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João Távora

Velhos são os trapos

 

Há livros que nasceram velhos, uns quantos que não têm idade, e aquele terceiro género que são os que nos fazem velhos. Motivado pela entrevista de ontem de Pedro Mexia a Miguel Esteves Cardoso na Revista do Expresso fui à estante repescar o meu exemplar d’ A Causa das Coisas de 1987 para o emprestar ao meu enteado. Fiquei chocado com o que a crueldade do tempo fizera a tanta contemporaneidade: para lá do pó e das páginas queimadas por mais de vinte e cinco outonos, até a capa da autoria de Jorge Colombo denuncia as minhas rugas e cabelos brancos.
Nessa onda de revivalismo não resisti a aventurar-me por outros recantos das minhas estantes. Folheei uma encardida edição do princípio dos anos 70 do Principezinho de Saint Exupery que escondia uma comovente dedicatória do meu pai. Mesmo ao lado de A Condição Humana de André Malraux e de O Inverno do Nosso Descontentamento de John Steinbeck que foram percurso da minha diáspora existencial. Mas isso são já outras viagens para as quais nunca desisti de seduzir a minha prole, num desafio à inquietação da dúvida que convida à procura da Verdade.