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João Távora

Anti-racismo

A igreja de Pedro, herança de Jesus Cristo, no Vaticano, numa paróquia de Lisboa, numa aldeia de África ou em qualquer lugar da terra, é o maior exemplo de promoção e sucesso de convivência interétnica e racial que eu conheço. Orgulhamos-nos disso, pois.

Chega de escroques

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Ainda estou a tentar perceber quem André Ventura queria atingir com este tweet, para além do claro propósito de relativizar da atitude alarve da claque vimaranense ontem com Marega. Não percebo se fala como adversário político da deputada Joacine ou como comentador benfiquista ressentido da derrota de sábado na Luz e adversário do Porto desprovido de simpatia pelos seus atletas, ou se simplesmente está a usar a velha táctica dos esquerdistas quando se vêm apertados de chamar hipócrita aos seus adversários, género “vocês são todos racistas só que não assumem”. Pela minha parte quero relevar que me faz muita confusão a quantidade de pessoas que acham aceitável qualificar (enxovalhar) uma pessoa pela sua cor da pele ou pertença étnica. De resto, se este triste episódio não nos autoriza a classificar os portugueses de racistas (há por aí muita gente a esfregar as mãos de contentes com a hipótese), já temos informação suficiente para chamar escroque ao André Ventura. 

Semânticas

Ultimamente nas minhas teses e argumentações politicas tenho optado por substituir a designação de "esquerdistas" por "progressistas" pois estes últimos (os meus adversários) existem em todo o espectro partidário. Entenda-se "progressista" como um "activista do progresso", aqueles que acreditam na possibilidade da construção do "homem novo" e nos "amanhãs que cantam".

Agora queixem-se!

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Disseram-me que a Cristina Ferreira promoveu esta manhã na SIC um "debate" sobre a eutanásia em que os convidados eram todos a favor da dita - deve ter sido uma amena a cavaqueira, uma autêntica acção de promoção. Será que a intenção da entertainer era convencer das virtudes da antecipação da morte a sua audiência de reformados retidos em casa ou em lares de idosos, condenados a ver programas imbecis? É evidente que o debate está viciado, as cartas estão marcadas.
E todos os idiotas úteis que teimam em abster-se nas eleições mas agora vociferam indignados com a previsível vitória da eutanásia num parlamento com quase 2/3 de “progressistas”, da próxima vez lembrem-se que a participação cívica é algo mais que perorar nas redes sociais. Temos aquilo que merecemos.

Não vos passa um arrepio na espinha?

O Estado, esse grande educador das massas, qual polvo cuja cabeça descomunal reside em meia dúzia de ministérios em Lisboa, consegue saber aquilo que precisar sobre a vida de cada um de nós: onde estamos, o que fazemos, de que padecemos, e (principalmente) o que pagamos... com uma minúcia aterradora. É natural por isso que estejamos dispostos a delegar neles as regras e condições em que nos poderão ministrar uma injecção letal. Com isenção de taxa moderadora.
Não vos passa um arrepio na espinha?

Antes que uma tragédia aconteça

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Quem ingenuamente julga que a questão da violência das claques e da delinquência no futebol é um problema exclusivo do Sporting, está muito enganado. Porque será que o Estado que se quer meter em tudo, até na nossa vida privada, assobia para o lado nesta matéria tão urgente? Temo que o problema só seja encarado com seriedade quando acontecer uma grande tragédia - o monstro é incontrolável e se não for enfrentado, depois de matar alguém irá matar o futebol.
Aqueles que de boa-fé julgam que o problema do Sporting é Frederico Varandas deveriam pensar se haverá alguém com vontade e qualidades profissionais e humanas para o substituir, sabendo de antemão que se vai confrontar com os mesmos problemas da actual direcção: um clube em guerra civil e recursos tragicamente limitados para ombrear com os seus rivais. A reedificação dum Sporting vencedor (como o que existiu até aos anos 60) é um trabalho de hércules que exige não só um líder extraordinário (que não estou a ver de onde surja), mas de estabilidade para implementar uma estratégia vencedora (atravessar o deserto). Entretanto deixem a actual direcção terminar o seu legítimo mandato. Se no final tiver dominado as claques, devolvido o Sporting aos adeptos e as famílias poderem voltar a frequentar pacificamente as bancadas, já terá valido a pena.

Imagem - Heysel, Bélgica, 29 de maio de 1985 

Post publicado originalmente aqui

A morte fica-vos tão bem...

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A lógica da eutanásia, mais que a do aborto ou outra medida fracturante que vamos involuntariamente assimilando como "direitos adquiridos", está directamente ligada à atomização da sociedade e ao desaparecimento progressivo das antigas comunidades de proximidade, nomeadamente a família alargada, coesa e solidária. O hiperindividualismo significa a total exposição da pessoa, "página em branco", deslumbrada com tanta liberdade e “direitos”, aos caprichos dum Estado omnipresente e voraz. E depois não digam que não foram avisados.

A propósito ide ler a maravilha de texto que é este

 

Meu querido diário (3)

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Na minha modesta opinião, o CDS, não sendo um "partido monárquico" (designação que é uma contradição de termos), em respeito para com a grande maioria dos seus simpatizantes e a sua matriz conservadora, devia abster-se de apoiar qualquer candidato à presidência da república (no caso português uma instituição revolucionária e ilegítima) e declarar a sua simpatia pelo modelo monárquico e parlamentarista. Isso é que era coragem e autêntica diferenciação.

Públicos vícios

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A defesa da liberdade de expressão é sem dúvida uma prioridade inalienável para a salvaguarda duma nação que queremos dinâmica, inclusiva e dialogante. Mesmo que dessa liberdade emerjam os mais ignóbeis discursos de ódio e uma sempre perigosa conflitualização do debate político – essa é, sabemo-lo, a grande fragilidade da democracia. Que tal radicalização seja inevitável nas redes sociais, em que tantos bons chefes de família perdem a compostura por dois minutos de fama, e que o mais das vezes se assemelham a uma malcheirosa e barulhenta taberna onde sobressaem as mais sonoras, excêntricas e ultrajantes boutades, entende-se. Agora, o “cartoon” duma tal Cristina que caricatura o símbolo do CDS associando-o a uma cruz suástica publicado no domingo pelo Público só vem confirmar a casa mal frequentada em que há muito se tornou esse jornal, cuja redacção mais parece uma extensão do esquerda.net.