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João Távora

Qualquer dia vai tudo para a fogueira

Tem chamada de capa no DN de hoje: O álbum Tintim no Congo foi proscrito das prateleiras de livros infantis em Inglaterra. Acusada de racista, pela Comissão pela Igualdade Racial da Grã-Bretanha (CRE), esta história de BD infantil, desenhada nos anos 30 por Hergé, reflecte um discurso estético e politico da época. Na sua trama algo ingénua e de traços ainda primários, encontramos a realidade e os mitos de uma África profunda e atrasada (face aos cânones ocidentais). Talvez afinal Cocô, o leal amiguinho africano, também seja um sinal de submissão civilizacional. No cúmulo do tão genial quanto absurdo guião, quando os chimpanzés raptam o Milou, Tintim acorre matando com uma carabina um exemplar, para vestir-lhe a pele e deste modo imiscuir-se no seio da comunidade assim resgatando o seu fiel amigo. Um delírio. Esta sequência (que no mínimo é uma imundície), entusiasmou várias gerações de tolas criancinhas e prazenteiros adultos... racistas e desrespeitadores da natureza.
Parece-me é que este puritanismo politicamente correcto, a prazo, compromete profundamente a nossa liberdade. Esta nova e omnipresente inquisição é patética e preocupante.
Afinal, quando folheamos o Tintim no Congo com gozo, devemo-nos envergonhar de quê? Do passado e da nossa história? Ou antes das guerras fratricidas, das fomes, da escravizante degradação humana que grassa hoje no continente africano livre e independente... diante do olhar cruelmente insensibilizado, quase indiferente, do ocidental opulento, modernaço e moralista?

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