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João Távora

Ao nosso Paulo Cunha Porto

O Senhor é meu pastor: nada me falta.

Em verdes prados me faz descansar

e conduz-me às águas refrescantes.

Ele reconforta a minha alma.

 

Ele guia-me por caminhos rectos, por amor do seu nome.

Ainda que atravesse vales tenebrosos,

de nenhum mal terei medo

porque Tu estás comigo.

A tua vara e o teu cajado dão-me confiança.

 

Preparas a mesa para mim

à vista dos meus inimigos;

ungiste com óleo a minha cabeça;

a minha taça transbordou.

 

Na verdade, a tua bondade e o teu amor

hão-de acompanhar-me todos os dias da minha vida,

e habitarei na casa do Senhor

para todo o sempre.

 

(Salmo 23)

O que ela quer sei eu!

A cronista do regimento está preocupada com o silêncio generalizado à volta da moção ao congresso de Sócrates sobre o casamento dos homossexuais. E manda o recado, provocador e veemente aqui. Pois a mim parece-me que, dos partidos aos movimentos cívicos, passando pela blogosfera “excitada” (na qual eu me incluo), já toda a gente proclamou copiosamente as suas opiniões. Foi há bem pouco tempo, há três meses, se bem se lembra a D. Fernanda, aquando da votação dos projectos de lei do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, aquelas que o partido do seu Sócrates rejeitou. De resto, a Senhora jornalista terá que admitir que para as pessoas normais, (sim, normais!) é uma canseira andar-se constantemente a discutir as mesmas coisas, nomeadamente as suas causas e manias, sejam elas fracturantes, sejam elas de consciência ou de falta dela. Não seria um acto de puro patriotismo, um serviço à comunidade, se se promovesse um voto de silêncio sobre o assunto até à próxima legislatura? É que até lá, centenas de milhares de portugueses responsáveis estarão mais preocupados em saber como conservar os seus empregos ou as suas empresas. Até chegar o diploma da senhora Câncio à Assembleia, os portugueses viverão oprimidos e estrangulados pelos impostos dum Estado monstruoso e insaciável. Suspeito que por causa disso, a notícia, a agenda, a breve trecho irá falar de sobrevivência...  das pessoas e do regime, continuamente incapaz de se reformar, de se regenerar.

Elogio às rotinas

Sou uma pessoa basicamente indisciplinada, logo bastante desorganizada. Quando era miúdo, lembro-me bem, só não perdia a cabeça porque ele me estava agarrada. E assim se manteve até hoje nem sei bem como. Nessa altura a minha carola voava, voava. Sempre fui um sonhador, um idealista, com traços de meio poeta. Focado numa qualquer paixão de circunstância, perdia-me facilmente. Estas características cedo me guiaram ao caos. Até ao liceu não me lembro de ter agendado um teste e estudado a fundo o que fosse. Cada vez que tinha um, era um susto apavorante  ao entrar para a aula. As minhas notas eram imprevisíveis. Era capaz do melhor e do pior. Vesti muitas meias desemparelhadas, perdi documentos importantes, cadernos, livros; e até deixei a minha mochila viajar sozinha de autocarro até ao Bairro Madre de Deus. Chegado ao auge da adolescência, com as experiências inerentes ao estatuto, com as borgas mais ou menos surrealistas, o caos chegou aos píncaros. Por essa altura experimentei uma precoce e traumática experiência laboral, como paquete de uma conhecida empresa de promoção de torneios desportivos. Resultado: depois de várias broncas e humilhações descobri que só havia uma maneira de sobreviver no mundo concreto e cruel: pousar os pés no chão. Foi duro e levou muito tempo.

Hoje, passada a tormenta, considero-me um homem feliz em grande parte graças à disciplina que afincadamente cultivo e aos muitos rituais a que sou fiel. Hoje, deixo o telemóvel no mesmo sítio todos os dias. A carteira só por uma catástrofe não estará no sítio certo. Doeu muito mas hoje sou surpreendentemente metódico, quase como um computador - a descoberta da informática foi determinante para a minha organização: o meu telefone e computador apitam sincronizados quando tenho ginásio ou uma reunião. Alertam-me quando um familiar ou amigo faz anos - desta forma ainda não falhei um aniversário de casamento. Raras vezes chego atrasado a algum sítio: com o tempo aprendi a dominar o tempo. deito-me a horas e levanto-me com as galinhas, pontualmente com um delicioso café. Com os múltiplos deveres familiares e um trabalho exigente e cansativo, levo afinal uma vida bastante previsível. Quando faço uma noitada fico dois dias doente: à meia noite transformo-me numa sensível abóbora.

Hoje sou o mais certinho dos seres vivos. Convicto e sem arrependimento: promovo animadamente variadas rotinas e rituais, como se fossem as linhas e as margens de um caderno onde escrevo a minha vida. Que inspiram e suportam um projecto de vida e a minha liberdade... Que me permite fugir à rotina e até falhar a algum importante ritual. 

 


Texto reeditado

Contra a mitomania

Eisenhower quando questionado por um jornalista quais os obstáculos ao seu mandato que mais temia, terá respondido: “as circunstancias”. (João Pereira Coutinho ontem à noite na SIC notícias, no papel de desmancha prazeres).

 

Ler os outros

Obama "Rex Mundi", por Ricardo Gomes da Silva no Centenário da República: A globalização tem destas coisas, de um momento para o outro um Presidente eleito passa a fenómeno planetário... talvez mesmo o 1º "rex mundi" virtual.


Se viesse, neste momento, um habitante de uma qualquer galáxia distante e visse o que se passa certamente pensaria que Obama é o chefe eleito da "aldeia" Terra.


Mau grado a falta de lógica, o 44º Presidente dos EUA não passa disso mesmo, um Chefe de Estado de um país (entre as quase 2 centenas que existem no planeta) que não o nosso e que pouco mais tem de 200 anos. Obama está apenas e exclusivamente interessado nos EUA.


Por outro lado é curioso que numa República avançada, como os EUA, os seus habitantes vejam num só homem a reunião ou somatório das capacidades individuais de cada um dos seus habitantes, o que é um contra-senso para qualquer republicano de gema que acredita na capacidade do Homem, como individuo, sobre as capacidades da comunidade reunida em torno do Rei. Ler mais

Crisis what Crises?


Num país em que quase 50% do PIB depende directa ou indirectamente do  Estado benemérito, Sócrates rejubila com o dealbar da crise internacional a um ano do final da legislatura. Governar para "curto prazo" com as reformas na gaveta é o sonho de qualquer demagogo. A viabilização do país, essa, ficará adiada uma vez mais.


 



Titulo e imagem roubados de um disco da banda pop Supertramp


Congresso das Caldas I

Paulo Portas pode agradecer às minudências e a alguns inconformados militantes,  terem salvo o congresso de se tornar numa enfadonha feira de vaidades. Quanto à sua estratégia de disputar o fatal centrão (patético o "piscar de olho" à classe dos professores), não lhe antevejo grande sucesso...

Ser cristão


Ao cabo de quarenta e tal anos, ser cristão (ser dos de Cristo) não é para mim um dado adquirido; é um desafio, é um caminho. Ao qual retorno obstinadamente, instigado pela procura de verdade, em demanda de redenção. No fundo, volto sempre a Jesus Cristo, com o qual “o mundo”, corrupto e precário, recupera unidade, reforça o sentido.