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João Távora

O erro fatal


Sintomático e caricatural aquele anúncio natalício a telemóveis, em que um expansivo jovem ensaia uma conversa com a sua avó, alertando-a para o equivoco que é um par de meias como presente de Natal. O adolescente numa animada pantomima declara à imaginária velhota que não precisa de meias, antes prefere... o “topo de gama” da Nokia, com o qual ficará mais feliz. Esse é o erro fatal.

De facto quando o Natal se transforma num hediondo preito ao consumo, antagónico à natureza da genuína celebração cristã, eu não estranho nada que a quadra se torne numa fonte de tantos dissabores, amuos, antipatias e... depressões. 

A perspectiva de "se sacar" um pouco de felicidade com um reforço de amigos, doces, álcool e prendas, subverte a essência desta maravilhosa festa. Pretender que os outros irão ser mais gentis e compreensivos connosco no Natal, quem sabe até adivinhar o nosso mais intimo desejo, é um mergulho quase certo para a des-ilusão. E o problema das ilusões é que se desmancham com excessiva facilidade.

A única saída possível para um feliz Natal, não está no que vamos receber, mas no que vamos dar. Tomando o exemplo de Cristo que nos preparamos para celebrar nascido e despojado numa manjedoura de Belém, o foco no Natal tem que ser na dadiva radical, para uma entrega total aos outros, sem condições ou caprichos. E acreditem que com alguma preparação espiritual, a nossa capacidade de faze-lo e ser feliz se alarga consideravelmente. E afinal do que eu vos falo é de... melhor qualidade de vida.

O grande estigma

No Diário de Notícias de hoje a candidatura de Laurinda Alves como cabeça de lista do Movimento Esperança Portugal (MEP) para as eleições europeias é noticiada em duas diferentes abordagens: a primeira, numa simples notícia e a segunda na rubrica  “Alegações finais” na última página. Até aqui tudo bem, parece-me meritório o destaque dado pelo jornal a uma candidatura que surge de “fora do sistema”. O que já me custa a entender é a obstinada insistência da jornalista em confrontar a candidata com a sua posição contra o aborto por ocasião do referendo, aparentemente como se tal de um handicap se tratasse. Se calhar, algo me escapa. Na entrevista assinada pela jornalista Paula Sá constituída por sete questões, o tema é levantado por três vezes: uma como título, a declaração: “É redutora a barricada do ‘não’ ao aborto”, e depois, na questão/afirmação “Está ainda muito conotada com o movimento do “não” ao aborto no último referendo”, e a seguir na última pergunta (esta com ponto de interrogação): “E não teme ser atacada durante a campanha pela sua posição contra o aborto?”. Finalmente, na noticia da página 18 o “caso” é denunciado sem subtilezas através da fotografia de arquivo que mostra a candidata ao lado de Manuela Ferreira Leite por ocasião da campanha da associação “Independentes pelo não”, devidamente legendada com a frase “Laurinda Alves na campanha pelo ‘não’ ao aborto (ao lado de Ferreira Leite).

Sem querer discutir as boas ou más razões do ‘não’ e do ‘sim’ ao aborto, questiono-me antes se o estigma provém, numa lógica maniqueísta e muito pouco democrática, de se ter um dia assumido uma opinião "derrotada". Afinal, à boa maneira dos sovietes a “civilização” de uns poucos é o nosso estreito e inevitável destino.


 

A tragédia grega

Dei uma volta pelos blogs do costume e poucos ou nenhuns comentários encontrei sobre a rebelião juvenil em Atenas. Tal parece-me estranho, pois toda a Europa moderna e “livre” deveria por estes dias também estar a ver-se grega.


Sobre os factos, o poder de rastos pelas ruas, desta feita não há desculpas de minorias étnicas ou  outras inadaptações. A ameaça da crise económica e do desemprego também não são certamente as razões mais plausíveis. Revolta pura, ou apenas uma "birra" medonha?

De resto, só me espanto com aqueles que se espantam. Parece-me que dum inferno destes também nós já não estamos livres, pois que há décadas construímos a nossa civilização como se a existência se reduzisse a um festival de rock, gadgets electrónicos e outros fumos tóxicos. Todos rosadinhos, bem alimentados e vestidos. Sem contar com o descrédito nas "instituições democráticas", o desenraizamento moral, o hedonismo militante e a desgraçada ignorância são per si  uma mistura explosiva, enfim a mais trágica das misérias. E todos bem sabemos como quem nada de nada tem, nada de nada teme perder...

Estado comatoso


O mais grave não é trinta e tal deputados da nação baldarem-se a uma votação candente. O mais grave não é a amigável distribuição de casas às clientelas pelo maior município nacional. O mais grave não é institucionalizada promiscuidade entre a politica e os negócios. O mais grave não é o peso das autarquias na criação e distribuição de emprego.

Não, o mais grave é mesmo o conformismo com que as nossas anestesiadas gentes aceitam este seu medíocre destino.

 

Domingo


2º do Advento


 


Evangelho segundo São Marcos 1, 1-8 



Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».


 


Da Bíblia sagrada

A bem das artes...

Após demorada ponderação a Ana Vidal finalmente assumiu o Risco. Particularmente para os que já conhecem a sua escrita fina e insubmissa na Porta do Vento será uma honra partilha deste espaço de liberdade e de asserção. A Ana já recebeu a sua parcela de papel e caneta, faça-nos então o favor de dizer de sua justiça... seja bem vinda.

 

Para onde vão os meus impostos - 1

Manuel Pinho anunciou 900 milhões de euros em apoios para a industria automóvel, diz aqui. Bem vistas as coisas aquilo de que Portugal mais precisa é de automóveis subsidiados, que os que andam para aí são poucos e arrastam-se ferrugentos. Certamente amanhã o ministro da economia vai anunciar uns quantos milhões para a industria têxtil e talvez sobrem uns eurios para o Estrela da Amadora.

A escola pública


Em Portugal o ensino público é determinante na formação da população portuguesa: a “educação” é ministrada  em mais de 10.000 escolas para um milhão trezentos e sessenta mil alunos por cerca 150.000 professores pagos por todos nós. Os resultados são por todos conhecidos.

Para lá de toda a inflamação e aproveitamento político que as negociações das reformas neste sector têm gerado, como português e encarregado de educação de quatro crianças, preocupa-me principalmente a desmesurada força desta corporação, basicamente ingovernável, logo inimputável.

De resto, a premissa é só uma e válida para todos os sectores de actividade laboral: a recompensa do mérito e a coibição da mediocridade alem de constituírem um simples acto de justiça são a mais eficaz promoção da excelência, valor que nesta república é apenas instrumento de mera retórica.

 

O bom e o bonito


Por Jorge Lima no Nem Tanto ao Mar:  (...) Neste mundo onde o caos parece sempre mais fácil e provável, onde as leis da entropia decretam que é mais plausível um copo fazer-se em cacos que os cacos se organizarem em copo, a beleza é a promessa da harmonia suprema. Está-nos nos genes, porque quem passou a pensar, e assim largou a pele de macaco, exige um sentido, e bom. (...) É obrigatório ler tudo, aqui.