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João Távora

Taxi


 


Sempre que necessito deslocar-me dentro de Lisboa, o meu transporte favorito, se por lá passar, é sem dúvida o Metro. Mas quando tal não é possível, o Táxi é uma solução bem eficiente, em certos casos até económica, se considerarmos os preços do estacionamento. Se com alguma sorte o motorista não for excessivamente intrusivo, esta alternativa torna-se até quase perfeita. Mais, quando algures na cidade procuro um Táxi, e se puder escolher, garanto-vos que escolho um Táxi "verde e preto", que é a cor verdadeira dos táxis. (quando era pequeno eu considerava por exemplo que a língua pátria era a “verdadeira”, e aquelas exóticas verborreias que assistia na televisão não passavam deficientes de tentativas de comunicação). Nesse tempo, um verdadeiro táxi era um Mercedes 180, verde e preto de bancos corridos e manete de mudanças no volante cor de marfim. Quanto muito nessa altura cheguei a admitir a modernice dos “Datsuns”, umas revolucionárias banheiras com rodas que apareceram nos anos 70… mas sempre na condição alegre e tradicional do “verde e preto”.

Depois, nos anos 90, umas luminárias cá do burgo (nunca entendi bem a verdadeira história) decidiram que se pintassem todos os táxis de "cor-de-burro-quando-foge”. Hoje, é com uma confortável satisfação que vejo crescer o número de táxis “verdadeiros” na minha cidade. Coisas minhas, coisas cá deste vosso incurável conservador.

 


Texto reeditado

Tanto para tão pouco *

Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República (CNCCR) começou finalmente a mostrar trabalho e anunciou que se prepara para gastar ao erário publico dez milhões de euros em publicidade enganosa: mistificar uma revolução e uns quantos demagogos que brindaram Portugal com dezasseis anos de repressão, tirania e descalabro económico e social. Entretanto, com um punhado de euros há quem prepare uma mais sóbria rememoração do evento. A acompanhar aqui.


 


Na imagem: Capuz penitenciário, artefacto recuperado pelo regime republicano.


 


 


* Título roubado ao João Vacas

O sentido das palavras

Segundo a sacrossanta wikipedia, define-se  Anormalidade como algo que foge do padrão, que se diferencia, desvia-se ou é oposto da normalidade. É um estado ou algo bizarro, estranho, fora do comum ou do que se está habituado. Por isso não faz sentido o escarcéu que por aí vai por causa de um bispo católico ter afirmado que a homossexualidade não é normal. O que é verdadeiramente preocupante nesta ditadura do politicamente correcto, é a instrumentalização da semântica, com obscuras intenções persecutórias.


Finalmente parece-me que o respeito e o amor entre os Homens infelizmente não é legislável. É uma aprendizagem que se faz nos antípodas do folklore e da propaganda politica. É uma lenta aprendizagem que começa em casa e que tem que ser vivida e aprofundada. O respeito e o amor entre as pessoas só se consubstancia na relação - e esse é o verdadeiro e consequente desafio, postulado da igreja de que faço parte.

Peculiaridades minhas (ou talvez não)

A Teresa Ribeiro lançou-me uma corrente e desafia-me a destacar seis particularidades minhas. É uma safadeza que eu concedo por vir de quem vem:


 


1 – De manhã cedo acordo deprimido e irascível (uma hora e uma bica reconciliam-me  com o mundo).

2 – Fascinam-me as novas tecnologias, gadjets e aparelhómetros (ainda oiço música em vinil).

3 – Gosto de ler na cama (tirando algum clássico, só leio romances nas férias).

4 – Comovo-me com facilidade (e com a idade está a piorar).

5 – Sempre gostei de guiar (mais ainda desde que percebi que  isso encanta o meu filho de dois anos).

6 – Sobrevivo estoicamente a uma enorme necessidade de ser admirado por todo o mundo.


 


E desta vez cometo o crime de interromper a corrente, sujeito a vitupérios e maus olhados. Nada que não me acontecesse se fizesse o contrário.

 

Ler os outros

Mário Crespo ontem no Jornal de Notícias:


 


O horror do vazio


 


Depois de em Outubro ter morto o casamento gay no parlamento, José Sócrates, secretário-geral do Partido Socialista, assume-se como porta-estandarte de uma parada de costumes onde quer arregimentar todo o partido.


Almeida Santos, o presidente do PS, coloca-se ao seu lado e propõe que se discuta ao mesmo tempo a eutanásia. Duas propostas que em comum têm a ausência de vida. A união desejada por Sócrates, por muitas voltas que se lhe dê, é biologicamente estéril. A eutanásia preconizada por Almeida Santos é uma proposta de morte. No meio das ideias dos mais altos responsáveis do Partido Socialista fica o vazio absoluto, fica "a morte do sentido de tudo" dos Niilistas de Nitezsche. (...) Ler tudo aqui.

O planeta dos macacos


Primeiro foi a liberalização do aborto até às dez semanas, que não tardam serão muitas mais, em nome da sacrossanta libertinagem individual. Depois, como arma de arremesso ateísta, legaliza-se a magnânima eutanásia, e a sentença de morte por prescrição médica - e qualquer dia profilática.

Esta é a herança que deixamos aos nossos descendentes: um mundo em que a dessacralização da vida humana lhe confere um estatuto pouco acima dos símios - desde que não estejam em risco de extinção. Razões suficientes para não dormirmos descansados.

Semanada *

Charles Darwin e os símios


 


Passaram 200 anos sobre o nascimento de Charles Darwin e a imprensa nativa, fazendo eco das festividades internacionais, dedicou algumas páginas ao senhor. Nada mais justo: Darwin alterou radicalmente a nossa visão sobre o Homem. Sobre as suas origens, comportamentos e capacidades. Pena que, no meio das celebrações, algumas perguntas tenham ficado por fazer.

São precisamente essas perguntas em falta que podemos encontrar num dos melhores livros sobre o evolucionismo e os seus limites; um livro que infelizmente, não vi citado na revisão da bibliografia especializada. Intitula-se “Beyong Evolutios” (Oxford University Press), foi escrito por um antigo professor meu (Anthony O’Hear) e pretende defender que alguns aspectos da nossa humanidade não encontram resposta nas teorias evolucionistas, centradas em questões de sobrevivência e reprodução. A nossa busca desinteressada de conhecimento; o nosso amor pela verdade; e até a abertura do humano para o belo e o sublime são comportamentos que parecem desmentir Darwin e, em certos casos, remam directamente contra ele. Um dos elementos mais caros a O’Hear é Sócrates (o filósofo), condenado à morte na Antiguidade helénica. O’Hear pergunta: por que motivo Sócrates aceitou as leis da cidade, recusando-se a fugir de Atenas? O’Hear responde: porque a fuga seria desonrosa para o próprio. E são precisamente conceitos tão antidarwinistas como este – conceitos de “honra”, “sacrifício”, “nobreza de espírito” – que, 200 anos depois, continuam a intrigar os símios.


 


João Pereira Coutinho, Revista Única - Expresso 14/02/2009


 


* Semanada é uma série do Risco Contínuo onde se destaca um excerto de uma crónica da imprensa de fim-de-semana.

Autofagia


 


Hoje foi Ângelo Correia a botar a boca no trombone afirmando que se dependesse dele, Manuela Ferreira Leite, saía já amanhã da direcção social-democrata.

Dizem-me os meus amigos sociais-democratas que o seu partido é assim mesmo: cicuta, faca na liga e traulitada até ao soar do gongo; está-lhe nos genes. Eu, sem ser do PSD sou um pragmático de direita e começo a preocupar-me com o estado de coisas.

Sem querer meter a foice em seara alheia, acho que está na hora dos sociais-democratas suspenderem as disputas internas, e assumirem definitivamente a liderança e a estratégia escolhida em congresso. É pegar ou largar: a poucos meses de eleições, com uma sinistra crise económica e um governo incompetente, é tempo de remarem todos para o mesmo lado, não aconteça um naufrágio fatídico, afundando-se a Nau, a líder e toda a turbulenta tripulação.

Vamos combater a poligamofobia!

Filipe Nunes Vicente:


 


(...) O Francisco, a Rute e a Renata passaram a viver juntos. Mas viviam em degredo. Queriam casar-se como as pessoas normais e não podiam. Teriam de optar. Não podiam: o afecto e o amor escorria-lhe pelo testum.


O Francisco, a Renata e a Rute amaldiçoam esta sociedade que se julga no direito de regulamentar a forma como as pessoas se amam, excluindo-as da ordem jurídica aceitável. (...)


 


Obrigatório ler tudo aqui