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João Távora

Desmancha prazeres

 

 

Fui fumador compulsivo (sabe Deus como eu me deleitava a puxar dum cigarro), até há seis anos quando deixei de fumar (sabe Deus a cena macabra) o que não me impede de ser contra qualquer fundamentalismo antitabágico. Mas quando a discussão se extrema em comparações e retóricas radicalizadas, é preciso não perder a noção da realidade. A título de exemplo, por causa do tabaco dois dos meus avós morreram lenta e literalmente asfixiados com enfizema pulmonar. A minha mãe usufrui dos privilégios da modernidade: depende de uma garrafa de oxigénio 24 horas por dia mas cansa-se só de falar. São casos particulares? Pois são: as estatísticas são feitas com casos particulares, às vezes dramáticos.

Mind games

 

Quando há uma semana  em pleno alvoroço da antecipação do clássico o Correio da Manhã publicou a peremptória notícia  da transferência de  Yannick Djaló para o Futebol Clube do Porto, nenhum adepto com dois dedos de testa a levou a sério. Mas espantoso mesmo é a facilidade em alguém conseguir plantar uma "notícia" destas sem ser num primeiro de Abril. Só nessa perspectiva é compreensível que se tenha tido de esperar uma semana para o Pinto da Costa vir desmentir a parangona. Preocupante é que haja jornais participando alegremente nestes joguinhos do futebol… e não só. A troco de quê?

 

Publicado originalmente aqui.