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João Távora

A conquista da Liberdade como paradigma de progresso

Sabemos como a Liberdade, o valor mais caro à humanidade, é um bem precário, quando não uma vã miragem. Os filósofos, escritores e cientistas há muito que sentenciaram um prognóstico: a contingência Humana é desde logo uma incontornável limitação aos seus profundos ensejos de realização, cabendo ao domínio do espírito a resolução desse problema. 

Mas se este tema em sentido filosófico é uma questão complexa e subjectiva, a abordagem que hoje aqui faço é duma perspectiva bem mais prosaica e vital: refiro-me àquilo que  uma sociedade evoluída pode e deve fazer pela promoção dos requisitos mais primários da Liberdade. 

Um Estado paternalista que proporciona uma educação deplorável e um ensino inadequado, um país que exibe dramáticos níveis de iliteracia e ausência de pensamento lógico, está longe de promover a autonomia aos seus cidadãos. Não há  verdadeira liberdade sem exigentes critérios de escolha. Mas o mais trágico é quando a jusante, essa pretensa liberdade é definitivamente comprometida pela pobreza e pela miséria dos milhões de portugueses que vivem entre o desemprego e o trabalho indiferenciado. Só se estivermos muito distraídos é que não reparamos que há muitas pessoas que ao fim-de-semana têm que optar entre um café e um maço de tabaco e os bilhetes de transporte para um passeio em família. Demasiados portugueses não têm possibilidade nem apetência para comprar um livro, muito menos têm orçamento para consertar o Magalhães avariado do seu filho. Só se estivermos distraídos é que não reparamos naqueles que vivem a  humilhação de terem de passar ao largo da farmácia ou a mercearia do bairro onde devem uma conta calada. Enfim, é preciso vivermos numa redoma para não nos cruzarmos com pessoas que passam o vexame da impotência em prover a sua família de condições de subsistência razoáveis. 

Para lá dalguns privilegiados funcionários do Estado, em Portugal impera meio país acossado pelo medo que a crise lhe bata à porta, e outra metade que não tem condições económicas dignas. Ou seja, que não é verdadeiramente livre. 

De resto a realidade portuguesa é no mínimo esquizofrénica: esta opressão convive paredes meias com sofisticadas infra-estruturas de alcatrão e betão, e sob a promessa de um moderno aeroporto e linhas de alta velocidade que poucos portugueses terão possibilidades de algum dia usufruir.  E não me venham com acusações de catastrofista ou de profeta apocalíptico: com o vicioso modelo de desenvolvimento escolhido, assistencialista, igualitário e desresponsabilizador, não se vislumbra solução: nos dias que passam a luta dos portugueses é pela sobrevivência individual e como povo, quando deveria ser pela conquista da Liberdade. 

Melomanias - Brian Eno

O senhor que canta ali em baixo (e nas fotos)

chama-se Brian Peter George St. John le Baptiste de la Salle Eno, e, se não é um artista genial guardado para o altar da posteridade, é pelo menos um dos músicos que mais têm deliciado os meus sentidos auditivos e veia poética. Mais conhecido por Brian Eno, este musicólogo, compositor e cantor britânico, frequentou belas artes nos anos sessenta onde sofreu influências da corrente minimal, e desenvolveu técnicas de exploração da fita magnética como instrumento musical. Ingressado no inicio dos anos setenta na celebre banda “glam” Roxy Music (voz e sinalizadores), cedo se incompatibilizou com Brian Ferry com quem rivalizava a liderança do grupo: consta que durante os concertos, autênticas claques defrontavam-se aclamando cada uma o seu ídolo.

Cansado da acidentada vida de estrela pop, e após a sua experiência a solo Here Come the Warm Jets de 1974, um disco com reminiscências “glam rock” mas já com as famigeradas inovações electrónicas, Brian Eno foi embrenhando a sua carreira e experiências músicais na investigação de ambiências, tonalidades e texturas sonoras que hoje caracterizam a sua música.

Do inicio dessa carreira a solo, a obra que mais me marcou foi Before And After Science, um disco que inclui verdadeiras pérolas musicais, em que vagas de sonoridades sintetizadas sucedem a brilhantes frases melódicas de tão simples quanto geniais canções pop. Reza a história que este disco foi a primeira experiência de "música de laboratório", aquilo que veio a ser o moderno processo de produção em estúdio: a pré-gravação dos diversos instrumentos, vozes e sonoridades em pistas independentes, e um posterior trabalho de montagem “corta e cola” com o qual se obtém um diferente produto final. Deste disco, muitos conhecerão  o melancólico tema By This River que foi utilizado por Nanni Moretti no seu filme O Quarto do Filho.

Meu fiel companheiro de muitas horas de audição é o disco da banda sonora inspirada na missão da Apollo 11 e na paisagem lunar, em que pontifica o guitarrista de Peter Gabriel Daniel Lanois. Um sortilégio de disco, simplesmente soberbo para, por exemplo, acompanhar um namoro feliz.

Brian Eno aventurou-se e especializou-se no campo da música ambiente, ou “complementar” em que é mestre: para além do celebre trilogia Music For Airports, em que a elaboração sonora é desenvolvida como complementaridade com ambientes, outras experiências lhe sucederam, como a obra Thursday Afternoon onde a música pretende-se influenciadora de atmosferas, no caso de uma série de sete "vídeo pinturas". Disco altamente recomendável para acompanhar uma leitura leve numa tarde de Verão, de preferência perante uma bela paisagem.

Reconhecido como um genial escultor de sonoridades, criador de ambientes e "texturas electrónicas", Brian Eno deixou a sua marca em muita da melhor produção musical contemporânea, como na celebre trilogia de David Bowie - Low, Heroes e Lodger, em sete dos álbuns dos U2, colaborou com os Génesis, Peter Gabriel, John Cale, Cluster, Robert Fripp, David Byrne, os James, Laurie Anderson, Coldplay, Paul Simon, Grace Jones, entre muitos outros.

 

 

 

 

Leia aqui para saber mais sobre Brian Eno

 

 

 

O Jogo da Restauração (Pub)

 

 

Produzido exclusivamente para a Real Associação de Lisboa, o Jogo da Restauração é um divertido e didáctico jogo de mesa para pais e filhos tipo jogo da Glória, constituído por seis peões, dado e um elegante tabuleiro ilustrado com os episódios decisivos que conduziram à aclamação de D. João IV, a casa de chegada. 

Ajude a nossa causa e encomende o seu exemplar  o Jogo da Restauração, o presente ideal para filhos, sobrinhos e netos a partir dos seis anos. AQUI

Quem vier a seguir que se amanhe

Esta conversa toda à volta das recomendações do FMI, a rejeição dos sindicatos, só trazem de novo o repudio dum governo tão irresponsável quanto sentenciado. De resto o panorama tem algo de “retro”, tipo Che Guevara, ordenados em atraso, grafitos contra o Dr. Soares, a lei Barreto e Carter go home. Aparentemente "100% do PIB" é apenas uma barreira psicológica para uma dívida pública de estimação. 

Angustiante é que, depois tantos anos, fundos, programas e reformas, estejamos afinal à volta do mesmo e falidos... de esperança.

A urgência duma restauração

 

 

Estranho me parece que numa conjuntura como a actual, uma inusitada crise económica, de valores, e das instituições nacionais, as celebrações do 1º de Dezembro tenham passado de forma tão discreta pela comunicação social em geral e pelos jornais em particular.

Digo isto porque esta efeméride encerra quanto a mim uma mensagem de grande pedagogia e actualidade: o usurpador foi corrido e o assessor “defenestrado”. 

Nestes dias em que a burocrática Europa se vê reforçada, por mais que se considere supérfluo e ultrapassado o conceito da identidade nacional, comunitária ou familiar, afinal perigosos contra-poderes, não me parece muito avisado que se abuse demasiado da famigerada bonomia indígena.

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