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João Távora

Sem perdão


Dadas as circunstâncias, antes deste governo tomar posse estava eu já convicto de que em menos de um ano teria meio mundo na rua em violento protesto, num unanime e ruidoso coro com a comunicação social e a opinião publicada. Acertei em tudo menos nos fundamentos da sua consequente fragilização. Queimado por queimado, ao menos que tivesse cortado a direito e cumprido uma parte das promessas. Mas não: o governo, incapaz de promover uma reforma digna desse nome, de afrontar os interesses instalados, o funcionalismo público,  institutos e fundações, incapaz de extinguir uma empresa pública ou autarquia, acabou cedendo a todos os grupos de interesse excepto… à sua base de apoio, aos seus eleitores.  Como o costume a via escolhida para o brutal ajustamento foi pelas receitas. Ou seja, mais socialismo, a que se seguirá um governo com os socialistas. E isso não tem perdão. 

Recolher obrigatório...

É com enorme espanto que constato pelo Diário de Notícias que há em média desde o início do mês de Outubro mais de um milhão e 500 mil portugueses (entre os quais 89.820 crianças entre os 4 e os catorze anos) a ver televisão entre a meia-noite e as 02,30 da manhã, fenómeno preocupante com claras consequências na salubridade e rendimento indígena segundo os especialistas consultados Pedro Boucherie Mendes e o psiquiatra Eduardo Sá.
Se somarmos a esta malta os jovens e menos jovens que deambulam de bar em bar, de copo em copo, de garrafa em garrafa aos milhares pelas movidas e bas-fonds das nas nossas cidades;  e se a estes somarmos os ébrios benfiquistas que frequentam o bar aqui debaixo no meu prédio (aliás, do meu quarto) aos urros entertidos noite dentro com a música alto a vilipendiar os árbitros, a política e o Sr. Pinto da Costa, percebemos porque é que este país não tem remédio.
De resto, parece-me uma enorme irresponsabilidade a direcção do DN deixar publicar uma notícia destas sem ser devidamente encriptada, pois está-se mesmo a ver que o caso vai chegar aos ouvidos da Senhora Merkel, e não tarda a Tróica para além de mais austeridade vai exigir-nos o recolher obrigatório.