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João Távora

Tributo ao Vasco

O Vasco Rosa anda por aí, regressado do Brasil, e numa sua recente visita, muito emocionante e esperada, ofereceu-me o seu último trabalho, dois volumes de inéditos de Raul Brandão (Lume sob Cinzas e Paisagem com Figuras) editados em Portugal pela Âmbar e que tanta companhia me fizeram no comboio nos últimos dias.
Vasco Rosa há muitos anos que faz o favor de ser meu amigo. É editor, designer e produtor gráfico. Há quase 30 anos, na Rua de Santo Amaro, além da música brasileira (e da mística do seu Brasil), o Vasco desvendava-me os segredos das "suas" artes gráficas: numa página, à transparência, cada linha e cada caractere coincidia ao milímetro sobreposto com os seus antípodas da página de trás. E se o rapaz trabalhava!
Sempre que penso no Vasco e ele não esteja a namorar ou a vasculhar uma biblioteca, imagino-o silencioso atrás dos seus eternos óculos, à frente do computador, a trabalhar, a trabalhar, cheio de papel, livros e... os seus sonhos tropicais – Ai as miúdas!
Além de tanto trabalho anónimo para o jornalismo e edição portuguesa em geral, Vasco Rosa organizou antologias de Alexandre O’ Neill, José Cardoso Pires, Maria Filomena Mónica, Miguel Esteves Cardoso, Leonardo Ferraz de Carvalho, Vítor Cunha Rego, José Cutileiro e Rui Henriques Coimbra, entre outros. Sempre nos meandros da cultura portuguesa, Vasco Rosa é, a meu ver, um “carregador de pianos” da cultura dos nossos dias. "Rato de biblioteca" e arqueólogo literário, foi muita a literatura e a edição contemporânea que organizou e ajudou a dar ao prelo, juntando o “cimento, a água e a areia” com que se ergue uma qualquer obra sólida. E também sei quantas vezes "veste o fraque" e faz cobranças difíceis! Tão ingratamente difíceis, pois bem sabemos que os projectos, a investigação e o trabalho pela cultura é muitas vezes sacado a ferros aos nossos Mecenas distraídos...
Há alguns anos tive o gozo de “patrocinar” a sua Fotobiografia de Beatriz Costa – Avenida da Liberdade para a Mediatexto e para o Tivoli Lisboa. Foram tempos de entusiasmo e fascinantes descobertas que o Vasco me ia revelando sobre essa rapariga que já é das nossas vidas e pela qual nos apaixonámos os dois (desculpa lá o mau jeito!).
Agora o Vasco publica a sua recolha de textos inéditos de Raul Brandão, monárquico, militar, jornalista e intelectual (1867–1930). Recolhidos de revistas efémeras, jornais da época (…) e outros impressos amarelecidos e frágeis, em dois volumes.
Sei que o Vasco Rosa colabora actualmente com o Pe. Peter Stilwell na edição da Obra Completa de Ruy Cinatti. E diz-se que o seu regresso a Portugal será definitivo, e que é bem capaz de voltar a Campo D’ Ourique, de onde aliás já faz parte, tanto quanto o Jardim da Parada. Sê bem-vindo a casa, grande Vasco!

No fotografia, a "arqueologia fotográfica" desvenda-nos o Vasco Rosa (à esquerda) e eu em 1980, antes de uma noitada algures num restaurante da Baixa.

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