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João Távora

As contas fazem-se no fim

 

Independentemente de considerar que iniciativa de ontem Todos Pela Liberdade cumpriu o seu desígnio, a fraca mobilização das pessoas para a rua confirmou aquilo que sempre afirmei sobre os limites da influencia dos blogues no mundo real. Não desmerecendo as suas obvias virtualidades, principalmente na democratização da escrita em geral e da opinião em particular; esta plataforma em termos imediatos funciona para um circuito fechado, em grande parte constituído pelos próprios intervenientes. É de forma indirecta que o que dela transpira chega ao país real. Devagar, mas chega; coisa que lhe retira competência para per si mobilizar acções de rua.  Estas para serem bem sucedidas, necessitam de, além doutras ferramentas comunicacionais complementares, recursos logísticos e financeiros apenas acessíveis às instituições bem implantadas, sindicatos ou partidos. Claro está que uns autocarros, umas bifanas e umas cervejas serão sempre um selo de garantia para o sucesso. 

Levantemo-nos do chão! (3)

Chego ao escritório vindo de S. Bento e confirmo que a indignação deste grupo de cidadãos que se manifestou pela Liberdade é mais do que legítima: afinal há uma providência cautelar com vista a impedir a publicação de mais escutas no semanário "Sol".

Em frente ao Parlamento estiveram muitos daqueles que não se conformam com o condicionamento da liberdade de imprensa por um poder político tentacular e com o crescente descrédito dos órgãos de soberania. De resto, a petição foi entregue e Sócrates que se cuide, que este foi apenas o primeiro dia duma luta que nunca deveria acabar. Pela liberdade.

Velhos são os trapos

 

É uma enorme sobranceria pensarmos que a cor amarelada e o estado consumido do papel que compõe os livros que herdámos ou adquirimos num qualquer alfarrabista é seu atributo ou qualidade. Hoje como há cinquenta ou cem anos, o mesmo processo de deterioração se inicia com as reluzentes e bem cheirosas edições em destaque nos escaparates das livrarias. Por saber fica quais dessas novidades merecerão ocupar lugar nas bibliotecas ou alfarrabistas daqui a duas ou três gerações.

Pela liberdade, restaurar a esperança

Esta inaudita época da tecnologia e do conforto, trouxe consigo o fenómeno da participação cívica virtual, das "redes sociais" e "petições online", para todos os gostos causas e feitios. Entre a colheita dumas couves no Farmville, a aceitação dum convite a um evento que nunca irá, o cidadão, à distancia dum clique adere a um grupo contra a pesca à linha, e torna-se fã duma qualquer associação política no facebook. É a ilusória cidadania de rabinho sentado, a militância com o esforço dum dedo e três neurónios, tão anódina quanto estéril.

A gravíssima situação política que a democracia e o país atravessam, exige que por uma vez prescindamos da comodidadezinha e saiamos à rua para manifestar a nossa indignação, defender a Liberdade e resgatarmos a esperança em Portugal. Um longo caminho que começa amanhã, às 13,30 em frente ao parlamento

Levantemo-nos do chão!

 

 

Apesar do total descrédito nas instituições e no regime que se arrasta moribundo, apesar das eleições presidenciais que se avizinham, apesar da incógnita alternativa de governo,  apesar da congénita ingovernabilidade do País, importa exigir a sua destituição do primeiro ministro. Cada dia que passar sem que lhe sejam assacadas as consequências pelas recentes revelações mais difícil se torna resgatar Portugal. Com o nosso Sócrates, e no que respeita a “tragédias gregas”, suspeito que envergonhamos os nossos parceiros helénicos. É urgente levantarmo-nos do chão. Vamos para a rua

Aníbal Cavaco Silva

 

 

Em ano de eleições que Cavaco Silva pretende disputar, a penúltima coisa que lhe interessará é conviver, e muito menos arbitrar, uma crise política em que estão subjacentes medidas de contenção orçamental violentas, uma perspectiva, que em Portugal apenas um partido de esquerda conseguiria sobreviver. E elas adivinham-se dolorosas já para o ano que vem, sindicatos na rua e gritaria nos media – está-se mesmo a ver. 

A última coisa m-e-s-m-o que a Cavaco interessa, é entrar nesse novo ciclo da vida portuguesa com um governo de direita às costas, pior ainda se for minoritário. Numa situação dessas o coro das esquerdas com os socráticos reçabiados à cabeça, facilmente elegerão um "poeta" para Belém, para chorar a sina do povo explorado e oprimido. É por isso que Sócrates tem em Cavaco o seu maior aliado, ou subjugado, enquanto lhe apetecer. E isso não significa uma fragilidade do Presidente da República, mas uma fraqueza da instituição e do regime.

A lei das finanças locais e o alerta vermelho

 

O mais provável é que este governo ou outro qualquer em breve tenha que tomar medidas drásticas e extremamente impopulares na economia: a produção de riqueza do País não cobre a sangria de gastos públicos e as despesas de uma dívida externa líquida calculada 109%. Comprometidas definitivamente as obras faraónicas que Sócrates acenou em campanha, baixar ordenados e aumentar impostos começa a figurar-se como uma inevitável alternativa a breve trecho. Assim sendo seria expectável que os partidos da responsáveis tomassem uma atitude sensata e revissem de forma austera a lei das finanças locais que pretendem fazer passar amanhã no parlamento. Não se afigura justificável aos olhos do português médio que na situação de ruptura em que vivemos se dê um sinal de abundância reforçando-se transferências Ilha da Madeira, cujo PIB per capita é superior à media nacional. Nesta encruzilhada histórica em que vivemos  seria incoerente e incompreensível que o PSD provocasse uma crise política por causa duma revindicação injusta e despesista.  

 

Mudam-se os tempos...

Antigamente, nos tempos do obscurantismo em que cresci, na escola ensinavam-se as criancinhas a fazer contas, os nomes dos reis e das batalhas, dos rios e das montanhas e... os Dez Mandamentos para acautelar as questões morais. Disso tudo hoje pouco sobeja. Ensina-se-lhes quase só truques: para fazer contas, para consultar mapas e para ir à wikipedia no Magalhães. Sem espinhas. Nas questões morais, catequizam-se os miúdos sobre "a solidariedade", a "roda dos alimentos" e o respeitinho pelo “ambiente”. O resultado é previsível: como sempre foi, sacaneiam-se uns aos outros, vendem a mãe por três gomas e um bolicau, enquanto circulam anafados em redomas automóveis entre a escola e as suas casas, o mais das vezes autenticas centrais de dispêndio energético de que ninguém prescinde. E o "mal", esse, vive algures entre os noticiários e as telenovelas.

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