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João Távora

A história em 93 anos

Elisa Hendle, a Condessa de Edla (na foto), foi a segunda mulher de D. Fernando II, com quem este nosso ilustradíssimo monarca casou após a morte de D. Maria II.
Elisa Hendle era cantora de ópera e o seu casamento com o viúvo D. Fernando Saxe-Coburgo-Gotha na altura foi polémico, já que a Senhora Condessa fora anteriormente casada com um músico do Porto de quem tinha já dois filhos. Nada de especial se afere do que até aqui descrevi.
O que me causa verdadeira admiração é a longevidade desta senhora, que nasce em 1836 com “um pé” no antigo regime e morre no Estoril em 1929 ao tempo de Salazar, em plena república.
Não sei se a Condessa de Edla era atenta aos factos da sua época, tão pouco sei se acompanhava as descobertas científicas, as experiências políticas na Europa ou revoluções tecnológicas. Mas dá-me a sensação que estes 93 anos de vida, na época em que aconteceram, valem quase a travessia da História.
É que D. Elisa foi contemporânea da Rainha Vitória de Inglaterra, de Schopenhauer, de Balzac, de Garrett e de Paganini. Nasceu antes da iluminação a gás e morreu no advento da telefonia. Repare-se que, à época do seu nascimento, as vias de comunicação em Portugal quase se reduziam à rede herdada do império romano - em Portugal, em 1850, para se fazer a viagem de Lisboa ao Porto em menos que uma semana, o meio de transporte possível era por via marítima. A Condessa de Edla nasceu no tempo da Diligência e teve oportunidade de viajar para o Estoril em comboio eléctrico (nosso contemporâneo).
Por tudo isto, parece-me que esta senhora viveu uma eternidade.

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