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João Távora

Mário Soares 09/11

Adquiri gratidão e respeito pelo republicano, laico e socialista Dr. Mário Soares, nos conturbados meses do PREC em que por vezes vivi na clandestinidade, com a minha família sob ameaça de alguns fanáticos esquerdistas. Lembro-me que o aplaudi vivamente um dia nos jardins de Belém, e que nós lá em casa depositámos na sua voz e coragem a esperança de uma vida em liberdade no nosso país. Este é um volumoso capital de respeito (meu) que resistiu muitos anos, mesmo durante a sua subsequente carreira politica.
Mas lamentavelmente as suas recentes intervenções pouco mais que têm sido que patéticas. A sua prestação de ontem no programa Prós e Contras quase me meteu dó. É triste, para um dotado tribuno que um dia foi este senhor. Balbuciando algumas confusas incoerências, consequência da sua avançada idade, o Dr. Mário Soares profere um discurso radical e demagógico digno de qualquer anónimo extremista. Aliás parece-me que em termos de retórica, um qualquer voluntarioso professor primário do Bloco de Esquerda poderia ontem ter confrontado Pacheco Pereira com mais eficácia.
Não resisti até ao fim. Cansado e intolerante, apaguei a televisão. Do Dr. Mário Soares pretendo guardar outras memórias.

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