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João Távora

Contra-revolução II

 

A auto-estima, atributo louvado pela máquina do consumo e um dos mitos da modernidade, é na maior parte das vezes confundido com a eufórica ilusão de auto-suficiência. Paradoxalmente, a sensação mais próxima da auto-estima procede uma atitude de abnegação. Paradoxalmente o amor-próprio procede o realismo de não nos levarmos muito a sério: o umbigo, quando não tende a um ávido buraco negro, é um local obscuro e entediante. Ao contrário do que a cultura adolescentocrática nos impinge, o pote de ouro está na superação do eu, na descoberta do “outro”, enfim na genuína entrega à “relação”. Daí que a parte que nos compete, é dar, não é ter.