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João Távora



Sábado, 09.09.06

Impressões musicais (6)

Despertei para a Irlanda na adolescência através do romance Trinita de Leon Uris. Mas foi pelas cantigas que este povo me seduziu por fim. Bendita Irlanda que tão boa música popular sempre produz. E que divina poesia possui esta gente quando canta! Lembro os Pogues e, com saudades, Kirsty McColl em A Rainy Night in Soho. Lembro-me da explosiva irreverência dos Waterboys de Mike Scott, com A Girl Called Johnny. E também me lembro de Van Morrison que em tantas doces horas me embalou com a sua inconfundível voz.
Agora, no meu gira-discos roda com frequência o último álbum dos Coldplay - X&Y. Uma ponte para o mundo dos meus miúdos, cá em casa. São doze temas bem carregados de uma trágica entoação. What if ribomba agora nas pesadas colunas Tannoy: What if you should decide, That you don't want me there by your side, That you don't want me there in your life. Belas canções tão cheias de alma e poesia! Como a história desse povo que admiro.

Na foto, o vocalista dos Coldplay - Chris Martim

PS - Uma posterior consulta mais atenta revelou-me que os Coldplay de facto são Ingleses de Londres e não Irlandeses como referi no texto em cima. Alguém induziu-me em erro, em que insisti depois de uma superficial consulta no google. Pelo facto as minhas desculpas. No entanto tenho pena que os tipos não sejam irlandeses, pois gosto mais destes do que dos outros, e além disso descubro as sonoridades que refiro na posta. E também porque não gosto nada de meter estas gaffes.
Mas o "seu a seu dono", antes de tudo.

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por João Távora às 22:31

Sexta-feira, 08.09.06

A ver nascer O Sol

Ontem no Museu da Electricidade estava meio mundo para ver nascer o Sol. Os nossos queridos artistas da política, activos ou na reserva pululavam às centenas. Até vislumbrei o inigualável Dr. Fernando Gomes, que já não sabia que existia. Uma festa muito linda, só foi pena não encontrar algumas pessoas que queria ver. Gostei do que ouvi da Mariza, coitada, que bem se esforçou por domar aquela fauna tão lustrada. Mas convenceu-me a comprar o seu último disco.
Nenhum grupo terrorista foi convidado para o evento, pelo que me senti seguro. Mas fui-me embora cedo, que já não tenho vida para grandes avarias.
Boa sorte ao Sol e aos seus colaboradores.

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por João Távora às 09:52

Quinta-feira, 07.09.06

História de algibeira (2)

No início do século XIX em Portugal, as únicas cidades ligadas por algo parecido com aquilo a que hoje chamamos “estradas” eram Lisboa e Coimbra. A ligação de Lisboa ao Porto por terra poderia implicar uma semana de viagem. Esta fazia-se mais rapidamente por via marítima, demorando em regra um dia de viagem. Hoje consideramos este facto algo estranho, mas era uma realidade relativamente normal na maior parte dos países europeus.

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por João Távora às 14:49

Quarta-feira, 06.09.06

História de algibeira (1)

Béra, tratava-se de uma fábrica de brilhantes de imitação, ao Chiado, e designava essa bijutaria muito popular nos finais do séc. XIX.
Hoje a palavra tem o sentido que todos conhecemos.

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por João Távora às 09:25

Terça-feira, 05.09.06

O "Caso Portugal"

Permitam-me uma opinião sobre este imbróglio chamado “Caso Mateus”:
Quanto a mim, este não advém de alguma incompetência exclusiva dos "coronéis" e demais actores do “planeta futebol”.
A questão é transversal e parece-me que tem origem uma vez mais nos “actores” da justiça portuguesa, em que meio mundo insiste em afirmar que acredita. Parece-me que nesta vetusta classe do poder (e n’outras), os “latinos” estatutos, hierarquias e guerras de vaidades tecem uma teia de ineficácia impossível de coexistir com a eficiência e o interesse público.

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por João Távora às 12:14

Segunda-feira, 04.09.06

Pensamentos do Dalai Lima VIII




Depois da Inquisição, é a vez da FIFA calar Gil Vicente!






Nota: Post gentilmente cedido ao Corta-Fitas pelo autor que retornou hoje de férias visivelmente inspirado. Sê bem vindo Jorge!

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por João Távora às 12:00

Domingo, 03.09.06

O que fará correr Marcelo?

Que Luís Filipe Vieira visite o seu consócio Jerónimo de Sousa na festa do Avante, eu ainda percebo: vendem-se mais uns Kits de Sócio, e no fundo não vai estranhar a coloração das bandeirolas e estandartes.
Agora que "O Professor", o oráculo do povo, se exponha a esta prova já me parece um pouco exagerado. O que fará correr Marcelo?

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por João Távora às 15:34

Sábado, 02.09.06

Crónica do meu descontentamento

Vamos afinal de contas todos pagar alegremente discretas “Salas de Chuto” e, com sorte, um qualquer patrocinador oferecerá as seringas. E vamos todos pagar uma dose de substituição ao Zé, que um dia destes indiferente, sem anúncio no jornal, irá a enterrar algures na periferia, num frio e solitário funeral oferecido pela previdência social.

Rejubilemos! O ministro Correia de Campos apresentou há dias o Plano de Acção Contra as Drogas e Toxicodependências que inclui duas antigas e mediáticas medidas: A implementação das salvíficas “salas de chuto” e “máquinas de distribuição de seringas” nas prisões.
Não consigo compreender aquilo que me parece uma inadmissível cedência na verdadeira luta contra a droga, substituindo-a por uma hipócrita política de “controlo de danos”.
Há mais de vinte anos que, sobre diferentes prismas, quis o destino que eu acompanhasse a problemática da toxicodependência. Ao longo da minha vida, amigos meus houve que “caíram em combate”; e outros que corajosamente se levantaram para enfrentar uma longa travessia do deserto. Esta atitude não só foi conquistada pela força da sua vontade, como também impulsionada por uma impiedosa pressão social exercida pelo seu círculo social e familiar: Levanta-te que a alternativa é a sarjeta!
Mas a sociedade bem pensante quer as sarjetas da cidade bem limpas e assépticas.

Agora aceitam-se estas medidas em total desrespeito ao valor inalienável da vida e dignidade da pessoa humana, enfraquecendo a “pressão” social sobre o indivíduo toxicodependente. Estas medidas tornam-se inevitavelmente num sinal claro por parte do Estado de aceitação do “direito” (!) da autodestruição por parte do cidadão.
Pelos princípios que professo, não aceito qualquer cumplicidade com os actores deste terrível flagelo, e confesso que sinto vergonha de pagar os impostos que remuneram os iluminados e liberais burocratas autores destes sinistros projectos.

Conheço de perto quem anda pelas ruelas e becos da cidade a incentivar e recolher homens e mulheres "sem esperança" e "sem futuro". Pessoas perdidas mas que, devidamente enquadradas e acolhidas, decidem enfrentar-se numa implacável luta interior, num processo terapêutico feito de uma batalha desesperada contra os seus fantasmas e descrenças. E foram muitos os homens e mulheres que, contra todas as estatísticas, recuperaram esperança, dignidade e auto estima. E quantos anónimos "condenados" se tornaram em empreendedores cidadãos? E quantas vezes, no seu círculo, com uma inigualável “escola de vida” acabam por se destacar da mediania numa postura de responsabilidade e de exigência pessoal sem igual? Que seria feito destes rapazes e raparigas se, a determinada altura, lhes tivessem acenado com seringas, salas de chuto, drogas de substituição e – quem sabe – alguma roupa nova?

Conheci em tempos uma Comunidade Terapêutica, integrada no Estabelecimento Prisional de Lisboa. Na altura 20 homens cumpriam um exigente programa terapêutico e comportamental, na esperança de alcançarem uma outra liberdade. A distribuição de seringas é por certo mais económico que reformar as prisões, implementar alas “limpas de droga” ou incutir uma vertente terapêutica e de reeducação dos indivíduos residentes.

Vivemos uma estranha época em que antes se venera o consumidor, já não a pessoa a sua integridade ou valores. São tempos de opulência e arrogância que favorecem uma intestina competição pelo sucesso rápido e a qualquer custo. Não há lugar para derrotados.
Então, “longe da vista, longe do coração”. O nosso (coração) é para se atafulhar de imagens televisionadas, de guerras em “som surround” e assépticas catástrofes alheias - se possível longínquas - e assim expressarmos a nossa civilizada indignação.

Com o cérebro empanturrado com um qualquer “Reality Show” da moda, ou bacoca telenovela, nem olhamos à guerra que demos por perdida mesmo à nossa porta. E vamos todos pagar uma dose de substituição ao Zé, que um dia destes indiferente, sem anúncio no jornal, irá a enterrar algures na periferia, num frio e solitário funeral oferecido pela previdência social.

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por João Távora às 20:50


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Sobre o autor

João Lancastre e Távora nasceu em Lisboa, que adora. Exilado no Estoril, alienado com política e com os media, é sportinguista de sofrer, monárquico, católico e conservador. No resto é um vencedor: casado, pai de filhos e enteados, é empresário na área da Comunicação e do Marketing. Participando em diversos projectos de intervenção cívica, é dirigente associativo e colabora em vários blogues e projectos comunicação política e cultural.


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