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João Távora

Nós gostamos é de "regimes"

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Pouco tempo depois das presidenciais fui convidado para almoçar por um senhor Inglês, um gentleman que gosta muito do nosso país e que passa o ano entre Chelsea e Lisboa, que me recebeu com elegância e enorme simpatia no Círculo Eça de Queiroz de que é associado com um seu amigo compatriota, ambos muito conhecedores da história de Portugal e da nossa realidade politica. A determinada altura perguntei-lhes o que achavam do nosso regime semipresidencialista, ao que o meu anfitrião respondeu com uma gargalhada e a olhar para a mesa ainda cheia de iguarias: “We don’t like «regimes», João – do you?!”, tendo rematado depois, não disfarçando alguma vaidade “That’s why we still have our Queen!”. 

Nessa altura algo que sempre soubera se me tornou clarividente e não evitei um sentimento de tristeza e de uma certa inveja. Acontece que os ingleses, que inventaram a democracia desenvolveram ao longo dos últimos séculos um sistema de poder tanto quanto possível disseminado, filtrado e orgânico – ainda hoje cabe aos tribunais comuns a criação de leis, por exemplo – puderam conservar a monarquia porque souberam escapar à tentação dos “regimes”, no sentido dum sistema demasiado ortopédico, opressivo (para isso já têm o fog e o frio). Enfim, como eu passo a vida a repetir, "temos aquilo que merecemos".