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João Távora

Um olhar sobre a 9ª arte I

Na Travessa do Patrocínio, encontrávamos fascículos e volumes do Cavaleiro Andante, e tenho uma vaga ideia de uns álbuns da Bécassine. Na Avenida da Liberdade, era outra fartura: a fabulosa colecção de "Tintins" do Tio Duarte, e uns poucos de “Astérixes” da Tia Isabel, eram um fartote para os meus desejos de aventura e fantasia. Eram em francês, para o caso completamente indiferente pois eu não sabia ler. Um pouco mais tarde, em 1968, a revista Tintim editada pela Bertrand passou a ser presença semanal na nossa casa. Foi assim que a Banda Desenhada (BD) entrou na minha vida.
Hoje ainda possuo algumas obras de BD na minha biblioteca que aliás impinjo despudoradamente às minhas crianças. Considero a leitura de BD um acto cultural que em grande medida supera os benefícios de ver cinema ou animação. A mediação do prazer pelo trabalho mental do leitor em juntar as peças (quadrinhos) e dessa forma enquadrar-se numa acção imaginária e em movimento parece-me excepcionalmente saudável. A relação íntima e pessoal que se pode criar com os personagens está ao nível do possível na melhor literatura: o tempo é nosso e a vida do personagem é pelo leitor induzida. Não desfazendo, o autor no momento da leitura torna-se “apenas” num passivo “realizador e argumentista”. Nós temos o papel fundamental de fazer rodar as frames no nosso cérebro. E interpretar a mensagem. Ao nosso ritmo, com o nosso nível de profundidade.

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