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João Távora

"Onde é que isto vai parar?"

 

Trata-se da mais democrática das questões: desde que possuo entendimento que me lembro de a ouvir, da boca do governante à do médico passando pela da senhora da padaria ou do taxista. Ao “isto” da pergunta aplicam-se indiscriminadamente as principais aflições da existência, como sejam a doença, o custo de vida, as alterações climáticas, a irreverência juvenil e o já famoso fim de regime. A resposta pode ser bem cruel.

Os monárquicos e o PPM


A demissão do inenarrável Nuno da Câmara Pereira ao fim de mais de dez anos de porfiado esforço para a desmobilização e falência do PPM não deixa de ser uma boa notícia para os monárquicos. No entanto, apesar de nutrir um profundo respeito pelos fundadores desse partido, personalidades de craveira impar como Gonçalo Ribeiro Teles,  Francisco Rolão Preto, João Camossa e Henrique Barrilaro Ruas, o equívoco da existência dum partido monárquico, hoje mais do que nunca constitui uma ameaça à credibilidade da Causa, promovendo a confusão nas pessoas mais desinformadas a respeito do cariz supra-partidário da instituição que advoga e da real representatividade dos monárquicos no País, que afinal se encontram dispersos na militância e pelo voto por todo espectro partidário. Deverá ser portanto com profunda apreensão que os milhares de monárquicos organizados nas Reais Associações à volta da Causa Real aguardam notícias sobre o destino do Partido Popular Monárquico, que apesar de tudo encerra uma “marca” com história e algum prestígio. Enquanto o partido existir, essa constituirá sempre uma perigosa tentação à mercê duns quaisquer oportunistas sem escrúpulos ou craveira.

Lições duma Páscoa que vivemos

 

Para lá dos viciados julgamentos mundanos de que nós os católicos somos hoje vitimas, o facto é que se Jesus Cristo teve um traidor entre os seus doze apóstolos. Como não haveria a Igreja de os ter multiplicados no Século XXI?

A Educação das Criancinhas

 

 

No âmbito de mais um remendo curricular no Ensino, a nossa excelsa ministra da educação sugeriu há dias, por causa do elevado número de disciplinas no terceiro ciclo (7º, 8º e 9º anos), a luminosa ideia de passar as de História ou Geografia para cadeiras semestrais “ou então mantê-las anuais” - sic. Melhor do que esta espantosa “não ideia” talvez seja a minha sugestão: acabe-se mas é de vez com o ensino de História a menores de dezoito anos. A começar na primária, esta matéria é tratada como um instrumento de propaganda para catequizar as sugestionáveis criancinhas, uma caldeirada de lugares comuns e preconceitos, uma luta de classes simplificada, cheia de vilões e vitimas e um final feliz que canta todos os anos em Outubro e Abril. Tenho para mim que, nestes estouvados tempos que vivemos, a História, como a Educação Sexual, deveria ser matéria exclusiva e higienicamente ministrada em casa, pela família. Assim dava-me menos trabalho "a arrumar" aquelas adoráveis cabecinhas.

Sábado de Aleluia

 

Não tenho o costume de viajar ou ir “à terra” no Natal ou na Páscoa, pois possuo ancestrais raízes alfacinhas, maternas e paternas, também reforçadas no cruzamento com “a tribo” da minha mulher, que nestas ocasiões festivas me prendem a Lisboa.

Vem isto a propósito duma tradição sui generis que eu e os meus irmãos ainda hoje cultivamos, independentemente do forte significado religioso que possui para nós a Páscoa cristã. Digamos que é uma “janela mundana” no culminar de uma Semana algo austera e introspectiva: todos os anos, no Sábado de Aleluia juntamos os miúdos e vamos ao Jardim Zoológico passar a primaveril tarde que precede a vigília Pascal daí a umas horas. Este ritual foi fundado pela minha avó materna, uma senhora de carácter aberto e divertido que, sob alguma reserva do meu pai, mais austero, juntava neste preciso dia os netos todos para este mesmo programa que se enraizou no nosso calendário familiar. Aproveito para dizer que foi desse lado materno, e dos meus tios da Avenida da Liberdade, que herdei uma arejada influência liberal e burguesa.

As memórias dessas tardes são felizes e difusas, pois misturam-se de uns anos para os outros. A primeira de todas é a da inusitada experiência de subir as escadas rolantes da estação de Sete-Rios, que ligava a casa dos meus avós à Quinta das Laranjeiras. O passeio começava sempre com a alimentação das carpas do lago, onde de seguida se alugavam várias gaivotas. Lembro-me de passear de gaivota, como me lembro de andar de patins ou pedalar de carro numa pista que simulava uma escola de condução infantil com instrutor e sinais de trânsito.  A folia atingia o seu auge com a oferta duma moeda para o elefante tocar a sineta, com a Aldeia dos Macacos, um cartucho de amendoins, um gelado Olá ou um fofo de Belas e uma Larangina C na esplanada do bar. Lembro-me duma vez em que, a colher azedas tenrinhas, o grupo se aventurou numa zona mais recuada do jardim, com a surpreendente descoberta de uma quintarola, com coelhos, patos e galinhas. A tarde terminava amiúde no antigo parque dos baloiços, já perto da saída, onde se encontrava um carrossel e uma fascinante máquina, na qual uma banda de animaizinhos mecânicos (ou seriam só macacos?) tocavam uma ritmada marcha de coreto a troco duma moeda.  Claro que o fascínio principal do jardim era exercido pelos inúmeros animais exóticos, que o meu irmão José conhecia de cor e me guiava nas respectivas singularidades, os quais eu revia todos os anos com o espanto de uma primeira vez.

O nosso grupo era sempre grande e animado, possivelmente variava quase todos os anos, com mais uns primos ou tia, participantes menos assíduos. Eram tardes intensas e divertidas, que recordo com saudade. Hoje, é em homenagem à avó que reunimos anualmente os sobrinhos e

irmãos que se queiram juntar para uma tarde divertida no Jardim Zoológico. Da minha parte, faço-o porque sei bem quão importantes vão ser, pelas suas vidas fora, muitas memórias felizes. Quantas mais melhor, para que os seus corações consigam sempre renascer fortes na Páscoa.

 

 

Fotos daqui

Mais Páscoa

 

 

Não é possível uma sociedade boa sem homens bons. As soluções aos desafios humanos, estão nas atitudes pessoais, começam nas nossas casas e partem dos nossos actos e vontades.

Na educação das minhas crianças travo duas duras batalhas contra a cultura do consumo e do sensacionalismo: a primeira é a sua formação religiosa cristã, uma missão quase impossível no meio desta ruidosa bagunça hedonista.  A segunda, não menos ingrata, é a promoção da leitura: porque a boa literatura desvenda a magnitude do drama existencial, desacomoda e desafia. Em ambos os casos no lugar da adrenalina urge o silêncio e humildade. Duas qualidades completamente fora de moda.

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