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João Távora

O crime

(...) Na génese da violência estão culturas permeáveis à infracção, ao desprezo pela autoridade e à recompensa pelo acto atrevido. No fundo, o liberalismo foi sempre uma miragem optimista: quando se dá aos indivíduos rédea solta, salta um Madoff, um "médico da morte", um Landru ou um atirador sobre alvos em movimento. (...)


 


Combustões

A semântica instrumental

Quando menos esperamos, o significado de uma velha e batida palavra ganha conotações malditas sendo logo proscrita do linguajar engagé ou oficial. Por exemplo, dificilmente eu cometeria o pecado de chamar “criadas” às empregadas dos meus avós. Mesmo que de facto tivessem sido criadas naquelas casas e de lá saído verdadeiramente formadas para uma vida melhor.


A minha filha pequena que está a dar os primeiros passos nesta existência complicada, depois de uma saudável aula de cidadania e solidariedade (nunca por nunca dizer “Caridade” - s. f., amor ao próximo; benevolência; bondade; compaixão; beneficência) já me veio dizer que afinal “não há pretos, pai”. "Todos diferentes todos iguais" pensei eu que até vejo com bons olhos o reforço da escola laica à nossa educação cristã. De seguida a miúda esclareceu-me que “eles não são pretos, são castanhos, pai; e os brancos também não são brancos, são cor-de-rosa, pai”. Fiquei na dúvida se tanto preciosismo cromático cairá bem socialmente. Eu, por mim, se possuísse ambições políticas ou tivesse que escrever “a sério” um artigo sério sobre negros, escolheria a palavra “africanos”. Omite-se a cor para lhe tirar importância... e amenizar os nossos complexos de culpa.

É como o "doente" num hospital que afinal se chama “Utente”. Corrigiram-me tantas vezes quando por lá andei... “Doente”, não: o estatuto de “Utente” tem muito mais decência e é o melhor placebo para qualquer terrível maleita. E evita que alguém de má fé nos aponte o dedo, e nos mande para o... hospital.

De resto, é o que eu sempre disse: "o verdadeiro cego é aquele que não quer ver". Sei-o há muito tempo, mas percebo agora que os outros, os cegos involuntários, são apenas “invisuais”. Ou melhor, “Pessoas Portadoras de Deficiência”, não vá a boca fugir para a verdade a algum malandro que o designe de forma indecorosa.

Daqui por uns anos já não haverá mais “velhos”, aquele incómodo e degradado Ser que passa o dia a jogar dominó ou a dar milho aos pombos nos nossos jardins. No futuro seremos todos respeitáveis e dinâmicos “Seniores” cheios de auto-estima e de PPRs. Velhos nunca, que é aí que a morte se esconde.

É nesta estonteante espiral reformadora da realidade que o Governo em boa hora extinguiu a Comissão Para a Igualdade e Para os Direitos das Mulheres e instituiu a revolucionária Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Eu por mim nunca mais vou “fazer género” com qualquer um... Promiscuidades é que não!

Estranhas modernices estas, quando se recusa a mentira mas tolera-se a "inverdade", pecadilho próprio de políticos e de outros inimputáveis. E da IVG que não oculta a tragédia do aborto nem quero mais falar, para não azedar esta crónica.

É com esta sempre renovada linguagem se reinventam os tabus e o regime promove a sua semântica instrumental, anódina e igualitária, à qual a implacável realidade se manterá indiferente.


 


Texto reeditado

Medina Carreira - Em acta

"Vocês, comunicação social o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6»....Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias...mas é sem açúcar..."

 


"Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularucho» porque não dependo do aparelho político!"

 


"Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... Isto é ensino... é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!" 

 



 

O sonho dum mercado em português


Porque exerço funções de comunicação empresarial em projectos dirigidos ao mercado global, sei por experiência própria que no mundo dos negócios, escancarado pelas novas tecnologias, a mais penosa fronteira ainda é o idioma. Sei como é difícil efectuar uma acção de marketing na Noruega, na Suécia ou na Holanda; desde a criação dos prospectos, o site de Internet, à redacção duma newsletter para os clientes. O problema agrava-se principalmente quando se lida com produtos de alguma sofisticação em que o “inglês técnico” se torna pouco eficaz. Também há muito que constatei que o meu trabalho é muito ingrato na língua para a qual estou mais habilitado, o português, por falta de escala e profundidade do nosso mercado. Assim, do ponto de vista profissional, eu seria bem mais feliz e realizado a trabalhar para trezentos ou quatrocentos milhões de pessoas evoluídas, com sentido crítico e poder de compra! Sonhos meus... 

Como sempre a questão humanitária converge na questão económica. Daí a importância da maturação dos mercados de língua de portuguesa, só possível através dum sólido progresso socio-económico nesses países.  O Brasil na ultima década tem dado sólidos passos nesse sentido, e Angola, noutro patamar está a fazer o seu caminho, embalada pelo fim da guerra civil e pelos milhões do petróleo.

Vem esta reflexão a propósito da visita de José Eduardo dos Santos a Portugal: a mim parece-me injustificada a hostilização política (veja-se a atitude dos bloquistas) a um país ou a uma visita de estado claramente amistosa e com uma agenda de vital importância para os negócios entre os dois países. Como tão bem refere aqui o nosso amigo João Carvalho, Angola é hoje uma porta de esperança de muitos portugueses empreendedores e refugio de muitos emigrantes nacionais acossados pela crise e pelo desemprego na Europa. Não deixemos pois algum reminiscente complexo de superioridade toldar a nossa vista. 


 


Imagem TSF

A face da vergonha


O resultado de 12-1 sofrido pelo Sporting na eliminatória da liga dos campeões contra o Bayern é uma vergonha. Acontece que ontem à noite, motivado às tantas por uma curiosidade mórbida, eu assisti ao desafio até ao final. E sou levado a concluir que para lá da tremenda incompetência e falta de brio revelada pelos jogadores da minha equipa em campo, está um treinador que responsável,  e que não possui mais condições para exercer o cargo. Porque a hecatombe tem que ter consequências: o vexame de Munique tem uma face, um nome, um responsável que se chama Paulo Bento. Esta humilhação jamais poderá ser considerada normal, sob o risco da “aculturação da mediocridade” por um clube supostamente “grande” e de matriz “vitoriosa”: esforço, dedicação, devoção e glória que eu saiba ainda é a sua assinatura!

Até hoje defendi até às últimas a inédita política de estabilidade proclamada por Soares Franco quanto à manutenção equipa técnica. Como pessoa conservadora que sou, considero meritórios tais intentos, mas parece-me que o principio esbarra com este descalabro.

Os pergaminhos do centenário Sporting Clube de Portugal exibem a vitória por 16-1 ao Apoel de Nicósia em 1963 como resultado recordista numa eliminatória europeia. Hoje ninguém nos livra dum novo recorde, uma nódoa indelével na história do clube que não deixará de condicionar a equipe e a sua liderança a curto prazo. Isto, alcançado por uma equipa em desnorte, sem carácter ou liderança: um aviltante desrespeito para com o clube, os seus adeptos, e a sua história.


 


 

Lapidar

O homem facilmente se convence que são falsas ou ao menos não são verdadeiras aquelas verdades que gostaria que o não fossem.

 


Papa Pio XII


Via O Povo

Acorrentado outra vez

O benevolente João Severino, companheiro de Risco atirou-me uma corrente lá do seu Pau para Toda a Obra pedindo-me para:


 


1 - Agarrar o livro mais próximo

2 - Abrir na pág.161

3 - Procurar a quinta frase completa

4 - Colocar a frase no blog

5 - Indicar 5 pessoas para continuar a tarefa (esta não cumpro!)


 


Assim sendo, recorri ao livro que está na minha mesinha de cabeceira, "D. Miguel! - Maria Alexandra Lousada, Maria de Fátima Sá e Melo Ferreira, Colecção Reis de Portugal Circulo de Leitores, do qual retirei a frase que se segue:


 


“O povo estava tão “inquieto e desejoso de aproximar-se” de D. Miguel que o seu alarido impediu que se ouvisse o Te Deum; decidiu-se fechar as grades que separavam o coro da restante igreja, mas tal preocupação foi inútil, pois no seu “ardor e esforço” arrombaram as grades, encheram o templo, tendo sido muito difícil ao rei “desembaraçar-se do sem número de pessoas que o cercavam de todas as direcções” e que nem às espadas dos guardas tinham medo, rompendo “denodadamente” por elas; para escapar, assim que acabou a abertura do sacrário, D. Miguel recolheu-se ao quarto e deu o beija-mão mais tarde, na sala do dossel, junto ao quarto, apenas à comunidade do mosteiro ”e a todos os que estavam decentes para o dito fim”.


 


De resto, que me perdoem os fãs das “correntes”, mas eu fico-me por aqui sem indicar a tarefa a mais ninguém.