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João Távora

O "público" é quem mais ordena

Terminada esta curta sealy season de Junho, sobeja-me um comentário sobre as bisbilhotadas férias de Cristiano Ronaldo, e as cenas da vida privada  de Berlusconi que por estes dias assaltaram a minha pacata existência. Hoje é com excessiva facilidade que os "media" criam e destroem ídolos e vilões para todos os públicos: Ronaldo e Berlusconi, quais gladiador e césar, emergem da mesma decadente adolescentocracia em que falar de Clássicos é entendido como referência aos AC/DC.
Para devolvermos um pouco de horizonte à nossa civilização, não sei o que mais falta faz: se uma renovada Elite se um Povo que nela seja capaz de se rever.

Rio Mira vai cheio e o barco não anda, tenho o meu amor lá na outra banda...

 

À beira do rio Mira, por estes dias as minhas preocupações resumem-se a comprar pão quente e o jornal pela manhã, às horas das sestas e das marés, aos marcadores entre as páginas dos livros, velar pelas criancinhas na piscina e barrar-lhes protector solar q.b.
É claro que em Portugal tarda a despontar um discurso consistente da direita pós-crise. E é muito redutor explicar "direita e esquerda" através duma gradação de mais ou menos “liberalismo". No caso português, "menos estado" é simplesmente uma questão de patriotismo.  Também não sei o que é que a importância da comunidade nacional, da recuperação do património, da preservação do ambiente, da protecção da vida familiar, da centralidade do sistema nacional de saúde, têm de “valores de esquerda” (antes pelo contrário!), mesmo que antipatizemos muito com José Cardoso Rosas - o que até é compreensível. O problema de remexer muito nestes pré-conceitos, é que "a coisa" era capaz de descambar na aniquilação das actuais oligarquias políticas.

 

A grande chapelada 5

Uma vez mais tratou-se dum grande exagero a notícia da extinção do CDS, e por esse facto há que felicitar Nuno Melo e... Paulo Portas, apesar da direita dos valores em que me revejo possuir dificuldade em  identificar-se com o seu estilo populista. 

O facto é que nesta hora há que reconhecer o seu mérito: Paulo Portas conseguiu superar essa desconfiança à custa da sua proverbial  capacidade de trabalho que produz resultados na agenda política, desproporcionados à dimensão do partido.  Só me pergunto se isso chega para fazer crescer o partido: há em Portugal um eleitorado cristão conservador e humanista que, permanentemente ameaçado de orfandade partidária, triplica claramente o habitual meio milhão de votos do CDS. Tradicionalmente este eleitorado dá-se mal com aventureirismos liberais e fracturantes. Esse eleitorado só aguarda por um líder credível e carismático. E reparem como a valorosa Laurinda Alves anda por aí a desperdiçar energias.

 

Não tenhamos ilusões

Mesmo que se confirme uma desejável viragem política nas próximas eleições legislativas, este país manterá um profundo problema de ingovernabilidade estrutural: um descrédito generalizado no regime e nas suas instituições, um estado paternalista e asfixiante, e uma congénita indolência dos portugueses.


Mudar este último paradigma é o verdadeiro desafio nacional: é em cada individuo que terá que se operar uma mudança de atitude, de empenho, que viabilize Portugal.  Os portugueses têm que acreditar que está neles a solução. Alguém sabe como?

A grande chapelada 4

Para mim o que distingue um bom dum mau comentador politico, não é ser de direita ou de esquerda, ser ou ser não da minha cor politica: é a sua independência e erudição. Nesse sentido é sempre com grande interesse que oiço António Barreto. Para assistir a exercícios de retórica e propaganda bastam-me os políticos.

A grande chapelada 3

Manuela Ferreira Leite revelou-se a grande vencedora da noite eleitoral de ontem: com a sua estratégia de comunicação baseada na sobriedade, e a escolha do cabeça de lista certo no momento certo, o PSD conquistou uma significativa vitória sobre o Partido Socialista. Tudo isto acontece apesar de Pedro Passos Coelho e da sistemática oposição e má fé assumida por um certo jornalismo e uns quantos fazedores de opinião que dominam com mestria o espaço mediático nacional. De facto, durante grande parte do mandato de José Sócrates, uma inaudita “oposição à oposição” que Pacheco Pereira tanto tem denunciado, dominou a agenda política doméstica.

O exemplo paradigmático destes fazedores de opinião e “mensageiros do oculto” é o inenarrável Luís Delgado, opinador militante na SIC Notícias e na Antena 1, onde exibe uma aflitiva pobreza cultural e intelectual. Este jornalista é para mim um incompreensível caso de alguém que supostamente dá a cara pela direita, mas que, em nome de ocultíssimos interesses, consegue ser sempre mais devastador com ela do que os seus “adversários”. É ouvi-lo na Antena 1 num programa ironicamente chamado “Contraditório” em concordância sistemática com os seus “opositores” Ana Sá Lopes e Carlos Magno. Aliás, na sua última edição, na sexta-feira passada, tivemos a possibilidade de o ouvir vociferar contra Manuela Ferreira Leite e o previsível insucesso do PSD, facto para ele escandaloso, tendo em conta uma suposta hecatombe dos partidos no poder dos restantes países europeus expostos à crise financeira internacional. Argumentos falsos quando sabemos como a direita se aguentou em França, Itália e Alemanha, apesar da crise, apesar de tudo. Ontem à noite, era vê-lo na SIC pateticamente empenhado nessa mesma causa, desvalorizando a vitória do PSD. O que fará correr Luís Delgado? E que estranho fascínio exerce esta obscura personagem a alguns directores de informação da nossa praça?

Legitimamente, exigimos dos políticos um mínimo de idoneidade, erudição, cultura e ciência. Implacavelmente, troçamos das suas gaffes, e obrigamo-los a assumir as consequências dos seus erros de avaliação e fracassos eleitorais. Ora não será que, detendo os media um inusitado poder, "o quinto" como lhe chamam, não deveriam também alguns jornalistas e analistas políticos assumir consequências dos seus enganos e desconchavos?

Eu sei de uns quantos que a esta hora, no mínimo, deviam estar a comer os seus chapéus num acto de penitência pública. 

No Domingo, todos às urnas!

Deixemo-nos de lérias. Depois de amanhã joga-se muito mais do que a eleição de deputados para parlamento europeu e eu receio que sejamos confrontados com duas sérias fatalidades: um descalabro à direita com a derrota da do PSD e um tombo do CDS, conjugado com exponencial crescimento da extrema-esquerda, pela mão do Bloco de Esquerda. A verificar-se uma vitória socialista, tal constituirá um tremendo reforço anímico para o partido enfrentar os próximos embates eleitorais, e José Sócrates verá legitimada a sua vulgar sobranceria.

Este panorama é de pesadelo, e sem dúvida tornará o meu país um local ainda mais inóspito.

O momento é de mobilização: cabe a cada um de nós a missão de intervir no que estiver ao seu alcance para motivar os colegas, amigos e vizinhos a desacomodarem-se marcando presença nas urnas e votar contra as esquerdas. Pela nossa rica saudinha, por patriotismo.