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João Távora


Quarta-feira, 21.06.17

Dito de forma simples: é uma vergonha um país que deixa morrer 64 pessoas num incêndio florestal

Na sua entrevista à TVI, o cândido do António Costa - cujo governo tinha apontado "zero mortes" como principal objectivo do Dispositivo Especial de Combate a incêndios - além de afirmar-se convicto de que tudo decorreu regulamente na gestão da tragédia de Pedrógão Grande e que a sua ministra é apenas uma vítima do duro cargo que exerce, disse sem se rir, que não se pode exigir que se faça em pouIos dias aquilo que não se fez em décadas, como se ele não estivesse tido um papel político preponderante nessas décadas, desde logo ministro Estado e da Administração Interna do governo Sócrates. Nem que seja por isso exige-se-lhe um pouco de pudor.

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por João Távora às 13:34

Segunda-feira, 19.06.17

Algumas notas sobre a tragédia de Pedrógão Grande

PedrogãoGrande.jpg

1. O registo emocional em que muita gente prefere permanecer no que à tragédia de Pedrógão Grande diz respeito não é  bom conselheiro: sabemos bem que mais fácil é arranjar um bode expiatório, um alcoólico incendiário para cima de quem canalizar a fúria e a indignação, mas isso não serve para nada – não alivia a dor dos vivos nem ressuscita as vidas tombadas. 

2. Dar ênfase à questão da ignição que deu origem ao fogo, se foi um raio ou um maluquinho, é uma forma de evitar a questão principal, que é a de perceber porque é que Portugal é campeão em fogos florestais para que - de uma vez por todas - se concentrem as políticas na prevenção, promovendo reformas para um ordenamento do território de acordo com o clima que nos coube em sorte.

 

3. “Hoje, através da actuação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, verificamos uma enorme evolução em termos da segurança da população e da salvaguarda do património, com melhorias significativas em termos de capacidade de resposta operacional, mas também com o necessário aprofundamento das políticas de prevenção, investindo-se no planeamento de emergência, na minimização de riscos e nos sistemas de alerta e de aviso às populações.” Estas palavras eram proferidas pela ministra da Administração Interna Constança Urbano de Sousa em Março do Ano passado por ocasião do 15º aniversário da Tragédia de Entre-os-Rios. Passado pouco mais de um ano, esse "país das maravilhas" não resistiu à realidade das coisas. 

 

4. Numa democracia avançada todos os factos de uma tragédia desta envergadura têm de ser escrutinados e tiradas as consequências, não é preciso esperar três dias para se questionar tudo o que houver para questionar. Para que é que serve um Estado que não sabe, não consegue, proteger os seus cidadãos? Como bem refere aqui o nosso Henrique Pereira dos Santos, “Aquilo a que na maior parte das vezes se chama “imprevisibilidade” em matéria de fogos é, na verdade, ignorância. Uma das armas mais letais que existem.

 

5. A par da assinalável mobilização da sociedade civil no apoio material às populações afectadas pela tragédia e aos bombeiros acredito na importância da oração. As minhas orações por estes dias vão para as vítimas e para as famílias enlutadas.

 

Fotografia - Observador

 

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por João Távora às 15:18




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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