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João Távora

Confusão de narizes

antonio costa and jose socrates.jpg

Estes dias renderiam à oposição, por exemplo, a dificuldade na venda do Novo Banco ao rubro na agenda mediática. No entanto, a “libertação” do ex-primeiro -ministro tomou-lhe o lugar de forma ensurdecedora. E tudo indica que nos próximos tempos o “animal feroz” não se inibirá de ocupar o espaço mediático que lhe for concedido. 

Acontece que os factos vindos a lume de José Sócrates a viver à grande e à francesa à custa de um amigo, com envelopes de dinheiro vivo por falta de confiança nos bancos, resultou inevitavelmente num julgamento político. A isso soma-se a factura da falência nacional de que foi protagonista e não ficou saldada com a derrota eleitoral de 2011: as trágicas consequências que resultaram no memorando da Troika foram demasiado dolorosas para muitas famílias e uma tragédia para os grupos de interesses. Essa é a razão que impossibilita a descolagem do seu ministro António Costa que, apesar das generosas “reposições” prometidas (feriados, iva da restauração, empregos, tribunais, etc.) não descola dum empate técnico. Esta confusão de narizes poderá ser um factor de desempate em favor da coligação que afinal resgatou Portugal.

 

Publicado originalmente no Diário Económico