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João Távora


Sexta-feira, 28.03.08

Não é um avião, não é um pássaro, é uma jornalista em órbita!

De certo modo admiro a retórica e o moralismo de conveniência da jornalista Fernanda Câncio. No seu apontamento de hoje no Diário de Notícias descobre-se que afinal toda uma  nação ensandeceu à sua volta e que o facto a ter em conta no caso da “professora brutalizada pela aluna no Carolina Michaëlis ” é a abusiva utilização de imagens “privadas” do youtube pelas televisões. De resto, não interessa nada questionar a sustentabilidade de uma escola pública em que a instrução se tornou numa questão secundária. Que importância tem afinal o ancestral sonho de universalizar o ensino como nobre instrumento civilizacional? Suspeito que ao reafirmar a minha indignação com o caso Carolina Michäelis, resta-me a  consolação de ter contribuído para colocar a dita jornalista "em órbita". Bom era que ficasse por lá...

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por João Távora às 12:19

Segunda-feira, 24.03.08

Sobre a boa educação

Um dos grandes equívocos da “cultura” urbana vigente é a pressuposta benignidade pedagógica da outorgação do livre arbítrio quase incondicional ao jovem adolescente, que por natureza é rebelde e transgressor.

Parece-me a mim que um adolescente responsável e ponderado é uma aberração. Lá em casa, a liberdade que vamos concedendo aos miúdos é controlada à distância e à condição do mérito patenteado nas tarefas e projectos em que estão envolvidos. Por outras palavras: às vezes a regra é mesmo a repressão, exercida com muito “afecto” e “envolvimento”... se eles estiverem para aí virados. Enfim; é uma canseira, para mais sem garantias nos resultados.

Não sejamos ingénuos: se na escola ou noutros espaços públicos os seus limites não forem claros e firmemente impostos, eu não ponho as mãos no fogo pelas suas atitudes e escolhas. E se por acaso o estimado leitor ainda não tem filhos na idade do armário e não percebe do que eu estou a falar, visite uma escola pública ou veja umas horas de  MTV numa tarde destas. E depois não se ponham a afogar os petizes no lavatório, pois vão-se arrepender e além disso a maioria deles voltarão a ser razoáveis lá para os vinte e tais. É quase certo.

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por João Távora às 15:25

Sexta-feira, 07.03.08

O dever e o devir

Alguém de boa fé me garante que os professores - uma das maiores corporações sustentadas pelo nosso ancestral estado providência - acolheria de forma racional e cooperante, de qualquer governo que fosse, um sistema de avaliação que minimamente premiasse o mérito e combatesse a mediocridade e o desperdício de recursos?

Pela minha experiência pessoal e através da relação que mantenho com o sistema de ensino através dos meus miúdos, já conheci professores de qualidades humanas e técnicas verdadeiramente admiráveis: gente que toma o seu ofício quase como se de um serviço cívico se tratasse, exercido com profissionalismo, entusiasmo e afecto. Em relação a essa minoria duvido que existam tabelas salariais ou estatuto profissional que remunerem justamente tanta entrega e vocação. Quanto aos outros, uma boa parte desses funcionários que por aí se arrastam pachorrentamente  pelas escolas, confesso que não os contrataria nem para tirar fotocópias na empresa onde trabalho.

Assim, perante este conflito que amanhã atinge o seu auge com uma manifestação sindical em Lisboa, manda a boa consciência de quem está na luta politica à direita do PCP, ou simplesmente de boa fé, que não embarque oportunisticamente neste ensurdecedor bota-a-baixo populista, na ânsia de dividendos políticos. Dividendos esses que amanhã desautorizarão qualquer projecto de reforma credível que tenha em conta um ensino focado na qualificação e sucesso dos alunos.

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por João Távora às 12:24

Segunda-feira, 25.02.08

Uma cobardia sem idade

Foi com espanto e choque que recentemente a minha mulher e eu testemunhámos uma cena de violência ente um casal de jovens adolescentes, enquanto tomávamos um café junto à estação de S. João do Estoril. Consta que é vulgar na urbana "movida" juvenil (equivocas conquistas da propalada “igualdade de géneros"?), mas a cena pareceu-nos macabra: na plataforma da estação e perante a passividade do restante grupo de teenagers , um dos  jovens, aplicava continuamente umas valentes murraças na rapariga, que humilhada, se encolhia e gritava de dor mas sem fugir. De notar que o pequeno bando em nada aparentava constituir-se por marginalizados ou por miúdos "socialmente desprotegidos". A minha distância do grupo era grande, para mais separado pelas linhas dos comboios, o que me deixou impotente perante o acontecimento. Entretanto os jovens desapareceram numa das carruagens em direcção a Lisboa, provavelmente para uma boa noitada de radicais e emocionantes sensações... de valentia.

Dá que pensar como, apesar das campanhas, dos alertas e das denúncias divulgados na comunicação social, estas cobardes aberrações se perpetuam impunemente nas novas gerações. Supostamente civilizadas e educadas...  pela escolaridade obrigatória e pelos media.

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por João Távora às 12:55

Quarta-feira, 13.02.08

Amanhã é dia de quê?

Diz que amanhã é Dia dos Namorados. Mas o "dia dos namorados" não é quando "o homem quiser". De nada serve um ramo de rosas congeladas compradas à noite, à vinda de Cascais, onde vou buscar o rapaz ao treino. No trabalho não há escapatória, que amanhã é dia da newsletter... e ainda não temos a versão em inglês. E o bebé ainda estará com aquela constipação que tanto nos afligiu esta noite? Será que aquilo é uma otite?
E que, tal despachados os miúdos, aproveitarmos a última réstia de energia e escaparmos para um jantar a dois? Depois dum longo dia que começou de madrugada, isso é um risco e um provável desperdício de recursos. Para revirar a disposição e as energias não há um restart que nos valha.
Mas os condenados são aqueles namorados que só quererem a lua, quando têm a esplanada ao sábado de manhã, ou uma comédia inglesa noite dentro... quando as crianças já dormem.
Mas um dia destes garanto que vamos fugir só os dois por aí no carro pequeno. Mesmo que seja só por um dia, assim de sol como o de hoje, e sem culpas ou remorsos.

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por João Távora às 12:42

Domingo, 10.02.08

Se o ridículo matasse...

Deplorável serviço à causa nos presta o Sr. Pereira e a sua frívola vaidade e insaciável desejo de protagonismo. O fadista-deputado obteve pelo seu exclusivo mérito uma página inteira de ridicularização gratuita dos monárquicos no Diário de Notícias de hoje. E de facto são estes os piores adversários da instituição. São estes papalvos snobs que gravitam em torno da causa, entregues às mais intestinas manobras para a obtenção de bacocas honrarias. Ao longo dos tempos, têm sido afinal estes retrógrados "cromos" de incomensurável ego os mais eficazes aliados da causa republicana.
O regime republicano nos dias de hoje encontra-se solidamente implantado, isso é um facto. Tal acontece, tanto à conta dos serviços de cem anos de publicidade enganosa, quanto às estéreis questiúnculas inspiradas em vaidades pessoais como é aquela patrocinada pelo ressabiado Sr. Nuno da Câmara Pereira.
E se o fadista tanto anseia por distinções e honrarias, então que mantenha a sua eficaz dedicação ao regime, que certamente não se poupará daqui a dois anos a dedicar-lhe uma Comenda e uma Condecoração, por justo reconhecimento de serviços prestados a favor da consolidação da república.
A última coisa de que a causa monárquica necessita é de oportunistas que a utilizem em prol das suas ambições e vaidades pessoais. De resto, a meritocracia é um valor sagrado das monarquias modernas. E aí não existiriam jamais contemplações para com ridículas fatuidades de medíocres e inúteis wannabes.

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por João Távora às 18:01

Quinta-feira, 07.02.08

Uma realidade inconveniente

A dignidade e qualidade de vida na velhice é uma questão sobremaneira pertinente nos tempos que atravessamos. E quando aqui refiro "velhotes", não falo do dinâmico e promissor “segmento de mercado” em gozo de generosas reformas antecipadas. Não me refiro a essa nova classe etária à qual se apelidou de “sénior”, com que se ilustra graficamente os anúncios de cruzeiros, viagra ou fraldas descartáveis. Refiro-me aos velhos-relhos, débeis e alquebrados, para quem até um mediano poder de compra não consegue disfarçar o sofrimento físico e psicológico ou o literal abandono a que são votados.
Bem sei que estes são os danos colaterais do progresso, do desagregar dos ancestrais modelos de organização social, das comunidades familiares alargadas, em paralelo com o aumento exponencial da esperança de vida - uma mistura explosiva. Esta “nova ordem” potenciou a formação de silenciosos exércitos de velhos dependentes, humilhados e rejeitados pela implacável vida “moderna”: uma adolescentocracia com as suas referências hedonistas, uma sociedade movida pelas aparências e pelo individualismo desregrado, que favorece o predador mais hábil, numa lógica antagónica à realidade e à estética da velhice.
Com um modelo de “família” reduzido à sua expressão mínima - quantas vezes transformada numa frágil e deprimente estrutura monoparental - a sufocar em utilitários favos suburbanos, pouca capacidade ou disposição lhe sobra para acompanhar os seus progenitores ou parentes na sua sensível e dolorosa etapa final.
O problema, longe de ser abstracto e teórico, é bem concreto e dramático, uma fatalidade que me tem saltado à vista com progressiva frequência nos últimos anos. Quando visito a minha mãe doente, ali para os lados da Almirante Reis, naquelas ruas da cidade arruinada, deparo-me com a sua população que tem a idade dos vetustos prédios em que habita. E ponho-me a pensar quem cuidará daquela gente perdida, que definitivamente já corre noutro campeonato...
Recentemente, numa incursão feita pelas Urgências do Hospital de S. José, impressionei-me com o panorama das dezenas de homens e mulheres, de olhar vago, doentes e desamparados. E quão diferente são aqueles seres, do mundo que nos vendem nos media, feito de modelos de juventude e eficácia, beleza e sedução... mas apesar disso retocados pelo fotoshop. E, para alem da imagem, quem conseguirá verdadeiramente colocar-se nos seus sapatos e perscrutar os seus sentimentos e anseios?
Sei de muitas instituições e pessoas que trabalham em regime de voluntariado perto desta população. Sei do papel decisivo das paróquias e das suas comunidades nesta urgente intervenção solidária. Mas também reconheço que o assunto é tabu, que ninguém o quer enfrentar, mas que urge ser amplamente debatido e denunciado. Nem que seja porque este problema social se adensará radicalmente nas próximas décadas, e porque nossa geração está nesse caminho, ali logo depois da contracurva, numa marcha constante e imparável.

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por João Távora às 13:25

Segunda-feira, 21.01.08

Portugal 2008

O povo nas cidades desceu à rua, não para reclamar o preço do pão ou do leite, protestar contra a carga fiscal ou o preço da gasolina. Desceu à rua para fumar um cigarrinho.

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por João Távora às 09:46

Sábado, 19.01.08

E a vida continua

Acabo de chegar da Ota, dum agradável almoço com parentes e amigos no Clube de Tiro local. Entre os convivas, alguns vivem lá e detêm terras ou negócios na zona. O único comentário que ouvi ao malogrado aeroporto foi: “Depois de trinta anos de expectativas, as hipóteses eram duas; ou ganhávamos dinheiro ou sossego. Ganhámos sossego, o que também é muito bom”. Enquanto as conversas se desenrolavam animadas pelos digestivos e o crepitar da grande lareira, lá fora a criançada jogava à bola ou brincava nos baloiços. E a tarde caía pacifica e rosada sobre a terra e os pinheiros.

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por João Távora às 20:42

Terça-feira, 08.01.08

O não de Sócrates ao referendo

Sou contra o referendo a uma matéria como a do Tratado de Lisboa e concordo que o parlamento tem toda a legitimidade para ratificá-lo. No entanto parece-me inadmissível a forma descarada e oportunista como os políticos usualmente se contradizem, conforme estão no governo ou na oposição. Consoante a feição do vento na senda do cobiçado poder.
Acontece que nem toda a gente tem memória curta. O crescente descrédito dos políticos e das suas instituições resulta num desprezo generalizado das pessoas e na consequente fragilização do sistema. O pior cego é aquele que não quer ver.

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por João Távora às 23:06

Segunda-feira, 07.01.08

Coisas que me provocam vontade de fumar

Cerca de 800 alunos das escolas do 1º ciclo de Braga estão a aprender a persuadir os pais a não fumar em casa ou no carro para se protegerem dos malefícios do tabaco. O projecto inédito designa-se “domicílios livres de fumo”. A iniciativa “experimental” é da Associação para a Prevenção e Tratamento do Tabagismo de Braga (APTTB) que vai reclamar a sua implementação nacional, caso constate uma redução de crianças expostas ao fumo. (...)

DN, 7 de Janeiro (noticia 'offline') Susana Pinheiro, Braga

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por João Távora às 18:15

Domingo, 06.01.08

África inóspita

A extinção do mais prestigiado rally do mundo – o que quer que seja que inventem como alternativa noutro continente jamais será a mesma coisa – é um facto de inegável simbolismo. África fica irremediavelmente mais isolada, mais longe; enfim, mais pobre.

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por João Távora às 16:09

Quinta-feira, 03.01.08

Ano novo vida velha

Na imagem está Cavaco em pleno discurso de Ano Novo, usufruindo do seu dourado trono. Como os demais que lhe precederam, colectivamente esquecidos os ódios, apupos e insultos que em tempos imemoriais os destronam da cadeira do poder.
De pose paternal e discurso redondo, o presidente aconselha e recomenda. O sol na eira com chuva no nabal. Condoído com os pobres e alarmado com os ricos, vampiros e abutres. O ano é novo mas o guião é velho, e Portugal fica sempre adiado. Sem projecto, sem caminho.

Imagem daqui

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por João Távora às 15:46

Terça-feira, 18.12.07

A nossa babilónia

A barcaça marroquina abalroou a muralha do oeste “civilizado” com 23 desgraçados párias a bordo. Enquanto isso o bem nutrido e alucinado "consumidor", entretido nos centros comerciais, contrafeito, mal desvia o olhar das montras iluminadas de mil cores.
Construímos a nossa Babilónia e criámos uma grosseira ilusão de realização e auto-suficiência. No fundo, no fundo, todos reconhecemos a grande mentira com que nos sustentamos, mas recusamos indolentemente corrigir o curso da nossa história (a individual, que é a verdadeira), alterar um dedo a nossa cómoda perspectiva, desacomodarmo-nos um pouco que seja da nossa existência entretida e conformada.
De resto, ao ver a chocante fotografia de capa do Diário de Notícias de hoje, com um calafrio realizei como Jesus Cristo do Natal que estamos prestes a celebrar se encontra definitivamente “escondido” no emigrante repudiado. E como jamais O encontraremos com o barulho da encenação feérica dum qualquer agitado shopping suburbano.

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por João Távora às 10:38

Quinta-feira, 13.12.07

O Tratado de Lisboa

Enquanto o elegante rio Tejo corre alheio para o oceano, Lisboa amanhece luminosa e azul para a assinatura do novo Tratado Europeu. O magnifico mosteiro dos Jerónimos e a Praça do Império são o cenário perfeito para a mais refinada promoção turística nacional. Estou certo que o banquete a servir hoje no Museu dos Coches, os vinhos, demais petiscos e toda a doçaria doméstica impressionarão da melhor maneira os ilustres convivas. Sem contar com as comezainas servidas aos motoristas, seguranças, jornalistas e restante staff, cuja qualidade nunca seria descurada pelo experiente Protocolo nacional, tudo contribuirá para o bom nome e imagem do novo Oeste europeu. Portugal, um irresistível destino de sol e praia, de congressos e incentivos, casamentos e baptizados, além do golfe e do bodyboard. Sem esquecer a bonomia nacional, a animada “movida”, o José Mourinho, os casinos e o Fado. Com tudo isto estão garantidos mais uns patacos, o emprego de muita gente e um desígnio nacional: o Turismo.
Amanhã, enquanto eles desmontam a feira, varrem os claustros e apanham as canas, analisemos os “recortes” de imprensa internacional, as reportagens televisivas, os resultados desta fabulosa operação de marketing.
Quanto ao tratado propriamente dito, nem sei em o que vos diga. Que me perdoem o José Manuel e o Luís Naves, mas o documento ainda lá está na minha mesa de cabeceira, à espera de uma oportuna insónia. Mas pelo que leio nos jornais, assino de cruz...

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por João Távora às 11:05




Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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