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João Távora

Domingo - 1º da Quaresma

(1º Aniversário)
Evangelho segundo São Mateus 4, 1-11

Naquele tempo, Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo Diabo. Jejuou quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome. O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, diz a estas pedras que se transformem em pães». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus’». Então o Diabo conduziu-O à cidade santa, levou-O ao pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Deus mandará aos seus Anjos que te recebam nas suas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’». Respondeu-lhe Jesus: «Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». De novo o Diabo O levou consigo a um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e a sua glória, e disse-Lhe: «Tudo isto Te darei, se, prostrado, me adorares». Respondeu-lhe Jesus: «Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo deixou-O e aproximaram-se os Anjos e serviram-n'O.


Da Bíblia Sagrada

Sem perdão

AINDA A PROPÓSITO DOS 100 ANOS DO REGICÍDIO

A efeméride dos 100 anos do regicídio veio e foi, e ficaram muitas coisas por dizer, por explorar, analisar e escarafunchar.
(...)
Mas enquanto ainda há lembrança e curiosidade, a exibição, na Cinemateca, da reportagem cinematográfica anónima Funeraes do Rei D. Carlos e Príncipe Herdeiro, a abrir o ciclo 'Regicídios', deixou-me curioso sobre se haveria registos sonoros do nosso penúltimo monarca. Como seria a sua voz? Como falaria D. Carlos? Perguntei a um amigo que sabe destas coisas de arquivos. Segundo ele, havia na antiga Emissora Nacional gravações da voz de D. Carlos. Foram destruídas depois do 25 de Abril, juntamente com muitas horas de programas. E assim se mata um rei duas vezes: primeiro em pessoa, depois em memória sonora.
(...)
Mais do que qualquer outro livro, o que eu gostaria mesmo de ter lido sobre o regicídio era o processo do dito, misteriosamente "desaparecido" depois do golpe de Estado republicano de 5 de Outubro de 1910, e agora tema de um dos livros lançados pelos 100 anos do 1 de Fevereiro, a obra colectiva Dossier Regicídio - O Processo Desaparecido. Duvido muito que uma das iniciativas da comemoração dos 100 anos do início do regabofe republicano, daqui a 2 anos, seja a edição em livro do mesmo. Mais depressa se saberá tudo sobre Camarate do que sobre os bastidores do regicídio. A começar pelo que é feito do processo.


Eurico de Barros DN – Na integra, aqui.

Tributo

Fazia hoje setenta e um anos, o meu pai. Deixou saudade e obra também.

Luiz de Lancastre e Távora (1937 – 1993) dedicou-se largos anos à investigação histórica, com especial incidência nos campos da Genealogia, Heráldica e Sigilografia. Possuindo um elevado número de trabalhos publicados, duas das suas obras mereceram ser galardoadas, uma delas com um prémio internacional. Fez parte do corpo docente encarregado de ministrar os cursos de Iniciação à Genealogia e Heráldica iniciativa levada a cabo pelo I.P.P.C. através do Instituto Português de Heráldica e com o patrocínio das Universidades Clássica e Nova de Lisboa. Funcionário da Biblioteca da Assembleia da Republica, foi destacado para a Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, onde, a par de outras funções, dirigiu as actividades do Projecto Arquivos de Família. Sócio efectivo do Instituto Português de Heráldica, da Associação Portuguesa de Genealogia, da Sociedade de Geografia de Lisboa, e da Associação dos Arqueólogos Portugueses. Galardoado com os prémios General França Borges (A.A.P.) e Salazar y Castro (Academia Internacional de Genealogia e Heráldica, com sede em Madrid).

Nota: Esta foi a entrada (seguida da respectiva bibliografia que me escuso aqui detalhar) criada por mim para inserção na Wikipédia. O conteúdo foi considerado sem "interesse enciclopédico" e aconselharam-me a tentar de novo seis meses mais tarde, mas sem referencias à Nobiliarquia sendo Portugal uma república. Parece-me extraordinário como o preconceito político mais básico ainda se impõe tão impunemente na escrita da História. Para que conste, aqui se encontra o registo da correspondência trocada com um editor Relações Públicas da Wikipédia.
Ironicamente existe referência a Luiz de Lancastre e Távora nesta enciclopédia, no âmbito da genealogia, ou seja, sem qualquer suposto “mérito” que o justifique. Daqui a uns meses, conforme permite o regulamento, tentarei de novo editar o texto, na expectativa de que prevaleça então alguma sobriedade e justiça dos Srs. editores.

Uma realidade inconveniente

A dignidade e qualidade de vida na velhice é uma questão sobremaneira pertinente nos tempos que atravessamos. E quando aqui refiro "velhotes", não falo do dinâmico e promissor “segmento de mercado” em gozo de generosas reformas antecipadas. Não me refiro a essa nova classe etária à qual se apelidou de “sénior”, com que se ilustra graficamente os anúncios de cruzeiros, viagra ou fraldas descartáveis. Refiro-me aos velhos-relhos, débeis e alquebrados, para quem até um mediano poder de compra não consegue disfarçar o sofrimento físico e psicológico ou o literal abandono a que são votados.
Bem sei que estes são os danos colaterais do progresso, do desagregar dos ancestrais modelos de organização social, das comunidades familiares alargadas, em paralelo com o aumento exponencial da esperança de vida - uma mistura explosiva. Esta “nova ordem” potenciou a formação de silenciosos exércitos de velhos dependentes, humilhados e rejeitados pela implacável vida “moderna”: uma adolescentocracia com as suas referências hedonistas, uma sociedade movida pelas aparências e pelo individualismo desregrado, que favorece o predador mais hábil, numa lógica antagónica à realidade e à estética da velhice.
Com um modelo de “família” reduzido à sua expressão mínima - quantas vezes transformada numa frágil e deprimente estrutura monoparental - a sufocar em utilitários favos suburbanos, pouca capacidade ou disposição lhe sobra para acompanhar os seus progenitores ou parentes na sua sensível e dolorosa etapa final.
O problema, longe de ser abstracto e teórico, é bem concreto e dramático, uma fatalidade que me tem saltado à vista com progressiva frequência nos últimos anos. Quando visito a minha mãe doente, ali para os lados da Almirante Reis, naquelas ruas da cidade arruinada, deparo-me com a sua população que tem a idade dos vetustos prédios em que habita. E ponho-me a pensar quem cuidará daquela gente perdida, que definitivamente já corre noutro campeonato...
Recentemente, numa incursão feita pelas Urgências do Hospital de S. José, impressionei-me com o panorama das dezenas de homens e mulheres, de olhar vago, doentes e desamparados. E quão diferente são aqueles seres, do mundo que nos vendem nos media, feito de modelos de juventude e eficácia, beleza e sedução... mas apesar disso retocados pelo fotoshop. E, para alem da imagem, quem conseguirá verdadeiramente colocar-se nos seus sapatos e perscrutar os seus sentimentos e anseios?
Sei de muitas instituições e pessoas que trabalham em regime de voluntariado perto desta população. Sei do papel decisivo das paróquias e das suas comunidades nesta urgente intervenção solidária. Mas também reconheço que o assunto é tabu, que ninguém o quer enfrentar, mas que urge ser amplamente debatido e denunciado. Nem que seja porque este problema social se adensará radicalmente nas próximas décadas, e porque nossa geração está nesse caminho, ali logo depois da contracurva, numa marcha constante e imparável.

Domingo

Evangelho segundo São Mateus 5, 1-12a

Naquele tempo, ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se. Rodearam-n’O os discípulos e Ele começou a ensiná-los, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados os humildes, porque possuirão a terra. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós. Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Indignidade

Foi arrogante e indigna ontem a recusa do parlamento em prestar um singelo voto de pesar em memória dum Chefe de Estado constitucional assassinado há um século num brutal acto de terrorismo. São hipócritas, estes que apregoam uma aversão selectiva à violência como arma política. O que significará quando cem anos volvidos da tragédia impera ainda um discurso tão mesquinho e rancoroso em vez duma sagaz atitude de conciliação? Oxalá nunca lhes estoire na cara o fado contido deste pobre povo à procura do seu destino. É que a Historia ainda não acabou.

Dignidade




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Comovi-me ontem profundamente na Basílica de São Vicente de Fora, com a celebração do Requiem Soleníssimo "In Memoriam” presidido pelo Cardeal Patriarca de Lisboa. Com os cânticos de Bach, Lorenzo Perozi e Louis-Nicolas Clerambout pelo Coral Stella Vitae sob direcção de João Baptista Branco, e João Vaz no magnifico órgão do século XVIII, a cerimónia foi de uma profunda beleza.
Perante uma numerosa assembleia, o Cardeal Patriarca salientou na sua homilia, que o regicídio "não foi, infelizmente, o último acto de violência", que marcou “o primeiro quartel do século XX como forma de impor ideias e políticas”. Disso deu exemplo a trágica “perseguição movida à própria Igreja, na perseguição das pessoas, sobretudo sacerdotes, e na destruição de estruturas e instituições ou na espoliação injusta de bens essenciais". O Cardeal Patriarca, referindo-se às efemérides que se avizinham, lançou um apelo para "que ninguém ressuscite fantasmas antigos, porque cem anos significaram um caminho andado, e a celebração das grandes efemérides históricas só tem sentido se celebram o presente e se abrem a um futuro novo". Finalmente D. José Policarpo exortou à "convivência tolerante e fraterna que nos levará a uma sociedade justa, humanizada, democrática".
Foi desta forma digna que terminaram as celebrações do dia do centenário do regicídio.
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Em cima: Pequeno registo filmado do final do Requiem

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