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João Távora

Evocação a Marcelo Caetano no DN

Parabéns ao DN pela evocação dos 100 anos sobre o nascimento de Marcelo Caetano editada hoje em suplemento. Profusamente ilustrado, nele encontramos as opiniões de Adriano Moreira, Jorge Sampaio e Veiga Simão, além de uma pequena pérola jornalística – que peca por curta… – da autoria de Ana Sá Lopes numa visita e entrevista à filha do estadista.
É assim que se documenta a história que se irá escrever.

Final trágico

Ler Um Herói Português - Henrique Paiva Couceiro -, de Vasco Pulido Valente, é um pouco como a angústia de ver o filme Titanic. O trágico final é só uma "questão de tempo".

A “pequena história”

Acontece com a biografia de D. Maria II de Maria de Fátima Bonifácio da colecção Reis de Portugal editado pelo Círculo de Leitores: toda a conjuntura política, conspirações e pronunciamentos, manifestos e marchas são devidamente testemunhadas; do Duque de Palmela a Costa Cabral, do Duque de Saldanha a Sá da Bandeira todos os protagonistas dessas salgalhadas são devidamente revisitados. No fim, pouco encontramos da própria D. Maria II, seus amigos, acontecimentos e traços “privados” como seria de desejar numa boa biografia. Será o desprezo pela “pequena história”?
Por um estranho vício, sobreavaliamos por sistema o “jogo” do poder político e seus protagonistas. Fica-nos a faltar aquilo que os molda, e os nós de toda uma teia que transforma a realidade. Quase sempre aparentes “faits divers”.

Se a minha avó tivesse rodas… (crónica)

Rui Tavares no seu curioso “Pequeno Livro do Grande Terramoto”, confronta as teses “deterministas” com as “pirronistas” (ou cépticas) e faz até alguns inconsequentes exercícios teóricos “do que teria sido” se “não tivesse acontecido”. Até põe a fictícia “Amália” a passear pela baixa “medieval” que existiria no séc. XXI se não fosse o Terramoto. E o que seria do Conde de Oeiras se não fosse o fatal evento?
Não sou historiador, mas prossigo atentamente a história do meu lugar e do nosso mundo com curiosidade. Atribuo em parte este gosto a uma necessidade de “aconchego existencial”. E também porque assim vou percebendo cada vez melhor a vida e o presente que me cabe em sorte.
Nestas minhas saborosas férias, já quase liberto das agitadas rotinas urbanas e laborais, intervalo os mornos banhos de mar salgado e mergulho na prometida "bibliografia balnear". Por ora não quero mais saber dos incêndios, da política nacional e sinto asco à malfadada guerra no Líbano.
Ao invés, com as minhas leituras, uma vez mais me "angustio" com a crueldade da arbitrária história e o assassinato de D. Carlos e de D. Luís Filipe, com a decadência das “elites” nacionais, com o “Deus dará” das patéticas e inconsequentes incursões monárquicas.
E, pegando nos exercícios lúdicos de Rui Tavares invento o seguinte cenário: D. Carlos e D. Luís Filipe escapavam ao brutal atentado de 1 de Fevereiro de 1908 no Terreiro do Paço… E com uma liderança efectiva da coroa não teria havido lugar à emergência da canalha jacobina no 5 de Outubro. Teria sido posteriormente, já com D. Luís Filipe, a monarquia constitucional devidamente modernizada, a exemplo do que se passava com os restantes estados europeus? Acredito que sim.
E depois, duas questões oportunas: neste quadro, sem o caos da 1ª república, o que é que justificava Oliveira Salazar? E assim importávamos uma guerra civil de Espanha? E os projectos coloniais para Angola de Henrique Paiva Couceiro teriam lugar?
Que "bater de asa" de uma qualquer borboleta na China nos teria desviado de tantos fados a que temos sobrevivido?

Bilhete postal do Sudoeste

Na fotografia, vista do quintal. (É o rio Mira!)

Com as idas e vindas das praias, do "Rio" ao "Malhão", miúdos para trás e miúdos para a frente, pão quente ao pequeno-almoço, cerveja fresca ao fim da tarde... Uma vez mais a “família pipocas” está de férias em Milfontes.
Com amizade,

Estarão eles a sobrar noutro sítio?

Nestes primeiros dias das minhas férias fico-me “em quarentena” por S. João do Estoril. Um demorado processo de “desligar do trabalho”. Em baixo do meu prédio, ao lado de uma simpática esplanada, há uma tabacaria onde costumo comprar os jornais e espreitar as manchetes. Apesar de subúrbio, esta ainda é uma zona estival, notam-se os forasteiros aqui na praceta. Ontem e hoje, depois das onze da manhã, já não consegui comprar o DN. Bons sinais ou má distribuição? Não estarão os jornais a sobrar noutro sítio?

Luz ao fundo do túnel?

Faltam quase oito meses para finalmente vermos a luz ao fundo dos túneis do Marquês de Pombal. Não é bem uma "boa notícia" porque há tempo de mais que os lisboetas penam com aquele estaleiro e as contingências daquela obra. Aliás o principal responsável pelo imbróglio paira e advoga por aí impunemente, qual "velho do Restelo" travestido de "polícia de costumes".
Para mim, que hoje trabalho na Avenida da Liberdade, e morei quase uma vida em Campo d’Ourique, parece-me que esta obra será uma solução que peca por tardia. Aguardo ansioso pela inauguração dos túneis que estou certo virão desatar este antigo nó cego no coração da minha cidade. Esperamos todos que a rotunda do Marquês não seja mais um “fado” de Lisboa.
De resto parece-me que o maior problema da cidade de Lisboa é o da sua ruína e dramática “desertificação” de que falava o Pedro Correia aqui há dias. Esse problema sim, aguarda medidas urgentes e radicais. Que obviamente ultrapassam os poderes de uma câmara municipal, e merece uma abordagem e mobilização com consensos nacionais.
Lisboa não foi bombardeada, mas que precisa de algo tipo “plano Marshall”, lá isso precisa!

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