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João Távora

Portugal em questão

Para gáudio de muitos o circo da política chegou aos píncaros no fim-de-semana que passou, com José Sócrates a fritar em fogo lento sob o crepitar das informações sobre o caso Freeport.

Não fora o estado caótico do regime, que potencia estes fenómenos de suspeitas e de escândalos cirúrgicos, conjugado com uma crise económica de consequências incalculáveis, o caso até podia ser interessante, para quem como eu não gosta da matriz ideológica do governo.

O problema é que estes acontecimentos reforçam a ideia que há tempos venho afirmando, da necessidade urgente de uma profunda regeneração do regime e das suas instituições, que redima a sua imagem e a sua eficácia. Para que a política saia do atoleiro e volte a atrair as elites, gente de valor, e assim consiga mobilizar as pessoas para um projecto de salvação nacional.

Porventura sou um ingénuo: os países pouco desenvolvidos só se regeneram à bordoada e é suposto degradarem-se continuamente nas presas dos oportunistas de ocasião até que o regime caia de podre. O que nos obriga a recomeçar sempre do zero, às mãos de perigosos aventureiros. Tem sido essa a  nossa sina há duzentos anos para cá.

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