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João Távora

Férias graaaaandes

 

Hoje calhou ir a casa a meio do dia e deparar-me com o espectável panorama dos meus dois mais pequenos empastelados no chão da sala com os estores semicerrados a engonhar à frente da televisão. A primeira reacção foi um amargo complexo de culpa de não ter pago o mês de Julho nos colégios em que estes lhes dedicam um completo programa de actividades culturais e recreativas. Mas depois, pensando melhor, perguntei-me se não será de uma enorme injustiça esta minha intolerância para com a indolência alheia, vinda de alguém como eu que usufruía de quase quatro meses de infindáveis férias, em que não havia casa da Avó ou dos primos que me salvasse duma boa temporada em casa. Eram semanas a trocar as voltas ao dia, a embirrar com os irmãos, ver o TV Rural, campeonatos de corta-mato, equitação, encher o bandulho de gemadas e sorvetes em cubos de gelo, ouvir música a contar as rotações do disco às voltas e acabar o dia enfastiado de Tio patinhas e Enid Blytons. 

Será mesmo obrigatória essa modernice de tratar os miúdos como se fossem sacos que se arrumam direitinhos, preenchidos como chouriços, com actividades e programinhas pedagógicos e sociais, das oito da manhã ao cair da tarde? Não será afinal o tédio e a preguiça uma experiência de direito, fonte interminável de criatividade e fantasia, qualidades fundamentais para a construção dum bom caracter?
O que me vale é que já falta pouco para fechar o estaminé, calçar as chinelas e entrar na onda - literalmente.