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João Távora

Tocar a rebate

Pelo que me é dado observar por amigos meus, mas principalmente por algumas declarações públicas, como a de ontem de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI ou hoje de Fernando Nogueira, o debate televisivo entre Paulo Portas e Passos Coelho teve uma tão imprevisível quanto benigna consequência:  um toca a reunir das até hoje displicentes hostes sociais-democratas: num saudável assomo de amor-próprio, levantam agora a voz indignada contra o populismo e a egolatria do dirigente centrista. 
Pela minha parte, espero que as duas partes recentrem quanto antes as suas atenções no verdadeiro adversário, que é José Sócrates, o partido socialista e ninguém mais. Parece-me que aqui chegados, quando descobrimos um PSD resgatado às suas raízes socialistas e convertido a uma salutar estética liberal, se torna evidente que o centro direita em Portugal deveria falar claro e a uma só voz
E porque os sinais que as sondagens indicam são verdadeiramente trágicos, desvendado um país alucinado que se prepara para reeleger os irresponsáveis que trouxeram o país à bancarrota, é urgente que as lideranças do CDS e do PSD se concentrem no que é essencial: em terrenos que não conflituam os seus interesses mutuos, disputando os votos aos socialistas e à abstenção. Porque o meu CDS é um partido de convicções e valores, não um partido de charneira ou populista, é impensável concebe-lo avassalado numa aliança com José Sócrates. Por tudo isto, penso que é chegada a hora do partido recentrar a sua luta nesse adversário. Sem demagogias e pelo resgate da nossa Pátria, que a empresa é incomensurável.

Uma receita para o sucesso

Infelizmente são raros os debates televisivos que reflictam alguma seriedade nos argumentos e originalidade nas ideias, muito por causa dum voluntarismo excessivo ou cega adesão a uma qualquer “narrativa” partidária por parte dos adversários. Acontece que o programa Contraste na SIC Notícias às terças-feiras é um caso excepcional, pelo empenho dos seus protagonistas Francisco de Assis e Nuno Morais Sarmento: apesar de aceso, este costuma ser um debate esclarecedor e civilizado. No entanto ontem, um convidado especial, o João Galamba, com a sua apurada técnica trauliteira e os seus típicos esgares alarves, conseguiu entornar a conversa. Alguém tem que dizer a alguns políticos da nossa praça que essa estratégia de confronto, indispõe as pessoas de bem, apela a instintos básicos e só é tolerada pelas suas próprias hostes, já convencidas. Enfim, é má propaganda. Parece-me que, tendo em conta a situação do País que amedronta qualquer português minimamente informado, a credibilidade e o sucesso da mensagem política advirá não só dum discurso claro e sóbrio, mas também razoavelmente cortês. E... na televisão, tenham cuidado com as caretas de desdém. 

Destes já nos safámos

Curioso é como recentemente a Comunicação Social doméstica reabilitou o jurássico Festival da Canção da sua total irrelevância substantiva e mediática por causa de dois estroinas mascarados de "cantautores", num exercício de vulgarização da cantiga de intervenção, plastificada e polida como unhas de gel.
No meio dum panorama nacional que balança entre uma amedrontada depressão e estúpida euforia, tomo como boa a notícia a eliminação dos Homens da Luta. Confesso que ainda temi por mais uma humilhação nacional, dada a reconhecida falta de critério do júri destes eventos. Por estes dias, nunca ter ganho um Euro festival é um marco de que ainda nos podemos orgulhar como Nação, facto que reverte em favor do nosso bom gosto. 

Ainda o voto útil

Acho profundamente errado que o PSD e o CDS acendam entre si demasiado o despique eleitoral, correndo o risco de se desfocarem do principal alvo a abater, o protagonista do criminoso descalabro a que o país chegou. De resto, o apelo ao voto útil que vem sendo apregoado pelas hostes sociais-democratas incorre num pequeno grande equívoco: para a obtenção duma maioria absoluta à direita é de extrema importância o CDS ultrapassar a barreira dos 16% de votos, momento em que por causa do método de Hondt a proporcionalidade da eleição dos deputados sobe significativamente. Dir-me-ão alguns dos meus amigos que estas contas não garantem a deposição de José Sócrates. Pois é verdade, pensassem nisso mais cedo: com o mesmo método de Hondt, uma aliança pré eleitoral teria sido bem mais eficiente para a tal desígnio, mas essa oportunidade já caducou.

Uma histórica ironia

Para que conste nos anais da História de Portugal, o minucioso programa de governo incumbido à república portuguesa para a legislatura 2011 e 2015 foi divulgado em… inglês. Aguarda-se ainda a respectiva tradução para acesso indigena.
Pondo de lado a desconsideração, e após leitura do documento, fica-me a suspeita que melhor fora que tivesse sido em Alemão: mais radical na desestatização do regime.

 

Em estéreo

A quem de direito

 

Se é desastrosa uma governação subjugada à propaganda, é desavisado a disputa dumas eleições menosprezando as suas regras. Não é tempo de ingenuidades, amadorismos ou exprimentações.  

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