

A cerimónia de inauguração contou com a presença do ministro da Saúde do País. A ideia de construir um monumento aos bebés por nascer veio de grupo de mulheres jovens mães muito conscientes do valor de toda a vida humana e do mal que se inflige também à saúde da mulher.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 16:41

Sexta-feira, 10.10.08

E o direito à diferença?


Enquanto esta manhã no parlamento o Partido Socialista executava mais uma hábil pirueta e promovia o “casamento” homossexual a imperativo debate nacional, ao mesmo tempo, a opinião regimental era doutrinada nas avassaladas rádios e televisões nacionais.


A Grande Parada está a começar, e o Grande Irmão prepara as mentes ignotas para mais uma fracturante revolução de costumes, rumo aos píncaros da civilização. É neste espírito que o programa Opinião Pública da SIC Notícias convidava esta manhã  o “insuspeito” Rui Tavares para comentar tão suculento tema. Coadjuvado pela apresentadora de serviço, o virtuoso pregador (necessita urgentemente de aulas de dicção, mas isso não interessa nada) escuta complacente o povo ignorante que teima não entender o sentido profundo da igualdade: que afinal o casamento de dois indivíduos do mesmo sexo se equipara por exemplo ao casamento de um homem e de uma mulher de raças diferentes.

Admitindo como inevitável a promulgação do “casamento” gay a breve trecho, apenas desejo realçar, como lamentavelmente a discussão nos grandes meios está inquinada, feita mera propaganda ou sound bite. Apequenando o pensamento e minando a democracia. Eu, em oposição ao simplismo igualitário, perfilho antes a causa do direito à diferença.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 17:09

Segunda-feira, 15.09.08

Outra vez as gravatas...


A Fernanda Câncio descortina aí nas ruas uma revolução a despontar, com garridas t-shirt, punhos no ar e "havaianas" (!) nos pés.  Depois, insurge-se contra a gravata, “resquício persistente da massificação e do totalitarismo vestimentar, do medo de sair da norma, da obediência cega à convenção”. Uma grande maçada. A jornalista, como é seu timbre, enfrenta com firmeza o diabo ou tão só os seus fantasmas (em sentido figurado, pois bem sabemos como estas figuras vão contra as suas arreigadas crenças). Uma vez mais bate-se pela sua nobre causa: enquanto Portugal inteiro não trajar inteirinho como na noite do Agito ali ao Bairro Alto, a moça não vai desarmar.


Atendendo à sua angústia das gravatas, apenas lhe digo que o preconceito é uma coisa tramada, que tolda a liberdade de escolha. Além disso a idade ensinou-me que esse sentimento promove o rancor, turva a vista e estorva o pensamento. Enfim, também faz mal à pele.

Eu nada tenho contra uma original t-shirt ou chinelas de “meter o dedo”, nem vislumbro obscuros sentidos num piercing malandro ou numa madeixa pintada. E passados já muitos anos sobre a minha adolescência, aceito conformado e com bonomia que andamos por cá principalmente para servir os outros. E mal andarei eu quando ambicionar o contrário. Com ou sem gravata.


 


Imagem: Mulher com gravata preta, por Amadeo Modigliani

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 19:09

Domingo, 14.09.08

Toleimas dum inconformado conservador

Vulgarizados no nosso quotidiano,  alguns artifícios tecnológicos empobrecem e alienam os nossos preciosos sentidos. Fascinantes tempos modernos estes que nos oferecem favas e uvas durante todo o ano, temperatura normalizada e uma omnipresente música de fundo.


É assim que no escritório nos arriscamos a passar literalmente ao lado deste Verão algo atípico, às vezes a tiritar com o obstinado ar condicionado, sempre desagradavelmente ressequido. Não satisfeitos, alguns colegas ainda tapam as orelhas com os fones a bombar os ritmos da moda, em estéreo e com “bass reflex”.

Eu por mim, que não tenho um espírito espartano, recuso-me a dar demasiada importância às contingências meteorológicas: tirando as condições extremas, convivo em paz com o clima. Depois, gosto demasiado de música para enfiá-la o dia todo pelos ouvidos como se duma transfusão de soro se tratasse.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 19:40

Quarta-feira, 27.08.08

Não é obrigatório casar III

Independentemente da lei que o reja, tendo em conta a vulgarização do divórcio e a generalizada ineficácia dos tribunais, em especial os de família, pergunto-me quais as consequências disto tudo, principalmente nas crianças. Por mim, fico apreensivo com o estabelecimento progressivo duma pretensa moral darwinista e com a divinização de uma irreprimível liberdade individual. Quanta dor, quanta solidão e desespero pairarão, envergonhados e oprimidos, nesta selva de instintos, ilusões e quimeras.  Não estamos nós cegamente a destruir, numa geração, uma fórmula de estruturação social que levou séculos a desenvolver-se? O homem evoluiu assim tanto?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 18:50

Sábado, 05.07.08

O implacável "progresso"


 


Um verdadeiro incómodo para quem como eu detesta mudar os hábitos: o Diário de Notícias está cada vez mais inóspito para mim - no Sobe e Desce semanal (não assinado)  Manuela Ferreira Leite tem classificação negativa por ter um entendimento de casamento e de  família distinto do da fidalguia  bem pensante do regime. Depois, com destaque de capa na revista DN Sábado temos um despudorado e amoral testemunho de um aborto legal vivido por uma jornalista, que sintomaticamente nem o assina.


E não é que eu perdi mesmo o comboio do "progresso"?

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 16:50

Quinta-feira, 03.07.08

A coragem de Manuela


Numa época de assumpção plena do relativismo dos valores fundadores da nossa sociedade, sempre em benefício do imediato interesse do mais forte, o casamento civil vem sendo progressivamente esvaziado dos seus frágeis fundamentos. Transformado num precário acto burocrático e muitas vezes pretexto para burlescos regabofes à moda de Las Vegas, decadentes  exibições de intemperança, a admissão de pares do mesmo sexo na mesma caldeirada será a prazo a machadada fatal na instituição. Assim se vai afirmando ao mundo o Ocidente, berço da civilização, hoje terra da opulência e da ganância, cada vez mais agrilhoada a um decadente hedonismo.  


Porque não acredito na inevitabilidade dum caminho para a História, porque não creio que o progresso tenha um sentido obrigatório, acho importante a assumpção do contraditório face ao progressivo pensamento único instalado nas nossas pseudo-elites. Assim, considero que Manuela Ferreira Leite foi corajosa ao afirmar claramente as suas reservas quanto ao casamento entre homossexuais. MFL exprime e reflecte uma opinião legítima que é partilhada por muitos portugueses ainda não subjugados à propaganda da moderna inquisição.

De resto, insisto que o respeito pelas pessoas e suas diferenças é antes de mais um acto concreto da relação. É uma aprendizagem de berço e não é legislável.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 11:40

Quinta-feira, 22.05.08

Mentes mesquinhas

A polémica causada pelos lugares de estacionamento “rosa” do Centro Comercial 8ª Avenida em S. João da Madeira ainda me consegue espantar. Para quem não saiba, refiro-me a quatro lugares exclusivos para mulheres, mais à larga e estrategicamente posicionados para um fácil estacionamento automóvel. Após denúncia do Bloco de Esquerda à Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, que deu razão aos queixosos, a Sonae, proprietária do espaço comercial, prepara-se para repor a normalidade, ou seja, lugares iguais para todos - informa-nos o Diário de Notícias de hoje. Graças aos queixosos, os "queixinhas" do costume, a injustiça flagrante é devidamente reposta.


Desde sempre que me ensinaram a discriminar positivamente a mulher, atitude que interiorizei precocemente. Através de persuasivos castigos, meus pais reprimiram-me de pequeno os meus instintos agressivos para com as minhas três irmãzinhas indefesas. “Nem com uma flor”, troçavam elas, do alto do seu privilegiado estatuto. Restava-me implicar com o meu irmão, com resultados deveras desencorajadores.  E foi à força de muitos ralhetes e alguns calduços que, quase como um reflexo condicionado, adquiri o hábito de conceder sempre a precedência às senhoras.


Hoje, ajo por convicção: considero que não é em vão que as mulheres deveriam ser sempre acarinhadas e favorecidas; sabemos bem como seríamos todos mais afortunados com mulheres mais felizes e realizadas... Com mais disponibilidade interior para exercerem a actividade mais encantadora da sua existência: serem amorosamente femininas. Como se sabe essa disposição, preciosa para a harmonia global, é constantemente frustrada pela bestialidade humana e pelas contingências da vida, com os trágicos resultados que se conhecem. Isso quanto a mim justifica toneladas de discriminação positiva: com o miúdo pela mão, carregada de sacos de compras, latas, legumes, pacotes, fraldas e algum capricho que seja, depois de um dia de trabalho, o mínimo que a minha mulher merece é um lugar mais fácil para estacionar o carro. Pelo menos enquanto eu não a presentear com o céu que um dia lhe prometi.

Neste frémito moralista instituído pelos modernos Calvinos da esquerda estabelecida e anafada, a única meta é nivelar a existência das pessoas tão baixo quanto as suas vidas frustradas e rancorosas. Mas isso já eu tinha entendido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 23:05

Terça-feira, 06.05.08

Os anormais



Imperdível este datadíssimo desenho animado produzido pela RTP nos obscuros anos 70 e que ditava o recolher obrigatório da miudagem. Suspeito que isto só acontecia com a cumplicidade da polícia de costumes - e dos meus pais que também estavam feitos. Estes Meninos Rabinos que antes de dormir se atreviam a “rezar a Jesus”, hoje, no mínimo seriam rotulados de ignorantes ou marginais... Ecos de uma época cinzenta e triste em que era possível conceber um família com cinco filhos, qui sas fruto dum deficiente planeamento familiar. Uma cambada de infelizes pois então.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 16:54

Segunda-feira, 05.05.08

Luta de classes



No Porto, um Jaguar desrespeitou o sinal vermelho e embateu na parte dianteira do metro, fazendo-o descarrilar contra o muro.

.


Imagem daqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 14:37

Quarta-feira, 23.04.08

E isto, será bom para o turismo?


Daqui

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 16:35

Segunda-feira, 21.04.08

Em nome da Liberdade

O que significa a indiferença global, perante esta carta de Rosa Coutinho a Agostinho Neto nos sombrios anos revolucionários? Não deveria o documento originalmente publicado no livro “Holocausto em Angola”, da autoria de Américo Cardoso Botelho (Edições Vega 2007) e divulgado por António Barreto num jornal de referencia nacional, originar um séria investigação e debate nacional? Atente-se nas palavras que transcrevo da dita carta: “ Após a última reunião secreta que tivemos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia Fanon que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, a fim de provocar a sua debandada de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. A FNLA e a UNITA deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e da sua experiência militar. Desenraízem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruíne toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela”.

Em 1975, com catorze anos, eu militei como podia e sabia, contra o impetuoso processo revolucionário totalitarista que se desenrolava sob a liderança do PCP. Durante a ponte aérea daquele quente Verão de 75, no convívio com os retornados que acolhíamos distribuindo bens de primeira necessidade à chegada a Lisboa, muitas e desesperadas denuncias nos eram sussurradas com desespero. Assim, nenhum destes casos denunciados me é totalmente estranho.

A crónica de Ferreira Fernandes hoje no Diário de Notícias tocou-me como um violento soco na barriga: porque eu próprio a aceitei como falsa “porque sim"? Porque de facto a indiferença foi generalizada. A “intelligenzia” dominante criou e alimenta os seus Tabus, Vacas Sagradas e Bodes Expiatórios. Quando nos preparamos para celebrar uma vez mais o 25 de Abril, convém lembrar que sem a verdade não há efectiva Liberdade: sobram a alienação e o oportunismo que, alimentadas pelos poderes, constituem a mais vil das opressões.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 11:47

Sábado, 12.04.08

Cortinas de fumo


Um amigo meu há uns dias na caturrice gabava-se da sua veia esquerdista ao defender a liberalização das drogas “leves”. Perguntei-lhe se tinha consciência dos efeitos dessas substâncias nos miúdos, como a perda de concentração, auto-segregação e declínio no rendimento escolar. Finalmente indaguei se tinha adolescentes em casa. Confirmou-me que não.

Com quarenta anos de propaganda mais ou menos explícita na industria do espectáculo direccionada aos adolescentes, as drogas, mais ou menos pesadas, continuam a fazer vítimas e danos na nossa sociedade, já de si em rápida mutação e crise de valores. Impotentes perante o flagelo, as sociedades liberais ensaiam soluções, incluindo a liberalização. Não sou crente em teorias da conspiração, mas a quem interessa este estado de coisas? À colossal indústria de estéreis terapêuticas da toxicodependência, e às grandes farmacêuticas e seus incipientes paliativos?

Reconhecendo a complexidade do problema, a questão da proibição ou liberalização das drogas leves ou pesadas, mais do que a sua real eficácia legal, é para mim uma questão de ética. O sinal emanado pela lei não me parece uma questão menor: nalguns dos princípios promovidos na ordem doméstica, eu prefiro ser apoiado pela legislação do meu país.

De resto, se para algumas favorecidas luminárias da nossa praça o consumo de droga significa apenas uma caprichosa  diversão de circunstância, tal não altera o seu cariz desestruturante e funesto para a generalidade dos indivíduos.


Autoria e outros dados (tags, etc)

por João Távora às 22:56




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Instagram

Instagram

calendário

Novembro 2017

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
2627282930