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João Távora

Ao “inenarrável” Daniel


Mais patético que os Amigos de Olivença, só mesmo a arrogância do Sr. Oliveira a escrever as suas bacoradas (ou pior, quando as vai dizer para o mais frouxo e idiota programa de televisão existente). Ao pretender insultar o que ele apelida demonárquicos militantes definitivamente o homem não (se) enxerga. Um deles, cuja craveira intelectual e humana é inquestionavelmente superior à sua (o que, pelas provas conhecidas não é difícil) é o seu correligionário, o venerando arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. E ficamos por aqui para evitar mais melindres.
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Imagem "fanada" daqui onde diz que veio daqui.

Olhar à direita

Obrigatória uma atenta leitura à Alameda Digital, na sua mais recente actualização temática onde se ensaia um interessante dossier sobre a Direita e as Direitas. Para este tema contribuem as abordagens de Jorge Ferreira, Como eu entendo a direita necessária; Jorge Azevedo Correia, A vitória do centro à direita; Marcos Pinho de Escobar, A Direita “mole”; Manuel Azinhal, A direita que não quer ser; Eduardo Freitas da Costa, A direita nunca existiu; Abel Morais, Cinco notas políticas sobre a direita em Portugal; Miguel Freitas da Costa, Direita nunca existiu, Jorge Azevedo Correia, Sobre direitas, esquerdas e a emergência de um critério; Simão dos Reis Agostinho, Ideologia e verdade; Rafael Castela Santos Direitas …à la gauche, Pedro Guedes da Silva Notas avulsas e direitas polémicas; e finalmente umas belas pistas para a genealogia da Direita Portuguesa por Miguel Castelo Branco, A Direita portuguesa uma direita "britânica"? . Por mim, esta tarde vou andar por aqui. Até logo.

Blacksad - bestial

A Banda Desenhada (BD) não morre assim. Por mais que esta actividade aparente uma lenta decadência, e para os mais distraídos se resuma a umas marginais experiências pseudo-intelectuais, às tiras de jornal ou às revistas de consumo rápido. O facto é que com um pouco de atenção encontraremos nos escaparates das livrarias interessantes obras que em nada desmerecem os clássicos que fizeram da 9ª uma das grandes artes do século passado.
Hoje escrevo sobre Blacksad, um sombrio mas inteligente detective privado, com cabeça de gato, que se move num animalesco ambiente decadente e urbano. Contracenam neste palco personagens com faces de animais em corpos humanos. Esta particularidade torna-se quase subtil: cada animal representado sem dúvida exprime dramaticamente o carácter do personagem... em que quase sempre se exceptuam os personagens femininos, que talvez para imprimir maior carga erótica mantêm os traços faciais mais humanos... sexismo?!
Na BD, tão importante quanto a técnica do desenho, é a arte de contar uma história. Em Blacksad, o encadeamento do guião e dos desenhos, é vivo e ritmado, possuindo uma interessante profundidade dramática. O sucesso da obra é plenamente alcançado pelos espanhóis Juan Díaz Canales (texto) e Juanjo Guarnido (desenho), ambos com os estúdios Disney no curriculum.
Para os amantes do género, aconselho que se deixem surpreender por Blacksad, uma divertida e envolvente série publicada em Portugal pelas edições ASA, claros sinais de boa saúde da 9ª arte. E ainda faltam umas horitas para o fecho da feira do livro... no Parque Eduardo Vll.
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Domingo

Evangelho segundo São Lucas 7, 11-1

Naquele tempo, dirigia-Se Jesus para uma cidade chamada Naim; iam com Ele os seus discípulos e uma grande multidão. Quando chegou à porta da cidade, levavam um defunto a sepultar, filho único de sua mãe, que era viúva. Vinha com ela muita gente da cidade. Ao vê-la, o Senhor compadeceu-Se dela e disse-lhe: «Não chores». Jesus aproximou-Se e tocou no caixão; e os que o transportavam pararam. Disse Jesus: «Jovem, Eu te ordeno: levanta-te». O morto sentou-se e começou a falar; e Jesus entregou-o à sua mãe. Todos se encheram de temor e davam glória a Deus, dizendo: «Apareceu no meio de nós um grande profeta; Deus visitou o seu povo». E a fama deste acontecimento espalhou-se por toda a Judeia e pelas regiões vizinhas.

Da Bíblia Sagrada

Tesouros de Walt Disney


Faz hoje 73 anos que estreou nas salas de cinema The Wise Little Hen (A Galinha Sabichona), curta-metragem da genial série de Walt Disney Silly Symphonies, película que marca a estreia mundial do popular personagem Pato Donald. A peça (de que a minha filha Carolina tão fanaticamente gosta) é uma genial fábula musical em que uma galinha, apenas com a ajuda dos seus pintos, semeia, cuida e colhe o milho. Donald e o amigo porco, que à distância dançam e cantam as desculpas para se esquivarem ao trabalho, no fim arrependem-se amargamente do seu egoísmo e preguiça quando lhes é recusada a participação num lauto e apetitoso lanche. Hoje este filme faz parte de uma esplêndida colectânea “Walt Disney - Os Melhores Contos da Animação” de grande sucesso em minha casa. O DVD, para bom grado das nossas crianças, possui uma versão muito bem dobrada em português - de realçar que muitos dos filmes são cantados com preciosas polifonias à boa maneira americana dos anos 30 e 40. A colectânea inclui A Lebre e a Tartaruga, Os Três Porquinhos (que inclui um terrível lobo mau com carregada pronúncia alemã), O Patinho Feio (nas versões de 1931 e 1939) O Rato do Campo e o Rato da Cidade, O Capuchinho Vermelho, A Arca de Noé, O Rei Midas, A Cigarra e a Formiga e O Velho Moinho, laureado com um Óscar da Academia, entre muitas mais preciosidades. Tudo esplendidamente musicado como só Carl W. Stalling ("Quem tem medo do lobo mau?") sabia fazer.

Quem vai à guerra...

Nunca as minhas relações, mais ou menos circunstanciais, dependeram das diferentes simpatias clubísticas, crenças, ideologias e outras sensibilidades. Por exemplo, entendo que ser ateu, em abstracto, é uma crença tão válida e respeitável quanto a minha. Dos meus amigos de sempre, raros foram os que coincidiram no todo ou em parte com as minhas causas. Aliás, sabe quem me conhece, como os acidentes da minha vida me cruzaram com mais extremos e “alternativos” caracteres humanos. Ser democrata, ser tolerante ou solidário, mais do que valores ou causas, são atitudes postas à prova na relação concreta. Admito que são metas mesmo difíceis, sempre precariamente viáveis, através da aprendizagem da maturidade e do auto-conhecimento. Tolerância e solidariedade valem muito pouco como causas ou propaganda. São atitudes que se treinam com a escola da vida, na experiência da relação, com atitudes e comportamentos. No dia-a-dia, pela vida fora. Tudo o mais são BA-LE-LAS.
De resto, quem ocupa os palanques dos partidos, as páginas dos blogues ou dos jornais (com que direito?!) a insultar a inteligência dos seus semelhantes, numa atitude arrogante, provocadora e inquisitória, deve, no mínimo, saber encaixar desportivamente umas valentes traulitadas verbais.

Cão que ladra...

Caio aqui e espanto-me com a imaginativa verborreia barata da Fernanda Câncio. À maneira pseudo-chic new class, f. insinua a vulgar e amargosa fanfarronice sexual do Tuga. Uma pseudo sofisticada cheap chat... E sexo. E mais sexo. De Deus, do adversário, do vizinho, ou do electrodoméstico. Conversa fiada, sexo verbal, arma de arremesso. Todo um mundo em constante orgia. E alguém que a ature? Se fosse feliz, já era um serviço à comunidade... Qui sas iluminando-se a sua obscura mente.

Desenho: José Abrantes

Postal (atrasado) de Cabo Verde

O jipe de marca japonesa percorre rápido a estrada antiga de calçada que serpenteia pelo interior de Santiago, a maior e mais populosa ilha de Cabo Verde. A paisagem revela-nos o mar, por entre as montanhas de assertivas e bizarras formas, sempre cinzentas cor de Jorra, a omnipresente rocha vulcânica aproveitada também na construção de casas e casebres por toda a Ilha. Nas bermas, assinaladas por pedregulhos pintados de branco, entre curva e contracurva, encontramos constantemente magotes de alegres crianças, fardadas com a cor da sua escola e que galgam quilómetros em constante brincadeira. Alegres, acenam-nos à nossa passagem, com simpatia. Isto é Cabo Verde, é Africa não há dúvida. Mais longe, nas ressequidas acácias, inclinadas e batidas pelo vento, resiste pouca folhagem. Pelas rochas, pedras e caminhos, passeiam-se indiferentes as cabras. Como as vacas e as galinhas que constantemente se nos atravessam indiferentes na estrada. Explicam-nos que sabem onde moram, conhecem os donos... Chegados ao Tarrafal depois de uma rápida visita à prisão, uma inevitável viagem aos infernos da história, às misérias da humanidade, desço à praia e dou um higiénico mergulho nas cristalinas águas tropicais.
De volta “a casa”, fazemos paragem numa estranha e pequena aldeia de frágeis cabanas, dos "Rabelados", um autêntico gueto de um povo que teimosamente nunca cedeu à miscigenação cultural. Resistem estoicamente à margem da sociedade, sem falar crioulo, pintando a óleo umas estranhas e esguias figuras, em telas ou tábuas, que vendem aos forasteiros.
Ainda parámos na Cidade Velha, o primeiro “porto de abrigo” dos portugueses e as suas ruelas e muralhas quase medievais. Pelo caminho, grupos de mulheres gingam as ancas sob os pesados recipientes de água. Ao jantar, enquanto degustávamos uma bela malga de sopa Rolon (sopa de peixe e milho), fui surpreendido e encantado por um nativo que cantava um Funaná di Gaita, uns estranhos e ritmados lamentos acompanhados por percussão e concertina, como um exótico género de blues. Sons de um povo de música, a tocar nas telefonias todo o dia, que é o que se gosta e gasta nesta terra: Morna, Funaná, Coladera.
A Praia, capital de Cabo Verde, é povoada por gente boa, de comércio e serviços, que vive hoje a expectativa de grandes investimentos e dinheiro novo. Possui um novíssimo aeroporto e projectam-se grandes investimentos em infra-estruturas. Que se espera traga mais bem-estar e perspectivas de futuro a este povo sem ressentimentos. Que o rápido progresso e a invasão dos euros não corrompam este seu espírito genuíno e hospitaleiro.
A cinco quilómetros da cidade da Praia, paramos o jipe no extremo da península de Ponta Bicuda, onde o mar e os céus infinitos nos cercam sobre uma agradável brisa. É para lá do horizonte que está todo o mundo, o stress e a agitação. E muita saudade, bem portuguesa.

Crónica mal comportada

À conta da latente depressão de um exército de inadaptados e excluídos sociais patrocinados pelo inefável regime do sucesso, das aparências e do consumo, vive uma incomensurável trupe de profissionais da psiquiatria e psicologia clínica. No topo da pirâmide social, nesta nova classe de obscuros feiticeiros tribais, há-os para todos os gostos e maleitas, sejam da telha, da pila ou da falta dela. Com a árdua tarefa de justificar o inexplicável, normalizar a excepção, declaram-se cientistas especializados num variado menu  de complexos e manias. Eles ncontram facilmente um manancial de freguesia, as vítimas do materialismo predatorial, do socialismo niilista vigente: um regime promotor do mais forte, do mais hábil, do chico mais esperto e da legalíssima ausência de valores.

Com mais ou menos resultados, com mais ou menos psicanálise, com mais ou menos químicos e drogas legais, com mais ou menos internamentos, suicídios e demais efeitos secundários, esta pseudo-fidalguia regimental pulula nos mais inúteis institutos e organismos estatais. São os novos inquisidores da nação, moralistas e carniceiros das almas, oráculos pós-modernos, que se dedicam esmeradamente a debitar as regras da nova moralidade nos órgãos oficiais de comunicação. Encontramo-los a verberar vulgaridades e redundantes lugares comuns sempre politicamente correctos na mais selecta revista feminina ou encarte de entretenimento dominical, ao lado da rubrica de astrologia, num qualquer jornal, rádio ou televisão. Sempre em benemérita promoção das mais radicais e estimáveis minorias. Estes novos e populares cientistas da existência, emitem despudoradamente um discurso sempre redundante e vazio, que não é mais do que a imperativa fórmula de segurar as suas mais suculentas franjas do mercado. Afinal somos todos “porreiros” desde que paguemos a conta da consulta, seja privada ou através da previdência social. Jamais mordas a mão que te dá de comer...
Tragicamente vi passar pelas mãos destes “feiticeiros da psique” gente boa que nunca mais foi gente, gradualmente enterrada em químicos ou relativismos alienantes, psicoterapias e demais placebos. Ironicamente tive a sorte de constatar o seu sucesso na intervenção terapêutica em gente que sempre me parecera saudável. E como tal resistiram úteis cidadãos. Apesar de tudo.

Esta minha crónica foi inspirada por este benevolente texto do João Gonçalves sobre os Sampaios da nossa vida.