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João Távora

Ser ou não ser...

O eleitor do CDS mais fiel é aquele que vota por princípios. Aqueles que agora estão em crise. Filipe Anacoreta Correia 

 

Acontece que não é só a economia, estúpidos! O crescimento dum sentimento de revolta, de epifenómenos de extrema-direita e do alheamento pela política por uma parte cada vez mais significativa da população, são factos intimamente ligados com a falta de coragem da Direita democrática em assumir os seus valores naturais: na ânsia de conservar o poder sendo aceite pela cultura dominante nos media, ela domestica-se à Esquerda, agrilhoada num discurso filosoficamente anódino.
Insisto que ao CDS exige-se um especial cuidado com a sua identidade axiológica pois ele arrisca-se a ser redundante, pelo simples facto de disputar o mesmo espaço político do PSD. 

Alcançada a maioria absoluta alternativa ao desastroso governo Sócrates afirmei o meu desejo de que a direcção do CDS pugnasse por um rigoroso respeito pelo seu ideário, que interpretasse a sua ascensão ao poder como uma oportunidade de afirmação do seu património ideológico; conservador, personalista e cristão, enquadrando-se desse modo ao duríssimo programa económico que está destinado a implementar. Com o inevitável degradar da situação política e o consequente desgaste da governação, a alternativa que sobra ao partido é pugnar pelos seus valores humanistas, tão ferozmente agredidos pelas duas últimas fracturantes legislaturas. Jamais uma “evolução” para a diluição. 

 

Sobre esta matéria ler ainda:

 

José Ribeiro e Castro na Avenida da Liberdade  

 

Filipe Anacoreta Correia no Cachimbo de Magritte 1

 

Filipe Anacoreta Correia no Cachimbo de Magritte 2

 

Filipe Matias santos no Senatus

 

Filipe Anacoreta Correia no Cachimbo de Magritte 3

 

 

O inferno de Seguro

 

Sabemos bem como os “aparelhos” partidários são implacáveis no cumprimento da sua vocação natural, que é o poder: sem contemplações, a empresa é pragmática e cega em concessões "laterais", quantas vezes aos princípios, ideias, Causas e até à Pátria. O mais das vezes essas matérias ingratas servem só para a “construção duma narrativa” entretanto entregues a uma reserva de idiotas úteis que escrevam nos jornais, nos blogues ou falem na TV. É a vida.

Vem isto a propósito da sobrevivência de António José Seguro à Páscoa que tudo indica está garantida. A oportunidade que a História lhe concedeu aparentemente era a do cordeiro a imolar para o oblívio dos pecados de seis anos de desgovernação socialista. Mas tudo indica que não sobreviveria ao destino duma normalíssima liderança “intercalar”, se a factura da perda de soberania nacional e o acordo da Troika não estivesse diariamente a martelar a consciência portugueses, cujos brandos costumes vêm sendo postos à prova: basta andarmos com os olhos abertos para ver como a pobreza grassa na nossa comunidade, impreparada e dependente dum benemérito Estado falido.
Por tudo isto o Partido Socialista necessita urgentemente do definitivo enterro do socratismo, dum luto que se prevê  doloroso e porlongado. A ressurreição do PS certamente demorará muito mais do que três dias e a Seguro resta-lhe ter paciência, cujo significado etimológico significa “saber esperar”… nas chamas do inferno que são os compromissos do seu partido para com o resgate de Portugal. E resistir ao voraz e implacável "aparelho". É obra.  

 

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