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João Távora

Um sorriso - é assim tão difícil?

Estava eu na A 5 quando esta manhã as rádios concertadamente ensaiaram uma espécie de flash mob do sorriso à hora certa (com reedição logo à tarde). Pelo que me foi dado observar a adesão foi nula, o meu sorriso pepsodente não teve qualquer resposta dos condutores meus vizinhos. Não sei se isto prova a fraca capacidade de mobilização das nossas rádios, mesmo em prime time, ou se simplesmente as pessoas acham estúpido sorrir só porque sim. Vou mais pela segunda hipótese: eu senti-me a fazer figura pateta, os outros evitaram-na.

Somos de facto um povo macambúzio, e pelo menos nos sorrisos não nos deixamos roubar. Razões não nos faltam, e nem este resplandecente céu azul ou a bela paisagem com que Deus presenteou os portugueses compensa a nossa fatal falta de jeito para nos governar, que resulta nas nossas costumeiras neuras e aflições. É isso que obscurece o tíbio sorriso indígena. E também a tal insuportável suspeita que amiúde perpassa na mente Tuga, de que o parceiro do lado pode ser mais feliz do que ele próprio.

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