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João Távora

Ai mata, mata!

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Ontem pelo minuto 80 do Hungria vs Portugal ainda fiz sinal do meu sofá para a equipa médica a pedir assistência e substituição. Por isso não sei se estou em condições no próximo sábado para assistir àquilo que se prenuncia um desastre. 

Aquela defesa e meio campo tremem como varas verdes, não há coração. Acontece que na hora certa faltou coragem a Fernando Santos para por a rodar um meio campo entrosado e rotinado a jogar para a frente, como pede o nosso sistema de jogo e os grandes artistas que fazem a diferença no ataque. A insistência em João Moutinho em baixo de forma desautorizou qualquer outra solução perante a restante equipa e ontem na segunda parte notou-se que faltou àquele sector um patrão. Essa autoridade não se confere de um dia para o outro e o que ontem vimos foi um meio campo transformado numa geringonça periclitante, que é o que está a dar. Foi o que aconteceu quando o treinador em desespero colocou um miúdo de dezoito anos a liderar aquele sector nevrálgico. Fernando Santos improvisou mais uma vez e a desconfiança entranhou-se entre os jogadores do meio-campo que parecem estar jogar sobre brasas. Este estado de coisas conjugadas numa eliminatória com a Croácia, uma equipa coesa e determinada, não augura na da de bom. Oxalá eu me engane.  

Remain

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Hoje em Inglaterra, a mais antiga democracia parlamentar de todas, vai a votos um referendo sobre a permanência ou não do país na União Europeia. É curioso que sejam os mesmos que nos últimos anos vêm vilipendiando a tirania de Bruxelas que nos impõe regras e condições, aqueles que mais se insurgem contra o atrevimento do governo inglês fazer depender do veredicto popular a decisão sobre um assunto que classificam como demasiado melindroso e intrincado, o abrir de uma caixa de pandora que pode conduzir à debacle da periclitante geringonça que sempre foi a Europa. A democracia tem afinal um preço que as domésticas elites nem sempre se dispõe a pagar.

Estou convicto que a sabedoria dos britânicos resultará numa vitória clara da permanência, que passará a estar legitimada pelo voto e cujas condições os seus representantes saberão, comos sempre souberam, negociar. Se o exacerbar dos nacionalismos é um inegável potenciador de conflitos e de bloqueio económico num mundo em imparável processo de globalização, subestimar as particularidades e o caracter de cada nação europeia em troca de uma federação artificial e antidemocrática é um atalho para a queda no abismo do visionário projecto de Jean Monet.
É nesse sentido que estou convencido que devemos confiar no bom senso reformista e conservador dos britânicos, que em muitos aspectos deveríamos ter como exemplo.